quinta-feira, 23 de outubro de 2014




Fernando Liguori


Existe uma secreta seita de Adeptos Tailandeses, membros de um culto cujo ritual, muito antigo, está conectado aos Mistérios que envolvem o Túnel de Niantiel no Lado Negro da Árvore da Vida. Os Mistérios que envolvem este Túnel estão conectados ao Mystère du Zombeeisme e a produção de um espírito familiar ou elementar artificial, uma entidade altamente inteligente, embora autômata, combinando a vivacidade e plasticidade da consciência astral com as qualidades mágicas do próprio Adepto. É literalmente uma criança dos mortos, dotada de poderes mágicos e com todas as faculdades humanas, exceto a Vontade. Nas operações que envolvem este Túnel, a forma-divina assumida pelo Adepto no momento da morte ou «orgasmo» determina a forma, humana ou animal, do espírito familiar.1

Eu visitei o santuário desta seita, escondido no subsolo, logo abaixo de um alto centro comercial. Neste rito, ao qual fui convidado a participar, os integrantes utilizavam uma fórmula mágica muito familiar aos Adeptos do Soberano Santuário da O.T.O. realizada de maneira muito peculiar neste culto para despertar a Serpente de Fogo. Os hebreus representavam esta fórmula pela letra Pe. O simbolismo desta letra em conjunção com a fórmula mágica aparecerá no devido curso.

Um gongo, curiosamente confeccionado, era batido continuamente produzindo crescentes ondas sobre ondas que entorpeciam o sistema aural, não pela virtude de seu volume, mas por certa qualidade insidiosa de vibrações suprassônicas que penetravam os níveis mais profundos de consciência. Isto resultava na indução do transe na sacerdotisa engajada no rito. Ela estava sentada em um trono esculpido na forma de um réptil marinho que a elevava acima dos mares sombrios do som, onde se escondiam as sombras dos teratomas Tifonianos.

A dinâmica sexual do rito seguia o padrão do VIII° O.T.O.,2 mas com a técnica adicional do controle onírico operado pelo sacerdote eleito para servir à Missa da Deusa.3 O trono fora construído para que no momento em que os fluídos vitais fossem liberados, a sacerdotisa estivesse arqueada sobre o sacerdote, facilitando a prática do cunilíncuos em sua forma oral do viparita maithuna. O batido do gongo que correspondia à vibração que invoca o Guardião do Túnel,4 fora decisivo em determinar a natureza das visões sucedidas e outras experiências mágicas. A sacerdotisa vê, claro como um copo d’água, uma inteira extensão do túnel e suas redes adjacentes. As convoluções do cérebro humano são iluminadas pela consciência mágica. Além disto, ela têm, pela virtude do êxtase gerado pela lambida das duas línguas,5 o poder de comandar qualquer espírito familiar ou elementar artificial para a reificação do desejo, i.e. a Verdadeira Vontade.

O homem que chamou minha atenção para existência deste culto fora Lokasaksi Dasa,6 um iniciado nos Mistérios Tântricos do Sul da Índia. Ele me convenceu que o gongo fora fabricado sob condições especiais afim de que o som por ele emitido tivesse efeitos poderosos na constituição astral do corpo de luz dos Adeptos que o utilizassem.

Para ser realizada com precisão, esta fórmula mágica precisa ser executada por Adeptos treinados na arte do controle onírico. Esta fórmula exige o completo controle do que chamamos de sonho-diurno. Controle efetivo requer que o iniciado-sonhador esteja desperto. Isso se aplica ao sono bem como ao estado de vigília. Para um Adepto Onírico, é perfeitamente possível estar alerta em seus sonhos assim como no estado de vigília. Este estado pode ser facilmente experienciado pela indução de sonhos lúcidos ou pela formulação da auto-hipnose pelo uso de espelhos, luzes, cristais refletores, strobes, e etc. O importante é que de qualquer maneira, a Vontade se manifestará, cedo ou tarde.

É essencial ao iniciado-sonhador forjar mecanismos que dissipem a intrusão de elementos negativos e desruptores que se encontram no cotidiano da vida comum – que é senão uma outra forma de sonho, o caminhar-onírico – e se concentre nos pensamentos consoantes com o desejo vital, i.e. a Verdadeira Vontade. Cada pensamento negativo que se precipita no espelho da mente é um sinal de perda e um aborto da materialização do desejo. Pensamentos negativos devem ser liquidados, eles são vampiros que se alimentam de substâncias mentais. A Vontade deve ser cravada no espelho da mente na determinação de permitir apenas pensamentos positivos, criativos e luminosos pela projeção de sua própria Vontade de Luz.

Pensamentos se reificam na matéria a partir do momento em que aparecem intensamente e continuamente no sonho-diurno. Dessa maneira, eles começam a aparecer no sono com sonhos. A partir daí é uma questão de tempo, dependendo da urgência da Vontade, para que se reifiquem no estado de vigília. A maneira mais efetiva para se direcionar os pensamentos projetando-os nos sonhos é imbuí-los com a energia do desejo, assim a Vontade e o Desejo se tornam um, e o sucesso é rapidamente conquistado. Para tal, este método envolve todo o ser e a exsudação da vitalidade globular do sêmen que encarna a perfeita imagem da Vontade ou personalidade mágica – o elementar artificial – como a imagem anã refletida em um cristal, clara em cada detalhe. Este magista em miniatura, este boneco mágico, é a personalidade ou a máscara assumida pela sexualidade, a base da existência humana.7

Esta fórmula envolve a embebeção da vitalidade globular seminal. Dominando a projeção da Vontade para fora, o magista pode criar elementares artificiais na intenção de reificar, no estado de vigília, a materialização de seu desejo. Um espírito familiar criado a partir desta técnica é bem mais estável e penetrante em sua ação, pois é criado a partir de um desejo carregado com a força da Verdadeira Vontade. Com o conhecimento dos métodos de criação destas entidades, o magista passa a ter uma chave poderosa em suas mãos, com a qual ele poderá alcançar tudo o que quiser nos planos espiritual e material. Nas mãos do magista hábil, os elementares são instrumentos obedientes que seguem fielmente a sua vontade e satisfazem quaisquer de seus desejos. Todas as suas necessidades mais positivas, mais criativas, mais luminosas e belas podem ser sanadas pela utilização do boneco mágico que em si é a Verdadeira Vontade na forma do anão-espiritual, magnetizado em gigantescas proporções pelas bolhas de vitalidade globular e repetido em miríades de glóbulos seminais vitalizados.8 Para tal, o magista formula conscientemente o boneco mágico e o projeta no espaço em sua cápsula de vitalidade. O lançamento deve ser energizado com precisão em sua contraparte material, pois ele é designado a deixar a terra – i.e. o estado de vigília – e penetrar conscientemente nos aethyrs do espaço interior, lócus povoados não por raças alienígenas, mas pelos desejos mais íntimos dos homens na forma de manifestações alienígenas. Eles se comunicam por línguas estranhas e o homem tem de empregar a utilização de sigilos para comandá-los a realizarem seus desejos. Por este e similares meios o homem aprenderá a controlar seus sonhos afim de reificá-los no estado de vigília.9



Os bonecos mágicos ou anões-sonhadores são idênticos aos pequenos homenzinhos dos contos de fadas do folclore popular que eram projeções dos Magos medievais buscando realizar a Grande Obra, i.e. a interpretação e exploração dos aethyrs. Atualmente, estes pequenos homenzinhos verdes do folclore popular apareceram em conexão com o fenômeno da assim chamada Ufologia. Através do estudo de autores como Keel, Vallée, Tansley, Sitchin e outros, ótimos exemplos sobre esta «nova» mitologia, complexa e fantástica como qualquer outra dos tempos antigos, podem ser encontrados. O fato das pessoas não conseguirem ver estas criaturas sugere que elas existem profundamente nos níveis subjetivos de consciência. Mas isto não significa que elas não sejam «reais» como as entidades que ocupam o espaço mundano na legião dos vivos, o estado de vigília familiar a todo ser humano. Para vê-los, um tipo especial de percepção é requerido para que sejam registrados e mapeados. O não-iniciado pode não vê-los, mas alguns poucos podem senti-los. Como não detêm o conhecimento de causa necessário, eles descrevem suas experiências com estas criaturas influenciados pelo linguajar dos contos do folclore popular. Alguns descrevem experiências sobre tráfico com entidades diabólicas, incluindo o diabo em pessoa. Inúmeras pessoas nos mais remotos centros religiosos testemunham a possessão física por demônios, relatam encontros eróticos com o diabo, e o intercurso sexual com íncubos e súcubos. O fato real por detrás destes relatos não é difícil de se ver. O transe sexual é a base de certo tipo de pericorese10 que ocorre quando outros mundos, outras dimensões, interpenetram-se umas com as outras, causando uma disrupção na consciência que experiencia este fenômeno.

