domingo, 21 de setembro de 2014

Mystère du Zombeeisme



Por Fernando Liguori


Minhas observações sobre o Universo convencem-me que existem Seres de inteligência e poder de uma qualidade muito superior do que qualquer coisa que nós possamos conceber como humano; eles não são necessariamente baseados nas estruturas nervosas e cerebrais que nós conhecemos; a única chance para a humanidade avançar como um todo é fazer com que individualmente cada humano entre em contato com estes Seres.

Aleister Crowley

As palavras de Crowley retiradas de Magick Without Tears corroboram que a evolução espiritual está diretamente vinculada ao tráfego com entidades praeter-humanas. Para que isso seja efetivado, é necessário que o magista compreenda que Magia é um meio técnico de comunicação que amplia o tempo e espaço; é uma atividade que envolve a transmissão e recepção de formas simbólicas e implica a utilização de vários tipos de recursos.

O meio técnico permite I. a fixação de formas simbólicas e vários graus de durabilidade desta fixação; II. um certo grau de reprodução, i.e. a capacidade de multiplicação de uma forma simbólica; III. um distanciamento espaço-temporal variável de acordo com o meio técnico utilizado; e IV. através do conteúdo simbólico «toda cultura e estrutura filosófica trabalhada pelo meio técnico» produzir imagens encarnadas em veículos físicos ou astrais cujo campo de influência abrange todo espaço-tempo.

Esses atributos ampliam as condições de exercício do poder espiritual uma vez que o magista torna-se capaz de interagir, emitir e canalizar mensagens trans-dimensionais podendo intervir e influenciar no curso dos acontecimentos mais distantes no espaço-tempo.

A emissão e recepção de mensagens espirituais requer certas habilidades, competências e formas de conhecimento, como p.e. o domínio das linguagens mágicas. Nem sempre o magista que é capaz de decodificar «receber e compreender as mensagens» é capaz também de codificar «emitir». Para sanar esta dificuldade, a O.T.O. dispõe de meios técnicos que capacitam o magista a receber, compreender e emitir mensagens espirituais bem como adestrar o poder de sua Vontade.

O meio técnico estudado nesta instrução é àquele do IX° O.T.O., mas para fazê-lo, necessitamos de uma definição lógica do que se trata efetivamente este meio técnico.

De acordo com Crowley, «Magia é a Ciência e a Arte de causar Mudança em conformidade com a Vontade». Isso requer uma fusão total da mente e o corpo. A mente é a fonte da imagem e é a função do corpo reproduzir essa imagem em seu próprio plano. Em outras palavras, a Vontade deve ser incorporada e ser transformada em carne. Magia é o meio técnico para se encarnar a Criança-Vontade «Thelema». O homem é a mente; a mulher é o corpo. Sua polarização no congresso sexual gera um êxtase criativo que serve como uma matriz da qual a Criança emerge. A união apaixonada dos opostos é a fórmula do Aeon de Horus, o Aeon da Criança «Coroada e Conquistadora», porque encarna a Palavra de seu genitor; neste sentido é Ra-Hoor-Khuit – o universo recreado de acordo com a Vontade; o resultado da Magia.

O Homem é a Palavra; a Mulher é o Ato; a Criança é a Palavra feita carne pelo Ato. Esta é a magia do IXº O.T.O. Somente quando a mente e o corpo se encontram em concordância, i.e. quando a mente concentra a imagem ou «criança» que o corpo está para parir, é que o ato de criação mágica é possível. Essa criança é raramente uma criança humana, mas é física no sentido que influencia o plano material.

A mente é o undécimo sentido ou princípio sutil e reside no ājñā-cakra. O corpo é a soma total dos cinco órgãos do sentido e seus correspondentes objetos; ele está concentrado no mulādhārā-cakra, o cakra fundamental. A mente é a máquina mágica que cria a imagem; o corpo é necessário para dar-lhe expressão e para projetar-lhe na esfera material.

O Aeon da Criança Coroada e Conquistadora é uma maneira simbólica de dizer que na presente era o homem aprenderá como materializar o pensamento e torná-lo verdadeiramente criativo. Tais métodos de nascimento substituirão a produção de crianças humanas. Por meio desta magia sexual de Thelema será possível produzir uma raça de seres que serão de todas as maneiras superiores àquela gerada pela utilização casual – mais corretamente, abuso – das energias sexuais.

