sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O Caso de Annita Sattiva: A Bruxa Depressiva

 

Fernando Liguori


Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.


Alguns meses atrás, pesquisando sobre o Sabbath das Bruxas, me deparei com um vídeo de uma autoproclamada «bruxa do bem». Com esse lema, a «cristista em pele de bruxa» vem enganando incautos, não por maldade, mas por ignorância (falta de conhecimento espiritual). Chafurdada na lama da mentira e do desengano, essa bruxa do bem tem espalhado mentiras e difamações ao meu respeito e sobre o meu trabalho após alguns eventos interessantes.

Certa feita essa cristista em pele de bruxa afirmou com todas as letras possíveis do alfabeto que o Sabbath da Bruxas nunca teve nenhuma conotação sexual e que quem defende essa ideia não sabe o que é bruxaria de verdade. Eu me esforcei em esclarecer essa desinformação mentirosa na edição do Jornal Corrente 93 de dezembro de 2016e.v., toda dedicada a esse tema e sobre isso não é necessário discorrer mais nenhuma palavra por aqui. No entanto, gostaria de contar essa história desde o início e de esclarecer o seguinte ponto: não é possível olhar para os cultos do passado com os olhos de uma cristista dogmática, preconceituosa e o que é pior, com terríveis traumas sexuais mal resolvidos.

Quando essa cristista em pele de bruxa afirmou tal desinformação para muitas pessoas em seu vídeo, tentei alerta-la para a medonha idiotice que acabava de falar em seu vídeo. Ela não gostou e disse que quando eu estava a criticar seus pontos de vista, também estava criticando sua pessoa pois, segundo ela, «eu sou minhas ideias, uma crítica a elas é uma crítica a minha pessoa». Depois dessa frase eu conclui de que não tratava de uma pessoa séria, pois qualquer um que está mais adiantado no caminho e se propõe a ajudar pessoas sabe que, em verdade, nós não somos nossas ideias e muito menos qualquer uma das máscaras que construímos e vestimos. Qualquer pessoa séria sabe que nossa Alma ou Espírito não tem nada a ver com aquilo que «vestimos» para nos apresentar ao mundo. Eu tentei contornar a situação dizendo que não, minha crítica não era a pessoa dela, pois nem a conhecia, mas as ideias que ela estava transmitindo. Mesmo assim a bruxinha depressiva levou para o lado pessoal, mais uma vez mostrando o quão séria ela é no caminho. Eu apontei obras onde ela poderia estudar o assunto mais profundamente, mas de nada valeu, pois ela encerrou-se na crença de que o verdadeiro Sabbath das Bruxas se referia as celebrações da roda do ano como entendemos na modernidade, o que nem de longe é verdade.

Para encerrar o assunto, eu deletei todas as mensagens para deixa-la seguir seu curso de engano e mentiras (para si mesma e para as pessoas que a assistem). Mas ela guardou minhas palavras não apenas como ofensa e falta de respeito, mas também, como uma «crítica destrutiva». Para pessoas sérias na jornada não existem críticas destrutivas. A partir disso, ela começou a gravar uma série de vídeos falando sobre minha pessoa, nunca utilizando o meu nome, mas claramente falando para mim. Bom, eu fiz o mesmo: um vídeo criticando sua postura, sem falar o nome dela. Nesse vídeo minha crítica passou pelo seguinte crivo da análise objetiva: um doente pode curar outro doente? Em inúmeras vezes a tal cristista em pele de bruxa disse ser uma pessoa altamente depressiva, que tentou se matar e que vivia uma vida infeliz com seu cônjuge que não a apoiava em suas demandas espirituais. Somado a isso um consumismo típico de quem precisa ansiosamente de bolsas, roupas e sapatos para mascarar sua carência e infelicidade. Baseando-me nas palavras dela sobre si mesma apenas, concluí que uma pessoa altamente doente como essa, com a mente torpe e tóxica, vem utilizando de uma máscara de bruxa do bem para disseminar sua ignorância interior. Eu não iria falar dela no meu vídeo, no entanto, quando lhe procurei para falar sobre as questões que ela havia levantado sobre mim em seus vídeos, descaradamente ela mentiu e disse que não falou de mim. Além disso tudo, notei então estar falando com uma falsa e dissimulada que fala em seus vídeos que não possuía mídias sociais como Facebook, quando ela, novamente descarada, me escreveu de um perfil falso. Bem, quando notei, vi que realmente a tal da cristista em pele de bruxa se trata de uma mulher altamente doente e que precisa desesperadamente fazer vídeos no You Tube para se sentir melhor consigo mesma. Dessa forma, alegando ajudar outras pessoas, o que ela quer é ajudar a si mesma aplicando doses consideráveis de massagem no seu ego.