Esta forma de magia envolve a utilização da boca e da língua,11 os dois olhos do estado de vigília e seu complementar olho onírico, i.e. o terceiro olho na anatomia oculta do homem conhecido no sistema hindu de cakras como o ājñā-cakra. A boca é dual assim como o útero da Mãe e o pronunciamento da Palavra «logos» do Pai. Sua fusão engendra a criança mágica «a Filha, que representa a reificação do Nada» na forma particular desejada pelo magista.12 Nós voltaremos a esta tese no devido curso.

Os mecanismos deste rito de transubstanciação são relativamente simples. A Mulher Escarlate escolhida para o papel da sacerdotisa deve ser uma adepta do controle onírico em ambos os olhos – aquele que recebe a Palavra e aquele que dá nascimento a Palavra pela transmissão ou transporte dela do mundo onírico para o círculo mundano do tempo, i.e., o estado de vigília. No momento do congresso sexual, o sacerdote-magista deve concentrar intensamente sua Vontade dirigida na região do ājñā da sacerdotisa (o secreto terceiro olho), fazendo com que ocorra uma visão paralela, i.e. para sacerdotisa, ele olha simultaneamente em ambos os olhos.13 A sacerdotisa é induzida a um transe hipnótico pelo prolongamento da fixação da visão até que ocorra uma sensação de sonolência. O sigilo produzido que incorpora o resultado do rito é então visualizado e impresso sobre o ājñā-cakra da sacerdotisa. Assim que a hipnose profunda é alcançada, o sigilo deve ser projetado para baixo enquanto o sacerdote visualiza-o descendo até a região de Daäth, o centro da região laríngea que é o Lócus da Palavra. Neste estágio do rito a sacerdotisa se torna oracular, e qualquer palavra proferida por ela enquanto estiver em seu sono mágico deve ser anotada pelo magista ou seu escriba.14 O sacerdote segue com o beijo na sacerdotisa: ele suga para baixo o sigilo desde Daäth pelo vórtice do vazio representado pela vulva da sacerdotisa. A visualização desta descida deve ser acompanhada pela excitação do Secreto Olho de Seth pelos mecanismos do VIII° O.T.O.15 Como os dois olhos da sacerdotisa se fecham no sono mágico, os secretos Olhos de Seth e Horus despertam, e a sacerdotisa «vê» – refletido nas profundezas do vórtice do ājñā – o sinal vívido e luminoso descendo para dentro Abismo. Ele passa pelos Pilonos do Inferno em sua jornada para sua final reificação na matéria. O sonho se torna verdadeiro e o sonhador desperta assim como o falo do sacerdote ascende e flui no vácuo criado pelo sigilo que desce.
Existem inúmeras variações deste rito praticadas na O.T.O., mas em todo o caso, o sucesso depende do poder do controle onírico. O tipo de sacerdotisa mais suscetível a este rito é aquela de natureza aquática ou terrestre; nunca uma sacerdotisa do tipo ígnea ou aérea, pois estas são hostis à reificação.

Quando a prática deste rito for requerida, conforme aqui descrito, ele deve ser realizado quando a lua estiver cheia. Neste caso, a «lua» da sacerdotisa também deve estar «cheia», i.e. sua vazão menstrual deve coincidir com a lua cheia astronômica. Em outras palavras, a lua deve estar cheia tanto no macro quanto no microcosmo. Quando a Mulher Escarlate escolhida para o ofício de Babalon adquire este controle sobre seu fluxo menstrual, grande força e poder é adicionado ao rito.

Nos Mistérios antigos, a boca era de grande importância nos ritos de reificação. Assim como a letra Pe «85»,16 ela inclui a língua «ou clitóris» e os dentes, símbolos do Espírito «como o tridente de Seth». 85 é o número da palavra grega endeka, que significa «onze». Este é o número de Nuit e dos Qliphoth com seus túneis ou bocas através dos quais a matéria é sugada para dentro do espaço interno. Mas acima de tudo, a boca é o supremo símbolo de Maät, pois pela mesma boca «ipsos» que pronuncia a Palavra, a Palavra é completamente absorvida. A Torre Maldita é o nome do Trunfo no Tarot que se atribui a letra Pe «boca». A identidade entre as duas bocas, útero e meato, é implícita. A boca e o mito são um quando eles se encontram no símbolo da Verdade e da Verdadeira Palavra expressada por Maät ou Mut, a Mãe-Abutre. Os mitos antigos eram transmitidos pela palavra proferida pela boca antes que a escrita fosse inventada. Posteriormente, os antigos relatos se transformaram em lenda, a versão escrita das antigas verdades proferidas.

Havia duas verdades primordiais reveladas pelos sacerdotes: Maät ou Boca Aquática, a fonte feminina, e Maät ou Boca Aérea, o inspirador espírito masculino – o agente reificador e o espírito vivente. Nos mais antigos mistérios conhecidos pelo homem, ambas às verdades eram representadas como femininas. Maät ou a Mãe de Sangue sendo a matriz primordial de todas as coisas. Ela fora identificada como Isis. Sua irmã, Neftis, era a que nutria, a úmida alimentadora da Palavra «mito» feita carne. Assim, a boca como fonte da Palavra era sinônima do mito ou Verdade, i.e. Realidade. A boca era a fonte de todas as coisas como a Mãe, pois somente ela era capaz de reificar a forma na matéria. Portanto, os primeiros mitos eram concernentes com este primordial e fisiológico aspecto da Verdade «Maät».

Um dos símbolos de Maät era a mariposa, aquela que em seu voo noturno a procura de luz é consumida pelo objeto de sua busca. A mariposa como a devoradora noturna é idêntica à força vampírica simbolizada pelo abutre (Mut ou Maut). O devorador noturno é o devorador dos mortos nas criptas que continham as múmias, a imagem da luz nas trevas e do espírito reascendido. A mariposa e o abutre se conectam no Culto de Maät como símbolos cognatos. Contudo, a importância mágica da noturna boca voadora sugando a flama jaz na conexão com a fórmula mágica associada com o culto dos mortos nos reinos do Amenta. Este culto de necromantes deu nascimento ao mítico Necronomicon. Este é o livro dos devoradores de nomes «ou palavras» das múmias no Amenta. Esta força necrofágica também aparece nos Tantras sob certos cultos dedicados a Kālī. O Necronomicon não existe como um livro no sentido mundano da palavra, mas existe no estado onírico e está à disposição daqueles que são capazes de penetrar o Véu do Abismo e deslacrar os selos qliphóticos que o guardam. Crowley incorporou um fragmento deste livro em seu Liber CCXXXI,17 e Blavatsky, antes dele, incorporou muito de seus conceitos no seu misterioso Livro dos Dzyan que forma a base de sua Doutrina Secreta. O Necronomicon é um livro mítico, mas também é um Grimório escrito em sigilos oníricos, muitos deles sendo canalizados por inúmeros adeptos da atualidade, pois este sigilos comportam os Mistérios de Maät, portanto, da Mãe. Os antigos expressaram estes Mistérios pela palavra da boca eras atrás na forma dos mitos do Culto a Mãe.

O Culto de Maät é também o Culto do Louco do Tarot cujo número é nada. «Ele» é a Virgem Inocente, adormecida, símbolo da sacerdotisa em seu sono mágico, impregnada pelas visões e pelos ecos que reverberam em outras dimensões. Estas visões e sons são a forma «yantras» e as palavras «mantras» da Deusa Maät. Atualmente, eles se manifestam também através do Culto Chinês da Mariposa, a borboleta18 noturna que é consumida pela luz19 da noite. Este simbolismo é completamente obscuro àqueles que não estão familiarizados com a natureza deste Culto. Mas aqui é anunciada sua doutrina central. A boca, a mãe, a matéria, a matriz do Espírito, Luz ou Lux é equivalente a Maut, cujo totem – o abutre – vive sobre os mortos e com o Louco cuja cifra é 0, Nada, Nuit, Nox, a Deusa do Espaço Infinito. Existe aqui uma oculta ligação entre os conceitos de Mariposa-Mãe-Mito-Boca-Maät-Maut-Louco-Nada-Noite-Nox, e a deusa do Espaço cuja cifra é 0. Na Qabalah Thelêmica, que é baseada sobre uma equação chinesa, (+1) + (-1) = 0, Nada, equaciona Dois.20

Dois é o número de Beth «b» – ou ambos os gêmeos Seth-Horus – que se resolve em nada via o processo de projeção e recolhimento exemplificado pela fórmula do Macaco Divino energizada pela magia do IX° O.T.O.

