quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Aeon da Ascensão de Cthulhu




Tenebrous
Tradução: AShTarot Cognatus
Colaboração: Daath Orion


Também não é para se pensar... que o homem é o mais velho ou o último dos mestres da Terra, nem que a massa comum de vida e substância caminha sozinha. Os Antigos foram, os Antigos são e os Antigos serão. Não nos espaços que conhecemos, mas entre eles, caminham serenos e primitivos, sem dimensões e invisíveis para nós. Yog-Sothoth conhece o portal. Yog-Sothoth é o portal. Yog-Sothoth é a chave e o guardião do portal. Passado, presente e futuro, todos são um em Yog-Sothoth. Ele sabe por onde os Antigos entraram outrora e por onde Eles entrarão novamente...

H.P. Lovecraft, O Horror de Dunwich (como sendo do Necronomicon)


O século em que nós vivemos testemunhou o nascimento de um Novo Aeon; ou ainda, o retorno de energias e entidades, através de vastos abismos de tempo e espaço, de eras primitivas que antecedem por milênios o aparecimento da humanidade na Terra. Em seu principal conto de mitos, O Chamado de Cthulhu, Lovecraft esboçou os primeiros presságios de seu retorno, as bordas externas de cuja pericosis «intercessão» com nosso próprio continuum é detectado pela «antena» de poetas, escritores e artistas sensitivos e incrivelmente sutis – mais especificamente estes que já são alinhados com o conceito de «exterioridade» através de suas próprias explorações de assuntos alienígenas, exóticos, bizarros. E de fato, é através do trabalho de tais artistas que as primeiras alusões e descrições dessas forças e entidades encontram expressão.

Esse «Novo Aeon» atualmente é conhecido por uma variedade de nomes por diferentes cultos: a «Era de Aquário» astrológica; O «Aeon de Hórus» thelêmico, inaugurado pelo avātar Aiwaz, em 1904 e.v.; O «Aeon de Maat» de Frater Achad, a Era da Verdade e Justiça; e por aí vai. Para o corpo particular de magistas, artistas, escritores, e outros visionários do mito de Cthulhu que constituem a Ordem Esotérica de Dagon «E.O.D.», a era emergente é reconhecida como o Aeon da ascensão de Cthulhu, com referencia ao trabalho de ficção profético de H.P. Lovecraft, como delineado acima. Como a sua descrição da onda inicial de energia Aeonica (que tem efeitos drásticos no sonhos de indivíduos «sensitivos» ao redor do mundo) coincide com a ascensão da ilha de R´lyeh em 28 de fevereiro de 1925 e.v., a E.O.D. enumera este evento como Ano Um, A.C.

Entretanto, antes que o influxo completo dessas forças ancestrais no nosso continuum de espaço-tempo presente possam ser facilitadas, os portais primordiais e secretos devem ser localizados, e abertos, para permitir acesso dos que estão «fora dos círculos dos tempos». Esse portal foi descrito por Lovecraft como um dos próprios Grandes Antigos – «O nocivo Yog-Sothoth que espuma como lodo primordial em caos nuclear em seu posto avançado localizado na mais profunda inferioridade de espaço e tempo.» Como guardião do portal, ele é sinônimo com Choronzon. Este próprio «posto avançado localizado na mais profunda inferioridade» seria uma abertura ou janela para a dimensionalidade dos Grandes Antigos (Universo B), é a estrela Sothis, ou Sírius.

Por sua vez, o portal de forças do Novo Aeon «Yog-Sothoth» é identificado com a «não-Sephiroth» Daath na Árvore da Vida qabalística. Como explica Kenneth Grant:

Agora é possível ver o fluxo continuo e evoluções de Aeons ocorrendo simultaneamente e passando pelo mundo da anti-matéria. O Yog (ou Yug... um aeon ou era...) de Sothoth é o contraponto – como o Aeon de Set-Thoth, ou Daath – de seu gêmeo, o Yug-Hoor, ou Aeon de Hórus. Yog-Sothoth é o portal através dos aeons para a estrela-fonte além de Yuggoth, o Yug ou Aeon de Goth.[1]

Portanto, o conhecimento e a formula pelo qual este portal pode ser reaberto, só pode ser percebido através do vórtex negativo de Daath. No caso, do próprio Lovecraft, que na sua vida desperta negou veemente a real natureza do material que ele estava lidando, o processo de apropriação foi quase que completamente subconsciente, ocorrendo através da experiências nos sonhos. Como seria esperado, as visitas de tais revelações ultra-cósmicas e inumanas tomaram a forma dos pesadelos mais horrorosos.

Pela mesma razão, esses iniciados da E.O.D. que estão trabalhando para a abertura do portal de Yog-Sothoth devem estar preparados para realizar essa descida mais perigosa ao abismo de Daath (o assim chamado «falso conhecimento») afim de ativar essa formula efetivamente. Esse processo envolve a projeção de parte de si-próprio nesses espaços «intermediários» dos quais Lovecraft faz repetidas referencias, e que constituem a existencialidade dos próprios Grandes Antigos. É aqui que esse «falso conhecimento» (descrito por Lovecraft como um grimório, o Necronomicon) pode ser descoberto e recuperado, trazido novamente através do vórtex de Daath e finalmente dado uma manifestação externa concreta e real.




[1] Outside the Circles of Time, página. 214.

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