Como uma retaliação a meu vídeo, ela começou a espalhar que eu sou uma pessoa falida, que meu trabalho vai de mal a pior e que eu a «cutuquei com palitos de fósforo». Disse ainda que eu fiz trabalhos mágicos, que «lhe enviei demônios». Bem, eu vivo com uma pessoa ao meu lado, uma companheira que pode atestar que eu não sou dado a isso. Annita Sattiva, qualquer fracasso meu é infinitamente superior as suas vitórias e uma vez que você é a sua pior inimiga, não preciso fazer nada contra você. Primeiro porque você mesma já faz e qualquer buscador sério não consegue ver mais de cinco minutos de seus vídeos. Ademais, você não oferece nenhum tipo de perigo, pois qualquer prática mágica feita por você, uma doente psíquica, não tem força nenhuma, por mais pimentas que você queira usar em seus feitiços.

A sua história Annita Sattiva, conta a vida de um fracasso como pessoa, atriz e iniciada. Papeis e interpretações a parte, é a sua pessoa, por baixo disso tudo, que precisa veementemente de atenção para se afirmar. Você é uma piada e o séquito de imbecis e idiotas que te seguem estão emulando a sua miséria: todos na fossa do Porque!

Uma solução para sua depressão crônica: cria vergonha na cara e vá trabalhar! De minha parte, finalizo essa questão e indico o texto: Choronzon, Internet & Mídia Social.


Amor é a lei, amor sob vontade.


domingo, 24 de abril de 2016

Seth-Aiwass



Fernando Liguori


Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.


Thelema é uma nova religião e no âmago dessa religião reside uma escuridão profunda. Para alguns, Thelema representa uma religião solar conectada a antigas deidades egípcias como Osíris, Ísis, Hórus, Thoth e Sekhmet. Mas não é! Como toda religião, Thelema possui um ritual público, designado a transmitir ao mundo sua mensagem. Esse ritual é a Missa Gnóstica, cujo credo exalta um deus chamado Caos, e Caos é um epíteto para o deus Seth.[1]


O Livro da Lei, a pedra angular do Culto de Thelema, foi recebido em Abril de 1904, ditado por uma inteligência conhecida pelo nome de Aiwass, através da mediunidade de sua esposa, Ourada (Rose Edith Kelly, 1874-1932), que trabalhou como vidente durante a recepção.

Aiwass, a entidade praeter-humana por trás da comunicação, proveu pistas sobre sua identidade logo no início da transmissão: Vê! isto é revelado por Aiwass, o ministro de Hoor-paar-kraat.[2] Portanto, trata-se de Harpócrates, o Deus do Silêncio, que Crowley associa ao Atu 0 do Tarot, O Louco.[3] Existe, portanto, uma associação sutil entre a recepção de O Livro da Lei e a corrente mágica do Divino Louco.[4] Por outro lado, Crowley também considera que o Atu XV, O Diabo, era o desenvolvimento completo da corrente que se iniciou no Atu 0, manifesta na forma da Besta, Pã. Foi à combinação dos esforços de Crowley como a Besta e sua Mulher Escarlate na função de Babalon que deu nascimento à corrente iniciada na recepção de O Livro da Lei, como indicado pela voz de Aiwass: Agora vós deveis saber que o sacerdote escolhido & apóstolo do infinito espaço é o príncipe-sacerdote a Besta; e para sua mulher chamada a Mulher Escarlate é dado todo o poder.[5] Essa combinação ou conexão acabou por se refletir nas personas de Nuit e Hadit: Eu, Hadit, sou o complemento de Nu, minha noiva.[6] E Aiwass continua a instruir Crowley a se alinhar a Hadit: Sê tu Hadit, meu centro secreto, meu coração & minha língua![7] Eu sou o ardor que queima em cada coração de homem, e dentro do núcleo de cada estrela.[8] Este centro secreto, entende-se, tem uma natureza serpentina, uma potência ofidiana transmitida na imagem da Besta – O Louco – conjugada a Babalon: Eu sou a secreta Serpente enrolada pronta para saltar: em meu enrolar está o prazer.[9] Uma clara referência aos mistérios ofidianos preservados na cultura tântrica na forma da kuṇḍalinī, tão importante no sistema de iniciação proposto por Crowley.