O procedimento se parece com o modo de congresso sexual conhecido em linguagem vulgar como soixante-neuf. O 6 e o 9 indicam o sol e a lua, e no soixante-neuf eles aparecem como energias masculina e feminina em perfeito equilíbrio de polaridade eletromagnética. A boca é o instrumento desta magia: a lua (fêmea) absorve a semente do sol «macho» assim como o sol é absorvido pelo mel da fêmea. No Rito de Ipsos21 este eflúvio é carregado com as vibrações da corrente lunar vermelha (couleuvre rouge). A sacerdotisa é energizada e excitada não apenas pela língua e pelo falo do sacerdote, mas também pela sutil presença do sigilo que é projetado no ain por meio de «seu» ājñā-cakra. Este sigilo é o útero da palavra «Daäth» refletida no espaço via sua projeção do centro laríngeo «viśuddha-cakra» – que possui 16 pétalas e que concentra a essência dos 16 kālas.22

A boca que pronuncia a palavra é, portanto, idêntica à boca que recebe a semente e a transforma em carne. A boca e o útero são glifos mágicos da Mulher Escarlate, e é significante que o número de Ipsos, 696, somado ou fundido com a Corrente 93, totaliza 789,23 o número de Tanith, o Dragão das Profundezas que é a forma primordial de Babalon.24

As considerações acima demonstram que a verdadeira natureza de Maät jaz no âmago da Corrente Tifoniana como manifestada por Babalon, a prostituta cuja natureza é dar si mesma a todos os comedores. Enquanto ela é quem oferece a vida, também é quem comercializa a morte. Neste sentido, Daäth e Morte são um.25 O Rito da Mulher Escarlate é implicado pelo Rito de Maät, que envolve a boca e o olho.26 Este é o reflexo em Daäth «o lócus da Palavra Mágica» do Mistério de Seth, cuja boca e olho são um assim como o Portal da Morte, ou do passado, i.e. aquele que é excretado ou jogado fora como a serpente o faz com sua pele a noite.27

A Serpente ou Corrente Ofidiana é expressada como 93 – ágape, amor sexual ou amor sob vontade. Este é o número de Aiwaz, a Inteligência misteriosa que transmitiu as Chaves Mágicas do Aeon de Horus a Aleister Crowley. A Corrente 93 é emanada ou proferida pela A.’.A.’.,28 que é idêntica a Estrela de Seth, Sirius ou Sothis.29 Seth também é emanado pela mesma boca «Ipsos» do Aeon de Maät, cuja Palavra Mágica é 696. Sua identificação produz 789, como já foi demonstrado, o número da Mulher Escarlate que incorpora a Corrente 93 de acordo com a gnosis secreta da O.T.O. A A\A\ ou a Estrela de Prata de Seth é focada sobre a terra através de Aiwaz, quem transmitiu a Corrente 93 desta Estrela para terra através do médium Aleister Crowley e outros Adeptos desta Gnosis.30

O número da Corrente 789 compreende o VII°, o VIII° e o IX° O.T.O., e as respectivas afinidades destes degraus com a natureza Venusial, Mercurial e Lunar das vibrações indicadas por estes números. A soma do 7, 8 e 9 sendo 24, indica o Caminho do Dragão Aquático ou a Serpente Marinha, TNTh.31 Isto é simbolizado por aquele que se movimenta furtivamente nas águas, a língua na boca, o clitóris na vulva e, finalmente, o falo na vagina – o símbolo místico da Palavra vibrada no Vazio. O Caminho 24 na Árvore da Vida e o Túnel que se encontra sob ele são atribuídos ao Escorpião, o glifo astrológico da Mulher Escarlate. A fórmula mágica deste Túnel de Niantiel é a da mudança através da corrupção ou putrefação.32 Ela comporta determinadas técnicas mágicas necromanticas envolvendo o corpo astral e os kālas da sacerdotisa em transe. A profundidade de seu transe é efetivada por um processo conhecido nas Escolas Arcanas da Ásia como lambika-yoga, e a prática desta fórmula se culmina com um «elevado cunilíncuos», i.e. a ordenha do terceiro olho ou a sutil vagina da sacerdotisa. O símbolo místico deste processo é o morcego vampiro que se dependura de cabeça para baixo no sono de sua satisfação induzida por sua refeição. Este é o símbolo do caminho retrógrado que tipifica a inversão dos sentidos que conduz aos mais elevados estados de transe.

O papel da boca neste processo é de suma importância, pois ela é a fonte da Palavra; mas é a língua na boca, o badalo no sino, o falo na vagina que vibra a Palavra capacitando sua reificação na matéria ou carne.33 Daí a mágica significação do sino e do trovão nas versões tibetanas destes ritos de Kālī ou da Mulher Escarlate. Note que 7 + 8 + 9 = 24 = o Caminho de Escorpião ou da Mulher Escarlate. O número 789 é, portanto, da mais alta significância na Qabalah de Thelema. Ele conecta o Aeon de Horus com o Aeon de Maät tornando possível à fusão de Horus e Seth34 em uma única imagem.

O zootipo de Sekhmet ou Śakti-Maät fora glifado no antigo Egito pela leoa. Ela era a deusa do fogo que tipificava o calor sexual, o licor causticante «sakh» e o prazer sexual presidido acima pela lua. Ela também fora simbolizada pela abelha cuja associação com o adocicado35 identifica Sekhet, Sekhmet, ou Sekh-Maät36 como a deusa do néctar lunar.

O transe da inebriação induzido pela embebeção do sakh conduz a visão da verdade37 através da utilização da śakti «poder»; neste caso, o poder da magia sexual.

Os aeons de Seth-Horus e de Maät são simbolizados pela leoa Sekhmet que tipificava no Egito o calor da paixão sexual e o fogo da bebida forte. O produto da fermentação era certo tipo de kāla ou mel que se manifestava como perfect-aeon ou perfect-ion38 do Tempo (kāla), no apogeu do ciclo lunar cujo tempo a sacerdotisa secreta adocicadamente. Esta é a lua cheia, o néctar lunar que fora exaltado nos Mistérios pela celebração de ritos sexuais e orgias que engendravam os fluidos da imortalidade que constituíam o Elixir Vitae. O número 789, portanto, se refere às vibrações Venusianas, Mercuriais e Lunares em um rito tri-uno envolvendo a fórmula do VII°, VIII° e IX° O.T.O. Vênus é a adocicação; Mercúrio é a magia «particularmente a magia sexual»; e a Lua é a deusa em sua última e mais completa manifestação – o Ma-Ion ou Maät-Ion que é o perfect-ion.

Frater Achad corretamente identificou os dois aeons como o Aeon dos Gêmeos «Zain». Eles ocorrem concomitantemente e não possuem Palavra. Os gêmeos, Horus e Seth, cada qual com seu aeon ou ion «kāla», forma a perfeição de Maät. Isto é referido nas pesquisas registradas nas cartas ainda não publicadas de Frater Achad. Ele estava consciente do significado vital que possui o simbolismo da boca, e Crowley, antes dele, havia observado que a palavra «secret», que aparece no O Livro da Lei 22 vezes,39 possivelmente referia-se não a vagos mistérios ocultos, mas a ideia de secreção, ou como os tântricos gostariam de expressar, os kālas que são conhecidos por serem a suprema fragrância, exsudação ou emanação da Deusa Kālikā.40 Crowley, contudo, permaneceu inconsciente que esta secreção era de fato o secreto ion ou aeon, o perfect-ion que Frater Achad diz ser o amalgama de Horus e Seth,41 os gêmeos taróticos referidos a letra Zain, o número 7, o número da Mãe cujo símbolo e manifestação eles são.

Este é o Aeon sem Palavra, o Aeon do Silêncio,42 o Ain. Este é o aeon da besta sem palavra tipificada pela Dupla Baqueta de Poder: IX + XI = XX, que no Tarot representa O Aeon. O número 9 «teth» e 11 «kaph»43 representam o Leão-Serpente44 invocado pela mão. O IX° e o XI° O.T.O. assim contêm o Mistério do Caminho Secreto.45 A perfeição é expressada pelo modo mágico deste Caminho, mas a adição do kāla da Deusa, i.e. o «K», altera um pouco o sentido no qual Crowley o expressa. A gnosis do, e a iniciação no secret-ion, é pela peculiar entrada ou portal no Vazio «ain» cujo acesso é obtido pelo olho da filha «nia» mencionada no O Livro da Lei como Coph «ou Kaph» Nia. Este é o Mistério de Coph Nia em conexão com o Olho Esquerdo e o «Caminho» da Mão Esquerda. O olho esquerdo é o Olho de Seth, o olho «diabólico» que projeta as vibrações da corrente lunar ou noturna. A mão esquerda tipifica a «nutrição» primordial ou o útero que emite a negra emanação lunar. Os Caminhos da Mão Esquerda são os Túneis de Seth que se ramificam atrás ou abaixo da Árvore da Vida.46

Coph ou Koph significa a «filha».47 Ele é um nome de Prosérpine ou Perséfone, a deusa da destruição. Ela é chamada de Koph porque representa a «Filha Universal ou princípio secundário geral; pois embora propriamente a deusa de Destruição, ela é frequentemente distinguida pelo título Solteira, Preservadora, representada com ouvidos de milho sobre sua cabeça, como a deusa da Fertilidade. Ela era, na realidade, a personificação do calor ou fogo que deve impregnar a terra, que era tido como sendo de uma única vez a causa e o efeito da fertilidade e destruição, por ser de uma só vez a causa e o efeito da fermentação; da qual ambos procedem.»48 A segunda parte da palavra ou nome – Nia – é o ain «vazio» ao inverso, que identifica o olho ou útero da filha com o Ob ou Corrente Ofidiana. A «Força de Coph Nia»49 é, portanto, a Força do Olho Diabólico da Filha ou da Bruxa, pois a filha foi tipificada pela virgem primordial em contra-distinção da mãe geradora. A filha-bruxa indica, desta forma, a incursão de forças do Outro Lado da Árvore.