Em termos mágicos, a criança é a prole da Vontade «Phallus» e da Imaginação ou a faculdade de criar imagens «Kteis». Em outras palavras a criança é o Logos de Thelema e Ágape. «Coroada e Conquistadora» descreve a criança-amor como sujeito da Vontade; daí «amor sob vontade» ser a fórmula da magia; é também a fórmula do IXº O.T.O. O Bebê no Ovo mencionado no AL é a mágica criança-pensamento em sua cápsula áurica ou ākāśica, pronta para ser lançada para dentro do espaço «i.e. o ventre de Nuit».

Tendo definido o meio técnico que se relaciona diretamente a magia do IX° O.T.O., nós entramos no real objetivo da presente instrução que é o estudo do 24º Túnel de Seth cuja Sentinela é Niantiel. A prática com este túnel ou kala definiu estruturas de trabalho distintas. Este 24 kala altamente complexo comporta vários meios técnicos de magia sexual. Todos eles sendo partes do IX°(-) O.T.O., que compreende o Rito Infernal de Congresso não-natural. Os elementos envolvidos são todos relacionados com o caminho invertido do Sol em Amenta, i.e. o Falo no Ânus e suas formulas são I. a do Escorpião «purificação via putrefação»; II. a feitiçaria necromântica e necrofílica associada com o Mystère du Zombeeisme e o Culto da Morte; e III. a retenção da semente-solar na prática de Karezza.

A seguinte tabela ilustra o processo:



Cada meio técnico aqui exibido possui uma função diferente e cabe ao Adepto da O.T.O. saber operar cada um destes meios.

No Culto Zos Kia de Austin O. Spare, o Adepto neste túnel assume a «Postura da Morte» e se torna um com a consciência cósmica através da retroversão dos sentidos ou viparira. Esta fórmula conecta-se com o Mystère du Zombeeisme no Culto da Serpente Negra, e o poder mágico atribuído a este mistério é a Necromancia, que comporta a utilização do IX°(-).

O 24° túnel envolve o Mistério do Culto da Morte no inferno de Hécate onde tudo é escuridão, e a serpente Dangbe – a Serpente Negra – deixa em seu despertar uma trilha de muco viscoso que indica a presença dos Necheshtheron, as Serpentes Desavergonhadas que assombram o túnel de Niantiel.

No Mystère du Zombeeisme o magista trabalha diretamente com os mortos, especialmente através de suas formas astrais e casulos em certos ritos do Culto da Morte.

Uma vez que os Mistérios da Morte concernem ao 24° kāla pela utilização do IX°(-) é necessário compreender o tipo de magia praticada por este meio. No momento do orgasmo sexual o Adepto é capaz de lançar um construto de pensamento criativo que penetra o invólucro astral de sua psique que se reifica na matéria em um tempo apontado pelo magista. Um mecanismo similar opera no momento da morte. Quando a alma abandona seu veículo terrestre, o Adepto do Culto da Morte pode dirigi-la a qualquer local dado. Magistas Negros podem por este meio capturar a alma de um individuo e torná-la subserviente a sua vontade. Este é o método de criar zumbis. Uma Sacerdotisa consagrada deve ser morta de uma maneira especial e o Adepto deve copular com sua sombra a fim de produzir um zumbi no plano astral. Um zumbi produzido desta maneira não é um mecanismo sem alma – como no caso do zumbi produzido pelo Vodu Haitiano – mas uma entidade altamente inteligente embora automática combinando a vivacidade e plasticidade da consciência astral com as qualidades mágicas do próprio Adepto. É literalmente uma criança dos mortos, contudo dotada de poderes mágicos e com todas as faculdades humanas, exceto a Vontade. O zumbi é verdadeiramente um espírito familiar. A forma-divina assumida pelo Adepto no momento da morte «ou orgasmo» determina a forma, humana ou animal, do espírito familiar. O Zumbi Draconiano é o resultado da retenção da forma humana do Adepto no clímax do ritual.

O IX°(-) O.T.O. é definido como o Culto da Morte ou Mystère du Zombeeisme onde o Adepto, copulando com uma Sacerdotisa consagrada a este Culto é morta para gerar zumbis nos planos espirituais. Contudo, como uma entidade autômata e desprovida de Vontade, ela necessita ser programada no ato de sua criação e gestação. Esta programação somente é feita neste exato momento, é de importância vital que o nome mágico «programa» seja corretamente vibrado na luz astral; uma imagem mal formada resultará em aborto.

Aqui o Adepto ainda pode se valer efetivamente com efeitos reais da corrente lunar, i.e. menstruação, para a reificação e alocação física do zumbi. Contudo, essa fórmula aplicada não exerce conotação referente a Operações do XI° O.T.O.