A identidade de Aiwass fascinou Crowley por toda sua vida, que acreditava ser ele um Deus, Daemon ou Demônio cujas origens remontam a Suméria, assim como uma manifestação de seu Sagrado Anjo Guardião.[10] Essa alegação é baseada no fato de que Crowley executou a invocação do Não-Nascido antes da recepção de O Livro da Lei na Operação do Cairo, como ficou conhecida a ocasião. É o objetivo dessa invocação etabelecer uma conexão consciente com o aspecto superior de cada um de nós e ela foi posteriormente incluída em seu Liber Samekh, um ritual construído para Consecução & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião.[11]

Charles Wyciffe Godwin (1817-1878), quem primeiro fez a tradução do papiro de magia greco-egípcia que Crowley restaurou completamente em Liber Samekh traduz o termo grego akephatos como o sem cabeça. Crowley não gostou dessa tradução do termo e preferiu traduzir como o não-nascido, referência ao fato de que a entidade invocada por esse ritual não tem início ou fim. No entanto, a palavra akephatos é identificada por muitos egiptólogos como uma referência ao deus Seth.[12] Dessa maneira, a deidade convocada na execução de Liber Samekh é Seth. O Sagrado Anjo Guardião de Crowley, segundo a hipótese de Grant, é similar ao deus Seth. Godwin ainda especula em sua obra que a invocação é dirigida ao princípio maligno dos egípcios, quer dizer, Seth.[13]

Na concepção de Kenneth Grant, Aiwass como Seth ou Seth-Aiwass como ele postula é uma incorporação da Tradição Draconiana do antigo Egito.[14] Entre os egípcios, a constelação de Draco – e outras ao Norte como as constelações de Hércules, Ursa Menor, Cepheus, Lyra e Cygnus – era atribuída ao deus Seth.[15] De acordo com Gerald Massey,[16] Seth foi a primeira energia emanada da criação ou a primeira criança nascida da Grande Mãe, dessa forma, sendo associado a criação primordial, o Caos de onde a Ordem emergiu. No simbolismo do Tarot de Thoth, Draco é associada ao Atu XIII, Morte. Crowley vê este Atu como a culminação do simbolismo do deus moribundo, iniciada nos dois Atus anteriores e a subsequente demonisação de Seth.[17] Isso simboliza a morte do velho e o início do novo.

Em O renascer da Magia, Grant estabelece uma conexão entre Seth e Bes. Em sua obra, The Dawn of Astronimy, N. Lockyer estabelece a mesma conexão, enfatizando que Seth e Bes incorporavam os poderes das trevas, quer dizer, a tradição de deuses estelares como oposta ou inimiga a tradição de deuses solares.[18] Nessa obra, Lockyer se refere a Bes como um tolo. Essa afirmação nos remete a um artigo escrito por H. Goedicke, Seth as a Fool [Seth como um Tolo].[19] Em muitos extratos mitológicos Seth é tido como um tolo, devido a sua eterna contenda com Hórus. Mas esse é o aspecto exotérico da interpretação. A interpretação esotérica reside na conexão entre Seth e o Atu 0 do Tarot, O Louco. O Caminho de O Louco na Árvore da Vida é compreendido pelas vibrações do Caos, quer dizer, da Ordem no Caos. Em sua obra, Seth: God of Confusion [Seth: Deus da Confusão] H. Veld vai mais além ao identificar Seth como o divino tolo originou a confusão que levou a ordem. Veld cita P. Van Baaren, um egiptologista que estabeleceu uma conexão entre Seth e um loa do Vodu, Ghede, ressaltando a característica viril e o poder sexual atribuído a ambos, uma característica arquetípica incorporada pelo Atu 0, O Louco.

Os nomes bárbaros de evocação restaurados por Crowley em Liber Samekh também expõem o fato de que entidade invocada por este rito é Seth. Os nomes Iaō-Sabaōth, Iēōu e outras deidades invocadas no ritual através dos nomes bárbaros têm raízes gnósticas e são referências a entidades mais antigas, acadeanas e babilônicas. A iconografia dessas deidades é rastreada a origem dos gnósticos. Por exemplo, o Sabaōth dos gnósticos é referido como uma deidade com cabeça de asno, o mesmo Iaō-Sabaōth dos judeus, também com cabeça de asno. Gerald Massey ainda chama a atenção para o fato de que as palavras Iaō e Iēōu são alternativas fonéticas para Jeu. Isso está claro pelo fato de que os Papiros Mágicos Grego-Egípcios e os Papiros Mágicos Demóticos agrupavam um número distinto de tradições, alguns deles contendo material de idiomas distintos, dentro de um mesmo documento. A palavra egípcia para asno é hĭw, um termo associado a Seth como asno ou serpente.
Entre os gnósticos Seth era um deus tido em alta consideração. Em O Livro de Jeu, Seth é associado a Jeou, o Deus Invisível. Em outro manuscrito gnóstico, o Código Bruce, Seth é referido como o Deus Supremo, o nascido sozinho e Sethius, o Logos Criador.

O terceiro ensaio desta obra, Thelema: A Redescoberta da Tradição Sumeriana é meu primeiro texto sobre a identidade e conexão entre Aiwass e Seth, que espero continuar em minhas próximas obras. Aqui, minha intenção é explorar em uma primeira análise a corrente mágica que alimentou a recepção de O Livro da Lei, sua teogonia associada e o papel do deus Seth na Filosofia de Thelema.