Assim como o Filho «sol» é a Frente da Árvore «como Ra-Hoor-Khuit», assim a Filha «lua» representa as Costas da Árvore «como Hoor-paar-Kraat». Ela é a culminação não somente da fórmula do Tetragrammaton, mas também do Aeon do Filho, Horus. Sua manifestação também manifesta o perfect-ion de Maät. Maät, portanto, é o Equilíbrio cujo símbolo é o Duplo Horizonte estilizado nos mitos astrológicos como o Signo das Escalas: ¶; visto que como Horus é Áries e o vivificante fogo da primavera, Maät é Libra e reifica o sangue do outono que é a colheita da lua. Ela é «a filha coberta-de-azul do Ocaso» assim como é a mãe da matéria; ela cujo nome significa literalmente a boca ou o útero de tudo o que existe.

É pela via de acesso que se dá através dos Túneis de Seth que sua existência pode ser completamente compreendida, pois assim como a existência – «existência externa» – pertence à frente da Árvore, assim a verdadeira existência – que é não-existência – é representada pelas costas, abaixo, ou à esquerda da Árvore, onde o olho secreto ou oculto é designado Coph Nia no O Livro da Lei.

Vários aspectos desta doutrina têm sido desenvolvidos desde os dias de Crowley. Frater Achad, quem declarou que o Aeon de Maät fora inaugurado em 2 de Abril de 1948, produziu, talvez, a melhor documentação sobre o assunto em suas correspondências secretas e abertas.50 Posteriores fases desta Iniciação Cósmica foram registradas por John e Cameron Parsons que receberam – como afirmavam – o quarto capítulo do O Livro da Lei.51 Fases posteriores desta Iniciação foram registradas por Soror Andahadna52 e Gary Straw em Liber Pennae Praenumbra53 e seu comentário oficial, bem como no The Book of Forgotten Ones,54 também canalizado por Andahadna, com os comentários do artista ocultista Allen Holub. Mas, em todo caso, os mais reveladores comentários estão contidos nas correspondências privadas conectadas com estas transmissões. Considero especialmente relevante os comentários de Andahadna sobre a Missa de Maät.55 Nestes comentários, o ponto principal gira em torno do simbolismo da letra Pe, que significa «boca», e o Atu do Tarot intitulado A Torre. A boca é aquela que profere e absorve a Palavra e também é o meio por onde se ergue a Torre formada pela fala monstruosa e estranha proferida por Pã,56 a Besta que é Shugal-Choronzon.57 A Torre, arruinada e derrubada pelo raio da Corrente Ofidiana, vomita seus nanicos ocupantes. Eles são entidades extraterrestres aprisionados na torre até o momento de seu lançamento – ou iniciação emergente – causado pela misteriosa explosão – nuclear? – que magicamente os evoca. Estas criaturas, que são de uma natureza qliphótica, estão permeando a atmosfera astral da terra, preparando o caminho para os habitantes de Daäth que fervilham além do Véu do Abismo. Eles aparecem para clarividentes e Ocultistas imersos em sonhos mágicos como as fantásticas formas vislumbradas pelos formuladores de fábulas; formas refletidas nos mais antigos mitos da criação.

Devido a um atraso temporal cósmico de grande ênfase notado por Crowley e Achad, estas entidades se encontram no presente emergido de seu sono astral, a existência onírica, para dentro do estado de vigília da consciência humana. Como tratá-las, como contatá-las efetivamente traçando mecanismos seguros de comunicação, é um dos problemas mais urgentes que a humanidade está agora encarando. A solução pode ser encontrada, talvez, na identidade da Torre como o Pilono de Babalon, a mágica serpente da luz astral conhecida aos antigos como Tanith. Como previamente demonstrado, seu número – 789 – compreende os números da Corrente Ofidiana do «amor sob vontade»58 e de Ipsos, 696, a fórmula qabalística do Aeon de Maät. Assim, Maät e Daäth são gêmeos idênticos na Qabalah do Novo Aeon, onde a morte é realizada como o portal «babel» do Filho-Filha «Horus-Seth».

O Pilono de Maät é o último posto fronteiriço no deserto de Daäth além das formas fantásticas que se fundem a diabólica imagem dos Forgotten Ones que vivem além do limiar do sono. Suas formas estão em constante mutação nas sombras. Estas sombras podem ser energizadas e dimensionalizadas sob condições misteriosas em formas que iluminam com suas trevas o glorioso vazio além do sono «suśupti». É virtualmente impossível conceber a natureza destas formas – além dos círculos do tempo & espaço – aludindo-as como tremendas aglomerações de matéria «Maät» viventes além dos Pilonos de Daäth. Sax Rohmer em seu livro O Poder das Sombras sugere a expressão «grande Massa de Formas» demonstrando sua compreensão destes conceitos evocados, embora elas não sejam meras formas astrais como supôs Barret em seu livro Magus, a Milícia Celeste, mas gigantescas concentrações extraterrestres de consciência que flutuam como as nuvens vindas do exterior e inconcebível, das dimensões mais tênues que constituem o estrato iniciado da consciência humana.

O Pilono é a Boca «Pe» que pronuncia a Palavra que é Maät, a boca e a origem do mito do logos que jorra da torre «maldita» inseminando a terra com sua vitalidade. Como um Adepto de Maät expressa: «nós fomos plantados» aqui sobre a terra por inteligências alienígenas.

O Simbolismo de Zain, a Boca & a Torre na Tradição Tifoniana

A fim de se compreender melhor o simbolismo da fórmula mágica descrita neste texto, algumas considerações técnicas importantes sobre a Torre e a Boca são necessárias, bem como sobre o simbolismo da letra Zain e sua importância na Gnosis Tifoniana. Aqui eles são interpretados em sua fase feminina, i.e. 85 – Pe «p» – soletrada em letras cheias. 85 equivale à palavra GBIO, que significa «fluir», o que inclui ideias como Cálice e Boca. Este também é o número de SKH, «arca» ou «tabernáculo». Pela Qabalah Grega, esta palavra equivale a 11, o número da magia, dos Qliphoth e de Nuit, a Deusa do Espaço Infinito. Assim, o número 85 compreende todas as vibrações extraterrestres.

O simbolismo da «Boca» e da «Torre» são de importante significância, pois se relacionam com o Aeon de Maät; Ipsos é a fórmula da «Torre», o Falo em erupção e a ejaculação, via meato, a «boca» de baixo, da Palavra do Aeon de Maät, a Palavra que se estende do «fim da terra».59 A Terra está sob o domínio do Príncipe do Ar, i.e. Shaitan, mas os espaços além estão sob o domínio do Senhor do Aethyr, o Abutre. Assim, nos Túneis de Seth, essa é a «Boca do Abutre».

Aquele da língua dupla «85 x 2» é 160, o número de INQ, que significa «sugado»; também é o número de LNSK, que significa «oferta de uma bebida»; também de IQIM, «ereto»; da palavra Egípcia Khem, «itifálico» de IPO que, em sua forma arcaica Egípcia, AF, é o nome do sol no baixo hemisfério. Enumera também MNO, «retrair», «eu irei retrair os fluídos»;60 e de OMN, «duas fontes».

Mas acima de tudo, o Aquele da Língua Dupla é um glifo de Ur-Hekau, «O Grande Poder Mágico». O 7, ou a coxa da Deusa Mãe cujo filho é o 8 «o mais elevado», i.e. o cume da reificação de seu desejo. 8, 80, 41861 são os números místicos da corrente mercurial «8» que duela na boca «80» que acorda a sacerdotisa e a torna oracular «418 = Abrahadabra. Cf. Deborah, «a oracular». Ela é oracular no duplo sentido em que profetisa a natureza da operação e produz o filho que é sua manifestação: «Nada é uma secreta chave desta lei. Sessenta e um os Judeus a chamam; Eu a chamo oito, oitenta, quatrocentos & dezoito. Mas eles têm a metade: una-se pela tua arte para que tudo desapareça.»62 Note o número destes versos 46 e 47. O anterior é o número de Mu, o Choro do Abutre que é a Chave dos Mistérios, o próximo é a yoni «vagina», enquanto dinâmica, espasmódica, apreensiva. A metade refere-se à metade da Besta, ou um membro do Senhor da Dupla Baqueta. Eles, i.e. os judeus, chamaram Nada, ain, 61, tipificado pelo olho ou yoni da Besta, Shugal-Choronzon. Ain = 61 = Todo = Kālī. Todo ou tudo é então um reflexo como 61 – dos 16 kālas. Una-se pela tua arte refere-se ao número do verso, 47, como aplicando a fórmula da convulsiva e apreensiva vagina, ou olho da sacerdotisa em transe.