A Necromancia Draconiana por este meio consiste do contato físico com os mortos, entretanto existe o perigo de muitos Adeptos do Culto da Morte se tornaram viciados em necrofilia. A prática envolve congresso sexual com uma mulher ritualmente morta dedicada a deidade com quem o contato é almejado. O congresso sexual ocorre logo após a morte. A sombra da Sacerdotisa é extraída por um método conhecido como o «vórtice do vampiro» e é impelida em uma dimensão intermediária entre a consciência terrestre e post mortem. Neste estágio o espírito está ainda parcialmente ligado a terra. O estimulo sexual é novamente aplicado a fim de provocar e elevar um grau máximo de sensibilidade do espírito astral da Sacerdotisa que é a partir daí energizada e desperta do torpor post mortem sendo capaz de receber e transmitir as impressões mais sutis refletidas nos éteres astrais.

A Necromancia Sexual da O.T.O. se vale da necrofilia mágica para atingir resultados surpreendentes. Através do IX°(-)3 o Adepto, copulando com a Sacerdotisa consagrada em estado de post mortem abre portais trans-dimensionais para que ela, ao ser desperta do torpor da morte, se transforme oracular transmitindo as impressões refletidas nos éteres. Quando a Sacerdotisa consagrada assimilou com perfeição a doutrina do Culto da Morte, ela pode ser invadida por alguma entidade morta ainda em estado de post mortem. O frenesi desta cópula é mais poderoso. Neste caso, o Adepto estará impelido em alimentar a entidade energeticamente para que ela lhe sirva de oráculo.

Em Liber 231 temos: «Também Asar estava escondido em Amenta; e os Senhores do Tempo o ceifaram com a foice da morte.» A técnica do IX°(-)2 oferece uma interpretação para este verso.

Os Senhores do Tempo são representados no túnel de Niantiel pelas águas infernais de Escorpião, o que implica a fórmula alquímica de purificação via putrefação. As «águas infernais» são o «núcleo da impureza». Elas sugerem o simbolismo do arco-íris como o sinal do dilúvio do abismo do espaço. Niantiel é uma imagem da morte porque a água da purificação é o sangue que nega a vida na manifestação, enquanto ao mesmo tempo a afirma no Abismo onde o sangue é chupado como a «oferta de uma bebida» no rito infernal do IX°(-). A coroa de cinco raios é o círculo ou ciclo dos cinco kālas típicos da fase feminina da negação: o período lunar que eclipsa a «vida» na forma do «MPLI», que significa literalmente lascas de carne.

As operações cuja técnica do IX°(-)2 O.T.O. é exercida comportam profundas mudanças psicológicas no Adepto. No Livro de Thoth, o Atu XIII é atribuído a este túnel e seu título é o Senhor do Portal da Morte. O simbolismo da morte é significante. Aqui nos encontramos novamente um trabalho da necrofilia mágica que está diretamente conectado com este simbolismo no tangente a meditação sobre a Dissolução que leva o Adepto ao portal do Último Mistério do Não-Ser.

Por meio destas técnicas o Adepto então possui em suas mãos uma incomensurável gama de elementos mágicos a sua disposição. A medicina oferece os meios para o Assassinato Ritualístico da Sacerdotisa consagrada ao Culto da Morte nos ritos infernais do IX°(-); ela é a Senhora da Tumba e seu totem é a rã. Em tempos imemoriáveis em que os Cultos Draconianos eram realizados em toda sua plenitude, a rã era um símbolo mágico conectado não somente com os Voltigeurs ou Saltadores dos Caminhos, mas também com os ritos mortuários que levavam o corpo da Sacerdotisa morta a simular convulsões saltitantes e batracóides.

Adendo
Operação Niantiel
Mystère du Zombeeisme


Diário Mágico de Fernando Liguori
Extratos: setembro/outubro de 2005
Arquivos da Loja Shaitan-Aiwaz
Data: 08 de outubro [de 2005]
Horário: 22:00
Local: Cemitério Municipal de Santos Dumont
Prática: Mystère du Zombeeisme – IXº(-) O.T.O.
Tempo: noite fresca
Fase da Lua: negra
Posição da Lua em: Sagitário
Estado de espírito: tranquilo
Descrição da prática: Pegamos o ônibus das 16:40hs para Santos Dumont. Chegamos um pouco antes do «culto no lar» que minha avó faz todos os sábados às 18:00hs em sua casa. O ritual é basicamente um trabalho de mesa branca aliado aos ensinamentos do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento. Éramos quatro ao todo: eu, Soror 81 ‘.’ , minha mãe e avó. Minha avó abriu a cerimônia com uma oração prévia. Eu segui fazendo a Consagração do Aposento, uma poderosa consagração do Círculo da Comunhão e iniciamos os chamados dos «mortos e desesperados do astral», como minha avó enfaticamente estava dizendo.