Amor é a lei, amor sob vontade.


Este texto é um extrato de «Gnose Tifoniana» (Vol. II), NO PRELO.



[1] Fernando Liguori em Thelema: A Redescoberta da Tradição Sumeriana, em Gnose Tifoniana (Vol. II).
[2] Liber AL, I:7.
[3] Veja O Livro de Thoth, por Aleister Crowley. Madras, 1998.
[4] É possível rastrear aspectos desta corrente mágica em inúmeros escritos de Crowley. Um exemplo clássico é o Liber CXI ou Liber Aleph: O Livro da Sabedoria ou Tolice, descrito por Crowley como um extenso comentário de O Livro da Lei. Pode ser inferido dessa maneira que O Livro da Lei é a primeira manifestação ou transmissão da corrente mágica do Divino Louco, continuada nas operações de Abuldiz (1911) e Amalantrah (1918). Liber Aleph foi concluído durante a Operação Amalantrah e transmite fielmente a corrente mágica que infunde o Atu 0, O Louco.
[5] Liber AL, I:15.
[6] Liber AL, II:2.
[7] Liber AL, I:6.
[8] Liber AL, II:6.
[9] Liber AL, II:26.
[10] Veja The Equinox of Gods, por Aleister Crowley.
[11] Este ritual foi escrito na Abadia de Thelema, Cefalu, Cicília, na ocasião da admissão de Frater Progradior (Frank Bennett, 1868-1930) na Segunda Ordem da AA. O ritual foi adaptado de um fragmento de um ritual greco-egípcio traduzido de um papiro por Charles Wyciffe Godwin do museu britânico em 1852. Mathers o utilizou como invocação preliminar para sua tradução da Goécia. Crowley usou a interpretação começada dos nomes bárbaros e as fórmulas mágicas em todo seu conteúdo. A invocação original se chamava O Sem Cabeça. Agora, em todo seu formato se chama O Não-Nascido.
[12] Veja por exemplo The Secret Books of the Egyptian Gnostics, por Jean Dorresee.
[13] Veja Charles Wyciffe Godwin, A Fragment of Graeco-Egyptian Magic, p. 40.
[14] Veja O Renascer da Magia, Kenneth Grant. Madras, 1999 e Penumbra, 2015.
[15] Veja The Dawn of Astronomy, por N. Lockyer e The Natural Genesis, por Geral Massey.
[16] The Natural Genesis, p. 149.
[17] Veja O Livro de Thoth, por Aleister Crowley. Madras, 1998.
[18] Para uma compreensão clara dessa animosidade entre os deuses estelares e solares no antigo Egito veja as obras de Kenneth Grant, Cults of Shadow e Outer Gatways. Starfire, 2013 e 1016.
[19] Veja Journal of Egyptian Archaelogy, 1961.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O Mago do Eterno



Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.


Interessante este momento que estamos chegando. Terça feira próxima, 19 de abril, o sol estará entrando na casa de Touro. Vênus, a deusa egípcia Hathor, regula Touro, enquanto que a Lua, Levanah, é exaltada. O Atu do Tarot referente é o Hierofante (Atu V). O título desse Atu é O Mago do Eterno e corresponde ao décimo sexto Caminho na Árvore da Vida.

O décimo sexto Caminho é a Inteligência Triunfal ou Eterna, assim chamado porque é o prazer da Glória, além da qual não existe outra Glória igual a ela, e que também é chamado de Paraíso preparado para os Justos.

O Caminho do Hierofante, Vav, estende-se de Chesed a Chokmah e é o Caminho mais elevado do Pilar da Misericórdia. Os documentos da Aurora Dourada dizem que ele é o Zodíaco atuando sobre Júpiter através de Touro, o que pode parecer simplista, mas é uma descrição bastante precisa. Esta é a ação de Chokmah, na qualidade de potencial espermático do universo manifestado, sobre a primeira manifestação. Chokmah é o Pai Superno e Chesed é o Pai na manifestação. Chokmah é o Yod do Macroprosopus; Chesed é o Yod do Microprosopus.

Assim, o Caminho de Vav é um poderoso Caminho masculino relacionado com Touro. Ele é Terra Fixa no Zodíaco, significando que se trata de uma base sólida. Aqui, nossa primeira definição deste Caminho, como um extremo estabilizador, é particularmente útil.

O Hierofante é o Caminho oposto a O Carro, o veículo (estabilização de extremos ativos/Água Cardeal) com o qual a Alma é transportada através do Abismo. O Hierofante é a estrada celestial por onde viaja O Carro; ele é o fundamento absoluto do processo de revelação e a sólida base de experiência entre o Supremo Eu Espiritual e o Ego de Tiphereth, do qual a memória é um aspecto.