Será visto que o Choro do Abutre «46» é a sagrada chave do Nada, o ain ou yoni da Deusa em forma da Besta Shugal-Choronzon. 8+80+418 = 506, que combina a deusa Nu «56» e o Vazio, Olho, ou Yoni «0». 506 é o número de ShARH, que denota uma «relação de sangue feminino», da palavra Egípcia sherau, significando «a filha». O Mistério da Filha está então selado no Choro do Abutre de Maät, como denotado por estes dois versos, e pelos números 8, 80, 418, que adicionado a 56 sendo Nu, iguala-se a 567, «o Primeiro Nascido», sobre o qual Frater Achad escreve em suas notas sobre o Aeon de Maät. Note que 567 se equilibra em 789, o 7 medial sendo a Deusa Mãe, 56 sendo Nu, enquanto 89 representa DMMH, «silêncio». Na lista de números primos, em Liber 777, Crowley se refere a 89 como «o número do pecado – restrição, aquele dos Irmãos Negros», mas que é de fato o feminino equivalente à formula do VIII° O.T.O. sob a técnica do Karezza praticada pelo sacerdote. Também, Sin, mais propriamente interpretado como um nome de uma deidade lunar, é a corrente que representa a infusão dos kālas negativos da sacerdotisa em transe ou adormecida, a filha-escuridão distinta da mãe-luz.

Outra forma de 506 é 650. No O Livro da Lei, I: 24 está escrito: «Eu sou Nuit, e minha palavra é seis e cinqüenta.» O número 650 também denota a aplicação da energia sexual da yoni «tipificada por Sekhet, 317» a Choronzon «333», a metade que tem de ser unida pela arte do VIIIº(-) O.T.O., a forma do vibrante silêncio engendrado pelo aspecto feminino de Karezza. Ainda, o número de Nuit «56» quando adicionado a 418, resulta em 474, o número de Daäth. A Torre e a Boca «ou Olho» são, assim, inter-relacionados na Qabalah de Thelema.63

O aeon «gêmeo» é, então, o almagama Filho-Filha «Horus-Seth» que alcança sua apoteose ou última manifestação no Ma ou Mu-Ion. O símbolo deste aeon é zain, 7, o número dos gêmeos. Zain é o Olho da Serpente – ain = ayin = yoni = olho – e a inicial Z = Serpente.64 Zain é a fórmula do Aeon Sem-Palavra aludido por Crowley com apreensão65 pois ele falhou na compreensão de que a Filha, Coph Nia,66 é o complemento do Filho-Sol, a corrente solar representada por Horus como Ra-Hoor-Khuit. Ele é a «Criança Coroada & Conquistadora», o Um que é Dois e, portanto, Nenhum, Nada67 ou Existência-Perfeita, a manifestação da Perfeição, o aeon da perfeição.

Assim como o abutre é para o falcão e a mariposa é para a borboleta «símbolo da alma», assim Maät, a Mãe-Lua da Verdade, é para Filha das Trevas, a «a filha coberta-de-azul do Ocaso».68 A fórmula Ma-Ion é manifestada através da boca (ma) do retrógrado ion, o ion do Olho Serpentino ou Ofidiano, cuja letra é Zain, sete, um símbolo de Babalon que – como 789 – representa o Grande Poder Mágico como 89. Sete é o número da Deusa Primordial da constelação da coxa, representada celestialmente pelas Sete Estrelas da Ursa Maior e terrestremente pela coxa ou vagina da fêmea, primeiro como uma besta, depois como humana.
Zain é o número sete, o número do amor sexual. Este número originalmente significou o útero através do simbolismo da Deusa das Sete Estrelas, Ursa Major, a constelação da Coxa que tipificava o lugar de nascimento da Luz na escuridão do Abismo.69


Árvore da Vida com as dez Sephiroth e os vinte e dois caminhos com seus atributos elementais, astrológicos e taróticos arranjados em concordância com a Tradição Oculta Iniciática.

Sete «7», mais tarde, se tornou o número de Vênus, o representante planetário da Deusa, quando o conceito foi romantizado e aplicado ao amor sexual entre humanos distinto do simbolismo primário ou estelar que significava o congresso bestial.70 Sete, assim, se transformou em sinônimo do mecanismo da polaridade sexual simbolizada por Gêmeos «o signo atribuído a Zain» sob a influência de Mercúrio, o aspecto masculino de Vênus ou, mais corretamente, o aspecto positivo da polaridade hermafrodita tipificada pelas Sephiroth Hod e Netzach.71 Zain é misticamente associado a yoni, o olho secreto ou oculto «ayin» que, junto com a letra «z» – a letra da serpente – se torna Z-ayin ou Zain. Kenneth Grant indicou72 a afinidade peculiar que existe entre Zain e a Era de Aquário que é interligada com o Aeon de Horus. Nesta presente era do Ar ou Espaço, Zain é de uma importância fundamental como sendo a espada, o «s» sendo a palavra da Serpente, que é Silêncio. Daí, na maioria dos Cultos de Mistérios Secretos, é dito que o Aeon de Zain é destituído de Palavra. Ele é a transmissão silenciosa da energia sexual na polaridade que vibra a Palavra no Silêncio, e essa Palavra é uma Espada que fende o Abismo sem ser ouvida por Ninguém. Diz-se que no Aeon de Zain «a humanidade é inscrita para uma volta ao redor da parte de trás da Árvore», o que explica o porque nenhuma palavra será ouvida, pois lá não haverá Ninguém «Nun = Abismo» para ouvir. A relação sujeito-objeto terá cessado de existir. A Serpente e a Espada são o glifo dual deste arcano e tal é o especial emblema de Seth.


A Técnica da Criação de Espíritos Familiares pela Arte do Controle Onírico

O funcionamento do controle onírico é em muitas formas similar àqueles que efetuam projeções astrais conscientes. O que se segue é a fórmula de controle onírico formulada por Kenneth Grant para O.T.O. Esta fórmula é derivada de duas fontes: a fórmula da Lucidez Erato-Comatosa descoberta por Ida Nellidoff e adaptada por Crowley em suas técnicas de magia sexual e o sistema de Sigilos Sensientes de Spare.73

Antes de se deitar para dormir, uma forma de Karezza é praticado, durante o qual um sigilo especialmente escolhido, simbolizando o objeto do desejo, é vividamente visualizado. Desta forma a libido é burlada de suas fantasias naturais e busca satisfação no mundo onírico. Quando esta habilidade for eficiente o sonho será extremamente intenso e dominado por um Súcubo ou Mulher-Sombra, com a qual o intercambio sexual ocorre espontaneamente.

Tendo o Sonhador adquirido um certo grau de perícia nesta técnica, será consciente da continuada presença do sigilo. Ele deveria visualiza-lo sobre a forma do Súcubo em uma área dentro de seu ângulo de visão durante a cópula, i.e. como um diadema circundando sua frente. Esta área deveria ser determinada pelo magista dependendo da postura que adota durante o coito.

O ato então assume todas as características de uma Operação de Nono Grau, porque a presença da Mulher-Sombra será experimentada com uma sensação de intensidade vívida e clara. O sigilo assim chega a ser sentido e em seu devido momento o objeto do Trabalho se materializará no plano físico. Este objeto é, supostamente, determinado pelo desejo encarnado e representado pelo sigilo.

A importante inovação deste sistema de controle onírico está na transferência do sigilo do estado de vigília para o estado de sonho, e a evocação, posteriormente, da Mulher-Sombra. Este processo transforma um Ritual do Oitavo Grau em algo similar ao coito sexual como é feito nas Operações de IX° O.T.O.

Brevemente, a fórmula possui três fases.

1.  Karezza, ou atividade sexual sem culminar, com a visualização do sigilo até o ponto do Sonhador dormir;
2.  Congresso Sexual em sonho com a Mulher-Sombra evocada na primeira fase. O sigilo deve aparecer automaticamente nesta segunda fase. Não sendo assim, a prática deve ser repetida novamente. Ocorrendo assim, o resultado desejado se materializará na fase;
3.  Depois do despertar no mundo fenomênico de cada dia.