Minha mãe e avó são médiuns que entram facilmente em estado de transe. Mas a mediunidade delas não se compara a capacidade que 81 ‘.’ tem de adentrar ao abismo profundo do inconsciente e lá habitar como um anfíbio. Eu a considero uma avātar de Cthulhu e ela é tão apaixonada por «seu aspecto» Hécate ou o aspecto Hécate da existência que às vezes não consigo distinguir entre a personalidade e a deusa.

De qualquer maneira, foi especial. Enquanto eu declarava alguns nomes de desencarnados, as três iniciaram uma espécie de transe mediúnico. Minha avó simplesmente abaixou os braços, manteve a cabeça no prolongamento da coluna e começou a fazer círculos com o corpo, da cintura para cima. Minha mãe levantou o braço direito e freneticamente sua mão se mexia, como se estivesse sintonizada em determinada vibração no astral. 81 ‘.’ , como já era de se esperar, iniciou suas convulsões batracóides.

Em cima da mesa havia um cristal translucido, reluzente. Minha mãe começou a retorcer a voz dizendo: «vocês vieram procurar a morte, a morte vocês vão encontrar». Minha avó ao escutar minha mãe começou a rir. Suas expressões faciais modificaram e sua aparência era de duas bruxas decrépitas. Neste instante 81 ‘.’ começou a sussurrar menatimonslamati... repetidamente. Diante desde frenesi, comecei a traçar o sinal de proteção de forma concentrada acima do cristal da mesa, de onde as três não deixavam de fixar o olhar.

Na medida em que traçava o sinal, o frenesi coletivo diminuiu e as três voltaram ao normal. Me parece que minha mãe e avó estavam conscientes do que aconteceu, mas 81 ‘.’ certamente não. O retorno foi rápido e tranquilo. Tranquilo demais.

Finalizamos a cerimônia com uma oração, feita por minha mãe. Minha avó, ao final, chorou muito.

Ao encerrarmos, peguei alguns papeis em branco na sala da casa e comecei a analisar a palavra que não saia de minha cabeça: menatimonslamati. A soma de menatimonslamati é 956, «MShThA LBYR», o unguento magnífico e de «MThRIAL», material corrupto, ambos teratomas tifonianos. A palavra pode ser também 396, o número de «IGRSh», o dia do demônio. Todos esses significados possuem íntima conexão com a gnose tifoniana.

Mas analisando bem de perto eu encontrei conexões mais palpáveis. Menatimonslamati pode ser um epíteto para a fórmula menat-meon-mezla-maati. Menati significa repulsa bestial ou congresso não natural. É uma fórmula particular de miscigenação entre o humano e o não-humano, embora não-animal. Menati também foi um outro nome dado aos tifonianos que incluíram elementos lunares nos ritos dos Aahti, Adeptos da Tradição da Sabedoria Estelar. Meon «MAON», o Trono de Bel nos Céus, soma 166. A palavra também significa vulva que é representada pela vesica piscis, o Portal – neste caso o portal de ingresso de forças extraterrestres. 166 é o número de Caligo Maxima, as mais obscuras profundidades – do Espaço Exterior. É Beth-Baal-Meon, o «Templo de Ritos Nocivos», o que sugere a fórmula do amor do vontade. Meon se inter-relaciona com Ma-Ion através de seu significado metafísico, i.e. morada das entidades atrás da Árvore da Vida. Mezla, cujo número é 78, o mesmo número de Aivaz, significa influência externa, ou canal de transmissão do exterior, quer dizer de seres além do tempo e espaço. 81 ‘.’ recebeu a fórmula mágica da operação.

Preparamos todo o material e saímos por volta das 21:00hs. Tivemos dificuldade em encontrar o mausoléu da família Liguori. Mas logo que encontramos, não houve dificuldade em entrar, o portão estava sem tranca. Haviam seis tumbas, três a direita e três a esquerda. Havia mais uma, a de meu pai, no fundo do mausoléu que parecia uma caverna sombria. Isso nos garantiu um espaço bom para fazermos um círculo mágico. No chão, utilizamos giz branco, amarelo e verde. Consagramos o círculo a Daäth. No centro do círculo pintamos com giz azul um triângulo e no seu centro o sigilo marrom de Niantiel.