A ideia de que O Hierofante está relacionado com a memória poderia ser considerada à luz do significado da palavra Vav, que significa prego ou gancho. Um prego junta coisas, unifica, sugerindo que uma função básica de O Hierofante consiste em ligar Microprosopus a Macroprosopus, ou seja, o Grande Universo à manifestação. Ele é a Inteligência Triunfal ou Eterna, por meio da qual tudo o que somos está ligado para sempre ao Espírito Divino. Essa consciência unificadora é descrita de diversas maneiras simbólicas, tais como: ela faz a ligação entre o Sol e a Lua ou entre o Acima e o Abaixo. Ela também está relacionada com o ensinamento, com aquilo que introduz as ideias superiores nos organismos inferiores. Em outras palavras, pode-se dizer que a energia inteligente que liga o puro espírito interior aos aspectos exteriores da manifestação é também a fonte da nossa compreensão a respeito desse espírito interior. Ele é a única fonte. O Hierofante é o único professor. Conforme diz o título esotérico da carta, ele é o Mago do Eterno.

Com relação ao uso da figura do Pontífice católico no Tarot, devemos compreender que até muito recentemente o esoterismo ocidental estava inextricavelmente ligado ao Cristianismo. Na época em que surgiram as cartas, a metafísica era simplesmente uma maneira de encarar uma determinada crença, a qual estava acima de qualquer questionamento enquanto sistema. Não havia alternativas viáveis. Assim, os grandes esoteristas ou eram sacerdotes católicos ou procuravam a aprovação da hierarquia católica para suas pesquisas. Podemos citar, por exemplo, a correspondência entre Henry Cornelius Agrippa e o abade John Trithemius, um grande humanista. O abade, ele próprio um ávido estudioso dessas questões e profundo conhecedor da cultura hebraica, respondeu cordialmente ao recebimento do livro Filosofia Oculta, escrito por Agrippa: o grande prazer com que recebo este livro nenhuma língua mortal pode expressar e nenhuma pena pode escrever. Nem o prelado nem o jovem filósofo ocultista foram condenados por suas obras, pois elas estavam efetivamente dentro dos limites aceitos pela doutrina católica. Assim, no entender dos criadores das cartas do Tarot, o uso da imagem do Papa para representar os mistérios das energias do Caminho de Vau, o Supremo Professor, era algo bastante razoável. Essa imagem era problemática apenas para aqueles que tentavam separar a Qabalah Hermética do Cristianismo da Idade Média, dentro do qual ela inquestionavelmente foi criada.

O livro O Rituais do Tarot abordará uma prática diária com cada carta do Tarot. Em breve.



Amor é a lei, amor sob vontade.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Goécia: Evocação Mágica



Fernando Liguori


Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.


A Arte da Goécia tem se popularizado no Brasil principalmente através de vídeos de inúmeros magistas e ocultistas no You Tube. Infelizmente, as contribuições também têm disseminado informações imprecisas sobre essa arte. Por conta disso, decidi fazer esse vídeo sobre o tema, ressaltando três requisitos importantes e fundamentais para prática: iniciação, conhecimento e intrepidez.

A goécia ocupa um lugar de proeminência entre os ocultistas ritualisticamente inclinados e é conhecida genericamente como a arte negra. Suas convocações demoníacas acompanhadas de sigilos sugestivos e poderosos relatos de resultados devastadores têm seduzido magistas ao longo dos tempos. Allan Bennett (1872-1923), um dos primeiros professores de Crowley na Arte Régia disse-lhe certa vez: «irmãozinho, você tem se metido com a goécia». Negando a afirmação de seu professor, Crowley respondeu que não era digno de pronunciar os terríveis nomes bárbaros de evocação. Bennett retrucou: «nesse caso, a goécia tem se metido com você».

Tradicionalmente, a goécia é a primeira – e mais notória – parte de um grimório mágico conhecido como Lemegeton ou As Chaves Menores de Salomão. Contém uma descrição completa dos 72 agentes malignos ou demônios, com a descrição detalhada de cada um no momento de sua conjuração quando evocados, apresentando seu título, hierarquia e a legião de espíritos que eles controlam. O texto contém os sinistros e atraentes sigilos dos demônios, utilizados em operações mágicas para os mais diversos objetivos como: aquisição de conhecimento filosófico, percepção do futuro, atração de bens e riquezas, manipulação astral etc. Existem inúmeros manuscritos do Lemegeton com informações distintas acerca dos demônios e seus nomes. Alguns manuscritos apresentam o grimório em cinco partes, outros em quatro. Outros destacam, antes das chaves menores, o Theurgia-Goécia, que descreve 31 espíritos correspondentes às direções do espaço. Os espíritos são acompanhados por seus sigilos e são apresentados como malignos e benignos. A terceira parte do Lemegeton é conhecida como Ars Paulina, que descreve os anjos correspondentes às horas do dia e aos signos zodiacais. A quarta parte, bem pequena, é conhecida como Ars Almadel e a quinta parte, considerada a mais antiga, é conhecida como Ars Notoria. Infelizmente, a quinta parte é omitida na maioria das versões.