Uma breve explicação é, quem sabe, necessária concernente ao termo Karezza empregado no texto. A retenção do sêmen é um conceito de importância central em certas práticas tântricas, de acordo a idéia de que o bindu «Semente» engendra astralmente, não fisicamente. Em outras palavras, uma entidade de alguma classe é engendrada nos níveis astrais de consciência. Esta e outras técnicas análogas criaram a impressão – errônea – de que o celibato é um sine qua non do êxito mágico; certamente tal celibato é de um caráter puramente local e confinado só no plano físico ou estado consciente «desperto». O celibato, como comumente entendido, é, portanto, uma paródia sem sentido ou o disfarce de uma fórmula verdadeira. Tal é o fundamento iniciático do celibato tântrico, e algumas destas interpretações indubitavelmente se aplicam a outras formas de asceticismo religioso. As «tentações» dos Santos ocorreram no plano astral precisamente porque os canais físicos haviam sido deliberadamente bloqueados.

O estado de torpor observado nos devotos do Culto de Kû74 sugere que a sombra era evocada depois de um processo similar ao obtido por uma espécie de controle onírico.

Gerald Massey, Aleister Crowley, Austin Spare, Dion Fortune, a seu próprio modo, demonstraram as bases bioquímicas dos Mistérios. Eles conseguiram na esfera do «oculto» o que Wilhelm Reich conseguiu para a psicologia o estabelecendo sobre uma base bioquímica forte.

Os «Símbolos Sensientes» e o «Alfabeto do Desejo» de Spare correlacionam os marmas do corpo com específicos princípios sexuais, antecipando-se de várias formas sobre o trabalho de Reich, que entre 1936 e 1939 descobriu o veículo psico-sexual que chamou de Orgone. A singular contribuição de Reich para psicologia e acidentalmente ao ocultismo ocidental, demonstrou sua existência [da libido] como uma energia biológica tangível. Esta energia, a substância real dos conceitos puramente hipotéticos de Freud – a libido e o id – foram medidos por Reich, elevando estes conceitos hipotéticos a demonstrações reais. Ele, sem dúvida, se equivocou supondo que o Orgone era a energia final. Ele é um dos kālas mais importantes mas não é o supremo kāla «mahā-kāla», ainda que pode chegar a ser em virtude de um processo não desconhecido para os Adeptos Tântricos do vāmā-mārga. Há pouco tempo foi conhecido – no Ocidente – por Alquimistas Árabes e no completo corpo de sua literatura alquímica, com sua tortuosa terminologia e estilo hieroglífico, a revelação de um deliberado meio por parte dos Iniciados em velar o verdadeiro processo da destilação do maha-kāla.

A descoberta de Reich é importante porque ele foi provavelmente o primeiro cientista a colocar a psicologia sobre uma sólida base biológica e o primeiro a demonstrar sob condições de laboratório a existência de uma energia mágica tangível e mensurável e ainda estreitamente científica. Tanto se essa energia é denominada «Luz Astral» por Lévi, «Elan Vital» por Bérgson, «Força Ódica» por Reichenbach, «Libido» por Freud, Reich foi realmente o primeiro – com a possível exceção de Reichenbach – em analisar e demonstrar suas propriedades.

Spare, supondo em 1913 que tal energia era o fator básico na reativação de atavismos primitivos, lhe estudou e experimentou como uma energia cósmica, o «Eu Atmosférico», sensível a sugestão subconsciente através do método dos Símbolos Sensentes e através da aplicação do corpo «Zos» de tal maneira que pudesse reativar atavismos remotos e toda possível forma futura.

Durante o período em que estava preocupado com este tema, Spare sonhou repetidamente com fantásticas construções cuja as alucinações eram impossíveis de serem descritas em estado desperto. Ele supôs que eram presságios de uma futura geometria do Espaço-Tempo sem nenhuma relação estabelecida com as formas arquitetônicas do presente. Éliphas Lévi reclamava um poder similar de reativação para a Luz Astral, mas falhou em ensinar a forma precisa de sua manipulação. Foi para este fim que Spare desenvolveu seu Alfabeto do Desejo «onde cada letra é relacionada com um princípio sexual». Ele observou certas correspondências entre os movimentos internos do impulso sexual e as formas externas de sua manifestação em símbolos, sigilos, ou letras representadas sensivelmente e carregadas com sua energia. Dali se refere a tais fetiches magicamente carregados com as «Complacências do Desejo» visualizadas como vazios umbrosos, vacuidades negras, tendo cada uma delas a forma do objeto fantasmagórico em que habita sua latência, e do qual É só em virtude do fato de que NÃO-É.

Isto indica que a origem da Manifestação é a Não-Manifestação, e está claro que a compreensão intuitiva que o Orgone de Reich, o Eu Atmosférico de Spare, e as delineações de Dali das Complacências do Desejo se referem em cada caso a uma idêntica Energia manifestando-se através dos mecanismos do desejo. Desejo, Vontade Energizada e Obsessão, são as chaves das manifestações sem limites, de toda forma e poder latente no Vazio, e sua divina forma é a Postura da Morte.

Estas teorias têm suas raízes em práticas ancestrais, algumas das quais – distorcidas – proporcionam as bases do Culto Medieval das Bruxas, Cultos que floresceram na Nova Inglaterra na época dos juízos das Bruxas de Salem ao final do Séc. XVII. As posteriores perseguições aparentemente borraram toda manifestação exterior tanto do Culto genuíno como de sua degrada imitação.

Os principais símbolos do Culto original estão sobrevivendo ao passo de grandes ciclos aeônicos temporais. Todos eles seguiram a Via Retrógrada: O Sabbath Sagrado a Sevekh ou o Beijo Anal, o número treze, a «Bruxa montada no Cabo da Vassoura», o Morcego, e outras formas de criaturas noturnas aladas; os batráquios geralmente, dos quais o Sapo e a Rã ou Hekt foram preeminentes. Estes e similares símbolos originalmente representaram a Tradição Draconiana que foi degradada pelos Cultos pseudo-bruxais durante séculos de perseguição Cristã. Os mistérios foram profanados e os sagrados ritos foram condenados como anti-Cristãos. O Culto assim se converteu em um depositário de ritos religiosos invertidos e pervertidos e seus símbolos chegaram a não ter mais seu significado anterior, meras afirmações de Bruxas entregadas a uma doutrina anti-Cristã onde – em sua origem – eles foram emblemas vivos, símbolos sensíveis de crenças pré-Cristãs.

Quando o significado oculto dos símbolos primordiais são observados desde a remota Tradição Tifoniana, o sistema de Bruxaria que Spare desenvolveu através do contato com a «Bruxa» Paterson chega a ser compreensível, e todos os Círculos Mágicos, Bruxarias e Cultos são vistos como manifestações dos Cultos da Sombra.

A Vitalização Externa de Espíritos Familiares pela Arte Mágica

Após dedicar as páginas anteriores à fórmula mágica por detrás da criação de elementares artificiais nos planos internos, e esperando que toda a instrução dada até o presente esteja firmemente compreendida, pois sem esta compreensão tão necessária nada o magista poderá fazer, passamos adiante algumas instruções paulatinas e moderadas para que o magista reifique na matéria um espírito elementar altamente preparado e desenvolvido para realizar a Vontade de seu criador cuja primeira manifestação se deu nos planos internos da existência.
O que se segue é a demonstração explícita da técnica, cujos véus foram completamente retirados. A partir do estudo paulatino das fórmulas aqui descritas, seguindo-se a técnica, o magista terá toda e completa condição de formular elementares artificiais.

Existem algumas regras estabelecidas para formulação de elementares artificiais. Quão mais atento for o magista nestas regras, e por elas caminhar, mais fácil será o seu trabalho. Por exemplo, não podemos exigir do elementar, criado para um fim bem determinado, que ele cumpra uma tarefa para a qual não foi gerado. Portanto, um magista não deve dar duas ou mais tarefas a um elementar, pois ele não executará nenhuma das duas com perfeição e confiabilidade. Além disso, deve-se considerar a analogia dos elementos. Seria errado e contra as leis, produzir um elementar que não estivesse em harmonia com a analogia dos elementos. Na imaginação do magista não há limites para a forma desses elementares. Ele pode escolher a forma que quiser e que sua intuição lhe apontar. Aconselho sempre evitar a escolha de uma forma de um conhecido. Isso porque ele poderia facilmente invadir o campo astral daquela pessoa e provocar-lhe graves danos. Além disso, haveria o perigo desse elementar, em função de uma inteligência intrínseca, voltar-se contra o próprio magista e prejudicá-lo seriamente num momento imprevisto. O elementar poderia vampirizá-lo, induzi-lo indiretamente ao sono, e outras coisas desagradáveis.

Existem inúmeras maneiras de se definir o nome do elementar que está para ser criado. Isso pode ser efetivado através das letras que foram utilizadas para formular o sigilo do elementar. O magista, ao utilizar esta técnica, poderá separar as vogais das consoantes e depois disso, conjugando-as da melhor maneira possível, chegar a um nome e a um mantra do elementar. Desta maneira, após o elementar ter sido criado, basta pronunciar o seu nome ou vocalizar o seu mantra que ele já se aproxima do magista.