Como estamos utilizando a fórmula mágica do Círculo Iniciático do Sete Caos, toda a operação foi orientada pela Gnose Lovecraftiana. Seguimos os passos convencionais de trabalho nesta fórmula. Consagramos o círculo a Yog-Sothoth e o triângulo interno de manifestação da sentinela a Shub-Niggurath. Após a realização do banimento lovecraftiano e a instauração das guardianias, consagramos o sacramento: ayahuasca.

Sentados no círculo, vestidos de céu, iniciamos a invocação silente de Yog-Sothoth «na forma de Asvk-Aivaz» e Shub-Niggurath «na forma de Hécate». Hécate fora o portal para consciência mágica de Shub-Niggurath influenciando a sacerdotisa. Asvk-Aivaz, assumindo a forma de Yog-Horus, recebia o influxo de Yog-Sothoth.

Existe um estado de consciência que se caracteriza por uma estranha pericorese em que os sentidos, exaltados e infundidos com a Vontade magicamente carregada, atraem influencias misteriosas do exterior. Após a sólida consciência exaltada, iniciamos a fórmula viparita do IXº(-). Estávamos sobre o sigilo de Niantiel desenhado no chão. Onze sigilos consagrados a nossa Vontade Mágica, a nossa criança dos mortos, circundavam o círculo mágico, com uma vela verde e outra amarela em cima deles, amarradas com a corda dos nove nós cada dupla. 81 ‘.’ Repetia o mantra recebido anteriormente, menatimonslamati todo o tempo. Enquanto murmurava animalescamente o mantra na medida em que continuávamos em viparita-rāti, sua face modificara como se estivesse possuída por uma criatura desconhecida.

Me segurei ao máximo até perder a consciência por alguns instantes. Neste momento a visão foi nítida. A criança estava engendrada e carregada segundo a Vontade dirigida.

Retornei. Foi uma fração de segundos, mas o suficiente para 81 ‘.’ regressar de seu transe também. Recolhi os sigilos e os coloquei no centro do círculo, em cima do sigilo de Niantiel. Untei cada um deles com os kālas infernais de Hécate.

Finalizamos a operação e fomos embora, deixando o círculo e os sigilos no mausoléu.

Resultado - [Nota de 20 de Janeiro de 2006]: Nós havíamos criado o zumbi e lhe chamamos de Ori. [...] Após alguns dias, eu e 81 ‘.’ passamos por profundas mudanças internas e atribuo isso como uma consequência natural da operação, haja visto sua natureza. 81 ‘.’ ainda galgou algo que ela muito esperava e estava satisfeita com os resultados. Sucesso.

[Nota de 20 de Março de 2013]: Nós, eu e 81 ‘.’ , só havíamos concordado em participar da cerimônia de mesa branca se todos utilizássemos ayahuasca. Foi a primeira vez que minha avó sacramentou a bebida. Para nós a cerimônia foi ideal, senão, simplesmente necessária. Se esta cerimônia fosse concluída com êxito, o que no final comprovou-se ter sido, meio caminho já teríamos andado em direção à conclusão da operação que fomos fazer. Nosso objetivo era criar um zumbi, não uma nova criança, pois isso nós poderíamos fazer no Templo Nu-Isis, mas a reanimação de um cascão que pudesse estar vagando sem rumo no astral, após a morte da entidade que o habitou.


Bibliografia para o texto, sem o adendo

ALMEIDA, Euclydes Lacerda de. A Deusa Negra. Editora Bhavani, 1998.
FALORIO, Linda. O Tarot das Sombras. Tradução particular de Fernando Liguori.
GRANT, Kenneth. Aleister Crowley & o Deus Oculto. Tradução particular de Fernando Liguori.
_____________. Culto das Sombras. Tradução particular de Fernando Liguori.
_____________. Hecate’s Fountain. Skoob Books, 1992.
_____________. O Lado Noturno do Éden. Tradução particular de Fernando Liguori
_____________. O Renascer da Magia. Madras Editora, 1999.
_____________. Outside Circles of Time, Skoob Books, 1980.

_____________. Outer Gateways, Skoob Books, 1994.

Um comentário:

  1. Gostei muito, li até uma metade, porque meu cérebro pode não ter compreendido tudo. Também desejo que o blog continue disponivel para a leitura do mesmo, o culto pareçe plausivel de se fazer, sendo feito da forma sabia e correta...
    accsaoleo@outlook.com

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