Mas quando eu utilizo o termo «goécia», não me refero apenas ao sistema de magia conectado ao Legemeton. Goécia é um termo que abrange todo sistema de conjuração demoníaca, incluindo a magia qliphótica. É a arte negra ou doutrina das sombras, uma tradição genuína do caminho da mão esquerda e sua doutrina é considerada avançada e perigosa, embora as pessoas não costumem dar a ela o mérito que lhe cabe. A goécia é uma magia ctoniana e telúrica. Ela convoca as forças do submundo e do abismo. Portanto, sua prática é sombria, conectada as experiências do lado noturno. Mais especificamente, a goécia é um sistema de magia que envolve a penetração nos estratos mais profundos do subconsciente, a morada dos «espíritos» e «demônios» que representam energias biológicas primordiais desassociadas da onda de vida humana.

Goécia significa «urro», «uivo», «bramido» ou «vociferante», o que descreve a maneira de como se evocar as bestas das profundezas através do processo denominado Contra a Luz. A palavra goécia é de origem grega e denota feitiçaria ou bruxaria. Um goético, do grego goetes, era um feiticeiro, um magista negro, diferente do mago, o magus grego que ocupava o ofício de sacerdote. Atualmente, um magus muitas vezes é visto como um magista negro ou alquimista. Mas a antiga designação para um conjurador de demônios ou magista negro era goético.

Iniciação

A goécia lida com a evocação mágica, uma arte que, segundo a tradição oculta, é uma técnica altamente avançada, requerendo iniciação real nos Mistérios.

Ao lidar com os gênios goéticos, duas são as atitudes que podem ser assumidas pelos magistas:

·         Conjurador: para conjurar e ordenar o demônio, impelindo-o a executar sua vontade, é necessário a iniciação de Tiphereth. Somente a admissão a Cripta dos Adeptos confere ao magista autoridade sobre o demônio.

No antigo sistema da Aurora Dourada, a evocação era praticada apenas por Adeptos da Segunda Ordem. Dessa forma, somente um Adepto é capaz de manipular a Verdadeira Vontade, fazendo com que os seres de seu universo ajam em concordância com ela. Um demônio é apenas um aspecto da consciência do Adepto, agindo sob sua vontade.

·         Negociante: o magista que ainda não alcançou a iniciação de Tiphereth não está apto a comandar o demônio. Dessa forma, ele tem de negociar com ele. Por um lado isso é muito mais fácil, por outro, mais perigoso.

O perigo na evocação mágica reside no fato de que toda vez que o magista externaliza um aspecto de si mesmo, neste caso na forma de um demônio, seu universo interior se desconstitui. Ele terá, portanto, de reabsorver a força externalizada na intenção de reestruturar sua psicoesfera.

Mas o demônio, a incorporação de um estado de vida caótico, confuso e desordenado, terá de ser reabsorvido na consciência do magista. Ele não irá retornar aos seus infra-mundos. Sua intenção é sair desse estado de vida e evoluir. O magista, portanto, sem a iniciação de Tiphereth e admissão a Cripta dos Adeptos terá condições de suportar tal força em sua consciência?

Disso notamos a necessidade da iniciação. Sem o Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião, qualquer evocação torna-se deveras perigosa, pois o magista pode não ter estrutura para suportar a força demoníaca.

Dessa maneira, qualquer professor que ensine goécia sem levar a iniciação do aluno em consideração é digno de dúvida!

Conhecimento

O conhecimento esmaga a ignorância. Existem três pontos de vista acerca da evocação mágica.

A corrente representada por magistas acadêmicos como Stiphen Skynner sustenta que as criaturas espirituais de todos os tipos constituem um universo a parte ou além da estrutura nervosa humana e que a prática da tradição dos grimórios medievais deve ser entendida dessa forma. Essa corrente também sustenta que é ela a única responsável e repositória do conhecimento tradicional acerca dos grimórios medievais e que ordens modernas na verdade, transmitem um conhecimento corrupto sobre essa tradição.

De outro lado, magistas psico-terapeutas como Dion Fortune, Israel Regardie e na comunidade thelêmica moderna, IAO 131, sustentam que essas criaturas espirituais fazem parte de nosso universo e que demônios, nesse caso, habitam os inframundos ou mente inconsciente dos magistas.