Ao se criar vários elementares deve-se anotar os seus nomes e mantras, para que o magista não se confunda ou esqueça. Não se deve revelar nada a ninguém sobre esses elementares, pois outro magista, de posse de informações essenciais, poderia usá-los e manipulá-los facilmente.

A força e o efeito de um elementar depende de sua vitalização. Quanto mais forte for à vontade do magista, tanto maior é a projeção dos elementos para o exterior, e um elementar carregado com tanta força tornar-se-á muito mais eficaz e penetrante. Um elementar pode ser vitalizado com tanta força, que ficará visível até para os olhares menos instruídos. Um magista pode ordenar a esse elementar que trabalhe visível ou invisivelmente, conforme a sua necessidade.

O tempo de vida do elementar depende da função para a qual ele foi criado, o que deve ser determinado logo no início do ato de criação, pois cumprida a tarefa ele será dissolvido novamente em seu elemento original através da imaginação do magista. Esse processo de dissolução não deve ser esquecido, porque devido ao seu instinto de auto-preservação, assim que termina o trabalho o elementar tende a se tomar independente, fugindo do campo de domínio do magista e se transformando facilmente em um vampiro. O magista então tem de suportar todas as conseqüências acarretadas por um elementar desse tipo, transformado em vampiro. Portanto, deve-se ter muito cuidado e responsabilidade ao se trabalhar com esses seres. Muitos magistas determinam, já durante o ato da criação, o tipo de dissolução a ser usada no elementar, p.e. queimam seu sigilo ou destroem o seu nome e testamento, se valem de um ritual ou fórmula pré-elaborada, como uma cerimônia de despedida. Tudo isso é válido, estritamente individual e fica a critério do magista escolher o que achar melhor.

Tendo os elementares em suas mãos, ele poderá obrigá-los a obedecer, a qualquer momento, ameaçando-os com a dissolução. O magista deve estar convicto de que possui o poder absoluto de manter os elementares totalmente obedientes e dominados. Ele verá que quanto mais fiel e lealmente obediente o elementar for, tanto mais se apegará ao seu mestre, dissolvendo-se muito a contragosto. Mas o magista nunca deve se deixar levar por esse sentimento senão poderá tornar-se dependente desse ser. É conveniente dar ao elementar uma vida curta, e em um caso de necessidade, criar outros elementares para o mesmo fim.

Os espíritos familiares que o magista pretende usar para seu próprio serviço devem ser criados a partir da projeção dos elementos através de seu próprio corpo.

O armazenamento físico de um espírito familiar dependerá da natureza de sua contra parte física. O melhor local para este armazenamento é um atuá hermeticamente fechado. Kenneth Grant dá algumas informações importantes sobre a construção de um atuá em Hecate’s Fountain. No Oriente, mais precisamente no Culto de Kû, elementares «chamados de yidams» são transferidos aos kylichores ou guardados neles. Um kylichor é um diagrama construído em pedra, correspondente a um yidam específico, ao qual nenhum estranho tem acesso. Não-iniciados quando em contato com elementares artificiais tendem a demonstrar agressividade, inquietação e até desmaios súbitos.

Apresento ao leitor um método de criação de espíritos familiares secretos, de bastante utilidade. Qualquer objeto pode ser escolhido para realização desta técnica, p.e. uma pequena estátua, um boneco Vodu, e etc. para utilização telesmática do elementar. Entretanto, sugiro a fabricação caseira. O magista deve ter a disposição, para tal, argila e cera de abelha.

A técnica é como se segue: Pegue 2/3 de argila a 1/3 de cera, sendo que as partes não devem ser consideradas pelo seu peso mas pela sua substância, i.e., para um litro de massa devem ser usados dois terços de litro de argila a um terço de litro de cera, para se obter a proporção correta para a massa. Acrescente um pouco de água morna e mexa a argila até formar uma pasta grossa, depois coloque a cera ligeiramente amolecida ou derretida a quente. Amasse bem até que a argila fique bem ligada à cera. Não se deve colocar muita água na argila para que ela não fique muito mole e difícil de modelar.

Com a massa bem compacta, o magista deve modelar uma figura, a forma que o elementar deverá assumir. Se quiser dar ao elementar a forma de uma pessoa, então a massa deverá ter essa forma. Enquanto o boneco ainda estiver quente e macio, produza um orifício perfurando-o com um objeto pontudo, da cabeça em direção aos pés, ao longo da coluna vertebral. Esse orifício deverá ser preenchido com um condensador fluídico a depois fechado, enquanto o boneco ainda não estiver seco, para que esse condensador, caso seja um líquido, não escorra para fora. Pode-se também introduzir o condensador quando a figura já estiver seca e dura, e depois fechar a abertura com cera derretida. Eu expliquei a metodologia para fabricação de condensadores fluídicos através das técnicas do Soberano Santuário da O.T.O. em vários artigos O magista deve impregnar o interior da telesmática com condensador fluídico mineral, vegetal ou animal. O melhor condensador fluídico animal é aquele preparado com a corrente lunar da sacerdotisa e com o sêmen do sacerdote. Este é o Alpha a Omega: o sangue menstrual e o sêmen. Quando as duas múmias de primeira classe são conjugadas, o efeito é potencializado. A matéria prima preparada a partir do IX°(-) O.T.O. também pode ser utilizada, mas somente na formação de zumbis.

De acordo com as leis da magia, uma figura desse tipo é a forma ideal para a criação de um elementar. O tamanho da figura não é importante, mas quanto maior ela for, mais facilmente o magista consegue trabalhar a imaginação. Um magista competente consegue trabalhar perfeitamente com uma figura de cerca de dez centímetros de altura.

Alguns magistas mais preparados são procurados por outros a fim de prepararem um elementar artificial para algumas tarefas. Eu sugiro, neste caso, que o magista, de modo algum, consagre a telesmática com condensadores fluídicos animais preparados a partir de múmias de seu próprio corpo. Pois assim, ele correria o risco de sofrer algum tipo de dano. Em função da ligação mental, astral ou material, a pessoa em questão teria a possibilidade de influenciar o magista, direta ou indiretamente, não só de forma benévola, mas também malévola. P.e. se uma figura preparada com a múmia fosse colocada em água fria, o magista que a preparou sentiria calafrios, e vice versa, se fosse colocada em água quente, ele sentiria febre. Há outras possibilidades de efeitos provocados pela arte de se lançar encantamentos mágicos, como p.e. técnicas femininas do VIII°(-) O.T.O.

Os meios técnicos para se dar vida a um espírito familiar são inúmeros. Eu descrevo um relativamente simples e de fácil aplicabilidade. O magista deve pegar a figura de cera com a mão esquerda, enquanto a afaga com a direita, como se quisesse reavivá-la. Com sua própria respiração o magista bafeje-lhe o ar por algumas vezes, como se quisesse tirar a figura de seu estado inerte a despertá-la para a vida. Neste momento, ele dá ao seu elementar o nome escolhido, pronunciando-o várias vezes sobre ela. Magista de formação cristã costumam batizar a figura, como se batizam os recém-nascidos, dando-lhe um nome durante essa cerimônia. O magista deve certificar-se de que o seu elementar possui um corpo completo com a forma dessa figura. Depois de dar um nome ao boneco, ele preencherá o seu próprio corpo com o elemento terra, através da respiração pelo corpo inteiro, projetando-o para fora pela sua mão ou pelo plexo solar, preenchendo a figura, começando pelos pés a subindo até a região dos órgãos sexuais. Nesse preenchimento o elemento terra deverá ser represado dinamicamente nessas partes do boneco. Ele deverá se concentrar e enviar todas as características específicas do elemento terra, como o peso, etc., a essas partes da figura e ter a firme convicção de que elas permanecerão ali e surtirão o seu efeito. O magista procede da mesma maneira com o elemento água, que deve ser projetado à região do ventre do boneco, assim como o elemento ar, que deverá ser projetado à região torácica e o elemento fogo, que deverá ser projetado à região da cabeça.

Tendo projetado todos os quatro elementos na figura, com a ajuda da imaginação, ele poderá ter a certeza de que criou o corpo astral de seu elementar, e que este assumiu a forma do boneco, podendo sair dele a ficar do tamanho que o magista determinar. O corpo astral de seu elementar permanecerá ligado ao corpo material, i.e. ao boneco, através de um cordão invisível, e tanto a vida quanto a existência desse elementar ficarão vinculados ao corpo físico desse boneco; depois de realizado o trabalho a que foi destinado o elementar deverá reassumir a forma do boneco a entrar nele, conectando-se novamente ao seu corpo físico. Até esse ponto, o magista poderá repetir o experimento, várias vezes, e reforçar o seu efeito através de uma meditação profunda. Criando dessa forma o corpo astral de seu elementar, deverá agora criar o seu corpo mental, fazendo o seguinte: com ajuda da força da imaginação ele criará o corpo mental do boneco, extraindo esse corpo mental do material etérico mais sutil e fazendo com que ele assuma a forma da figura inteira. Concentrando na cabeça do boneco todas as propriedades da alma e do espírito que deseja encarnar, aprofundando-as através da meditação. Qualidades excepcionais são desnecessárias, mas a introdução de três características específicas do espírito deve ser incutidas: o intelecto, a sensação «percepção» e a consciência, também aprofundadas através da meditação. Alguns magistas incutem a «vontade» no espírito familiar. Não aconselho!