Mas existe uma terceira opinião. A tradição da Aurora Dourada, fiel ao hermetismo, sustenta que tudo o que está abaixo é igual ao que está acima. Nessa direção, a Aurora Dourada ensina que essas criaturas espirituais residem em nosso interior, ocultas em nosso universo. Essas forças ocultas são colocadas em ação através do ritual ou das circunstâncias da vida. Quando colocadas em ação pelo estilo de vida do magista, elas invadem a consciência, levando-o a estados obsessivos. Quando acionadas pelo ritual, elas também podem invadir a consciência do magista de maneiras distintas, dependendo sempre do sacrifício utilizado para energizar a criatura. Através de sua ativação pelo ritual, ainda, estabelece-se uma relação ou conexão com a contraparte macrocósmica ou metafísica da criatura.

Qual dessas interpretações está correta? Todas elas!

Na Qabalah, dois são os trabalhos mágicos na realização da Grande Obra. Os trabalhos de Merkavah e os trabalhos de Bereshit. A teoria psicológica, de que as criaturas espirituais são parte de nossos muitos universos, está alinhada ao trabalho de Merkavah, onde o magista precisa construir e harmonizar sua Árvore da Vida interior. No âmbito desse trabalho espiritual, o magista lida com essas forças em seu universo pessoal. No caso da prática da goécia, ele projeta no triângulo da arte uma parte de si mesmo, que não precisa necessariamente ser constituída dos cinco elementos.

A teoria de que as criaturas espirituais constituem organismos, forças, inteligências ou entidades fora do magista, se alinha ao trabalho de Bereshit, onde o magista precisa, após ter harmonizado sua Árvore, criar conexões entre seu universo interior e o universo que o cerca. Nesse caminho, a terceira interpretação, a da Aurora Dourada, une os dois trabalhos espirituais.

Crowley falou sobre isso nos teoremas da magia: 9, 10, 19, 20, 21 e 22, para dar sentido ao teorema 14, que trata da evocação mágica:

9. Um homem que faz sua Verdadeira Vontade tem a inércia do Universo para ajudá-lo.
10. A Natureza é um fenômeno connuo, embora não saibamos, em todos os casos, como os fatos são conectados.
19. O senso que o homem tem de si mesmo como sendo um ser à parte e oposto a alguma coisa, o isola. O Universo é uma barra condutora de energia.
20. O homem pode somente atrair e empregar as forças para as quais ele é realmente apto.
21. Não há limite para a extensão das relações de cada homem com o Universo em essência; porque tão logo o homem se faça uno com qualquer pensamento, os meios de meditação param de existir. Mas seu poder em utilizar esta força é limitado por seu poder mental e capacidade e pelas circunstâncias de seu ambiente.
22. Cada indivíduo é essencialmente suficiente a si mesmo. Mas, ele é insatisfatório a si mesmo até que estabeleça uma correta relação com o Universo.

14. O Homem é capaz de ser e usar qualquer coisa que percebe, porque tudo que ele percebe é, de certo modo, uma parte de seu ser. Ele pode, desta forma, subjugar todo o Universo do qual ele é ciente a sua Vontade Individual.[1]

Intrepidez

É muito comum a prática da goécia inspirar certo pavor em alguns ocultistas. Mas esse medo tem apenas uma fonte: a ignorância. É a não compreensão dos reais processos da evocação mágica e os procedimentos envolvidos que coloca o magista em perigo. Mas como eu falei acima, o conhecimento esmaga a ignorância. Se o contato com demônios lhe causa certa animosidade ou pavor, goécia não é para você. A evocação mágica é para Adeptos intrépidos e corajosos.

Tradicionalmente, espera-se que o demônio apareça na forma visível. No entanto, a inaptidão de certos magistas em ver o demônio e tornarem-se um oráculo na prática da evocação mágica fez com que muitos se valessem de artifícios para energizar e dar substancialidade ao demônio. Este é o caso das oferendas ou sacrifícios depositados no triângulo da arte.

Quanto mais denso for o sacrifício, mais difícil será lidar com uma possível intrusão no círculo mágico.

·         Se a energia cedida à substancialização do demônio for mental, o magista terá uma experiência no reino da mente, na forma de pensamentos irados, conflitantes e desarmônicos. Uma intrusão demoníaca no reino da mente é facilmente banida pelo magista experiente.
·         Se a energia cedida for astral, o magista terá uma experiência no reino das emoções, sendo elas iradas, agressivas ou depressivas. Da mesma maneira, uma intrusão no reino das emoções é facilmente banida por um magista experiente.
·         Se a energia cedida for etérica, o magista terá uma experiência fisiológica como formigamento, palpitação, fecho repentino de calor etc. Uma possessão neste nível é mais difícil de ser banida e é preciso muita experiência para lidar com esse tipo de intrusão.
·         Se a energia cedida for na forma de sacrifício de matéria, quer dizer, sangue, copo com água, incenso, bola de cristal, espelho mágico etc., o magista deverá ver o demônio se manifestar no triângulo da arte. Uma intrusão neste nível terá de ser contida com ferro. Uma espada mágica, portanto, é requerida, na intenção de furar a psicoesfera do demônio, fazendo com que ele perca força e sustanciabilidade.

A quimiognose costuma suplantar a necessidade de qualquer tipo de sacrifício, uma ver que capacita o magista a ver e a ter um acesso mais fácil aos seus inframundos na intenção de evocar dali qualquer entidade.


Amor é a lei, amor sob vontade.




[1] Aleister Crowley, Magick.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Corrente 93

 


As Duas Tradições de Thelema


Fernando Liguori


Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.


Apenas para reflexão!

Existem duas «linhas» thelêmicas. A ortodoxa (crowleyana), mantida principalmente através da O.T.O. moderna, em um passado bem próximo designada como «Califado». Ela encabeça o que podemos chamar de «comunidade thelêmica moderna». Nessa «linha» ou «tradição», descendem ocultistas como Lon Milo DuQuette, James Wasserman, James A. Eshelman, J. Daniel Gunther, David Shoemaker, Phyllis Seckler, Grady McMurtry, Israel Regardie, Gregory Peters, IAO131 e muitos outros. No Brasil, Marisol Seabra, representante da O.T.O., está conectada a essa linha e qualquer thelemita conectado a ela, através da O.T.O., também está.

A outra «linha» ou Tradição Oral de Thelema, não é mantida por ninguém. Trata-se de thelemitas trabalhando em círculos muito fechados, descendentes daqueles que estiveram bem próximos a Crowley, como Cecil Frederick Russell, William T. Smith, Charles Stansfild Jones, Jack Parsons e Marjorie Cameron, Austin Osman Spare, Gerald Gardner e Karl Germer etc. Os descendentes modernos que mais exprimem essa tradição oral thelêmica são Kenneth Grant e Michael Bertiaux, mas existem outros.

Marcelo Ramos Motta parece estar influenciado por esses dois universos. Via Karl Germer ele obteve insights profundos sobre Thelema. Infelizmente, a atenção dada mais as querelas do que a iniciação parece ter levado Motta em um caminho distinto e Euclydes Lacerda, seu mais famoso discípulo, demonstra como ninguém essa dicotomia entre os dois universos thelêmicos. E embora Motta tenha sido um péssimo magista, sua contribuição à comunidade brasileira de Thelema ainda permanece insuperável.

Diferente da interpretação ortodoxa, a Tradição Oral de Thelema continua mantendo vivo o espírito de busca do qual Crowley era um exemplo a ser seguido. Sua presença transformava quem quer que estivesse ao seu lado. Isso manteve acesa a chama da oportunidade para o experimento. Ocultistas que descendem dessa linha não costumam praticar os rituais thelêmicos da maneira como instruídos nas publicações thelêmicas «oficiais». Existe uma maneira distinta, por exemplo, de se praticar o «Rubi Estrela». Crowley, na Abadia de Thelema, costumava conjugar o «Rubi Estrela» com o «Stellae Rubae». Essa versão era utilizada nas operações mágicas que envolviam magia sexual como a Operação Cephaloedium. Essa foi uma operação realizada com a finalidade de aterrar as energias do Aeon de Hórus. Cecil Frederick Russell, como Set-Kether fecundava Crowley através da sodomia, que incorporava o poder divino de Thoth-Lúcifer-Chokmah, a Palavra. Crowley então fecundava Leah Hirsig, que incorporava Ísis-Binah. No «Stellae Rubae», Apep ou Seth transmite, através da cópula, o feitiço puro. A essa versão do «Rubi Estrela» ainda era incluída a recitação da música recebida por Crowley em sua experiência com o 2° Aethyr descrito em «A Visão & a Voz» ou Liber 418. Ensinar essa versão aqui vai além da necessidade.

A diferença entre os ensinamentos orais de Crowley e a visão thelêmica popular ou ortodoxa exposta nas publicações oficiais como «Liber ABA» e a versão modificada de «O Livro da Lei», por exemplo, ainda está começando a ser explorada.

Eu escrevo esse opúsculo de meditação porque vez ou outra sou «acusado» de ensinar uma «versão» de Thelema distinta da doutrina exposta por Crowley. Sobre isso, penso que a resposta está nesse próprio opúsculo. Meu trabalho é dar continuidade a essa Tradição Oral de Thelema, me transmitida através de uma corrente iniciática que vem desde Aleister Crowley: Germer-Motta-Lacerda-Araújo, Grant-Lacerda e diretamente de Grant.

Com vocês, Corrente 93.



Amor é a lei, amor sob vontade.