Após a vitalização do corpo mental do espírito familiar, a vida nele deve ser despertada: o magista deverá extrair do universo uma grande quantidade de luz, represando-a em sua mão, a ponto dela brilhar como o sol. Pegando a figura com a mão esquerda, estendendo a mão direita incandescente sobre ela, a alguns centímetros de distância. Ele deve expirar o ar quente de seu hálito sobre a região do umbigo da figura, pronunciando em voz alta o nome dela. Imaginando que a cada corrente de hálito a luz de sua mão direita vai se tornando mais fraca, pois ela vai penetrando no boneco. Já na primeira baforada ele deverá imaginar que o coração da figura começa a bater e seu sangue começa a circular. Essa imaginação deve ser tão forte a ponto de se sentir a vida no boneco com tanta nitidez que chega até a ser uma percepção física. Na sétima baforada a luz de sua mão direita estará totalmente apagada a terá penetrado totalmente no boneco; então a forma astral da figura já estará viva e pulsante. Na oitava baforada ele deverá imaginar que o corpo físico de sua figura absorve o ar e começa a respirar regularmente. Na nona ele dirá o nome do espírito e ao mesmo tempo irá com ele falar em voz alta: «Viva! Viva! Viva!» O último Viva! deve ser pronunciado entusiasticamente e com muita convicção, acompanhado da crença inabalável de que o elementar desejado foi efetivamente trazido à vida.

O magista deve sempre manter a consciência de seu poder mágico e sua autoridade, bem como ter sempre a certeza de que na figura física do elementar, no seu corpo de cera, ele tem em mãos a sua vida e a sua morte. Uma destruição da figura de cera, ou um vazamento do condensador fluídico teria como consequência a morte ou a decomposição do elementar.



Loja Shaitan-Aiwaz O.T.O. No Círculo Mágico um Atuá contento a telesmática de um espírito familiar criado pelo presente autor. Técnica utilizada: consagração de um feltro preparado através de condensador fluídico animal formado por operações do IXº(-) & XIº O.T.O. em conjunção com condensador fluídico vegetal preparado com ervas e óleos.


Notas

1. Kenneth Grant. Nightside of Eden, Parte II, Capítulo 14.

2. Veja Kenneth Grant. Nightside of Eden, Parte II, Capítulo 9.

3. Veja Kenneth Grant. Aleister Crowley and Hidden God, Capítulo 6.

4. Kenneth Grant. Nightside of Eden, Parte II, Capítulo 14.

5. I.e. a língua dupla da Serpente. Ela também é conhecida como a Besta de Duas Costas, e Senhor da Dupla Baqueta, cujas vidas vampiras são prolongadas pelo uso mágico da língua e do clitóris. O clitóris na vagina e a língua na boca são simbolizados pelo bater no sino ou a batida no gongo, e estes são extradimensionalizados pelas vibrações produzidas.

6. Diretor de uma escola de iniciação chamada Ātmâ Vidyā «Ciência de Integração do Eu» e responsável por uma loja de produtos orientais. O gongo em questão fora cedido por ele para esta operação. Sua tradição é de cunho vaiṣṇava, mas tântrica: Sahajiyā.

7. A existência, contudo, é senão a extensão no tempo e espaço da continuidade do Ser, i.e. manifestando-se externamente. No coração deste Puro Ser, que nunca se manifesta exceto como a existência, jaz a natureza conhecida como a «Luz mais Sagrada».

8. Estes glóbulos foram desenhados no Selo da Grande Besta onde eles aparecem como bolhas iridescentes.

9. Kenneth Grant. Outside the Circles of Time, Capítulo 17.

10. Interpenetração de dimensões. Veja Kenneth Grant, Hecate’s Foutain, Introdução.

11. Representada pelos hebreus como a letra Pe.

12. Note a identidade entre a palavra ain «nada» e ayin «olho». Cf. ājñā, o onírico terceiro olho.

13. Normalmente, ao se olhar nos olhos de uma pessoa, somente um olho recebe o foco da observação. Mas utilizando o método de controle onírico aqui descrito, o ājñā se torna o foco, resultando assim que as duas linhas de visão não se direcionam a apenas um olho, mas ambos simultaneamente.

14. Usualmente, uma sacerdotisa acompanhante que possui como uma de suas funções a estimulação do falo do sacerdote.

15. Veja Kenneth Grant. Nightside of Eden, Parte II, Capítulo 9.

16. Soletrada em letras cheias.

17. Kenneth Grant. Nightside of Eden, Parte II.

18. Símbolo da alma.

19. Luz = espírito = flama = shin «>».

20. Veja Kenneth Grant, O Renascer da Magia, Capítulos 1 & 2.

21. Veja Nema, A Magia Thelêmica de Maät, pág. 85 para uma compreensão desta magia. Veja Também The Cincinnati Journal of Ceremonial Magick, Vol. I, Nos. 1 & 2.

22. Veja Kenneth Grant, Cults of Shadows, Capítulos 4 & 5.

23. 696 + 93 = 789.

24. Esta forma da Corrente Ofidiana é ativada pela fusão das Correntes 93 «Horus» e 696 «Maät». Isso produz 789, o número de Tanith. Assim como Babalon, Tanith é um «ofício», não uma persona.

25. Veja Kenneth Grant, Nightside of Eden, Parte I, Capítulo 4, onde esta doutrina é explicada.

26. Veja Nema, A Magia Thelêmica de Maät, pág. 85.

27. Os Aeons de Horus e de Maät aparentemente ultrapassam – somente quando são vistos do tempo mundano «i.e. o estado de vigília» dividindo o passado do futuro e conjeturando a vinda de Maät – os estados normais de consciência. Frater Achad «Charles Robert John Stansfeld Jones» declarava que o Aeon de Maät fora inaugurado em 1948 e, como o Aeon da Filha – «a filha coberta-de-azul do Ocaso», O Livro da Lei, I:64 – ele era paralelo e complementava o Aeon do Filho «Horus», trazendo assim a perfeição «perfect-ion». Veja Kenneth Grant, Cults of Shadow, Capítulo 8 para uma análise da Fórmula Mágica da Criança Coroada & Conquistadora em sua polaridade essencial. Pois o Filho, como a manifestação da vontade do Pai, pode somente se manifestar através da Mãe «Maät» cujo eidolon sobre a terra é a Filha, Coph Nia. A doutrina da Filha «Ma» está contida na Fórmula do Tetragrammaton, mas ela fora completamente obscurecida pela ênfase que foi dada, através das eras, sobre a Fórmula do Filho «Vau», cujo número é 6. Este obscurecimento levou inúmeros iniciados à confusão e a descrição errônea da fórmula em si, e através dos tempos Ocultistas digladiaram suas ideias acerca da natureza do filho «6», e da filha, cuja natureza é a mesma da mãe «7». Contudo, quando é compreendido que o filho representa a energia solar criativa, ele segue como a Criança Coroada & Conquistadora que somente se manifesta pelo processo de projeção, onde esta energia se transforma no objeto específico da operação mágica. A filha é o aspecto manifesto da «criança» que é projetada pelo Mago no clímax de sua operação mágica. É pela boca da sacerdotisa, como uma representante da filha, que a Palavra é manifestada, e sua gestação ocorre no silêncio, em uma vibração sem som que tipifica o aeon sem palavra, cuja Fórmula é Zain. Está aparentemente claro nos escritos de Crowley que ele aderiu à interpretação masculinamente orientada destes Mistérios. Em uma comunicação mediúnica recebida através de Frater Lampada Tradam «Victor Neuburg» no curso da Operação de Paris, Ma fora identificada como «o nome do deus que seduziu o Falo roubando-lhe da Yoni; daí o universo físico. Todas as palavras são excreções, elas representam o sêmen desperdiçado. Portanto, tudo é blasfêmia [...].» Mas a única blasfêmia – se é que ela existe – é conceber o manifestador como masculino. O Falo é o gerador, a Yoni é a manifestadora, e a palavra da aparência emerge da Mãe cuja Fórmula é Ma. A «excreção» refere-se à energia lunar da yoni, não a semente solar do falo. Considerações acerca de Coph Nia veja Nightside of Eden, Kenneth Grant.

28. As iniciais A.’.A.’. significam Argenteum Astrum «Estrela de Prata». Esta é a Estrela de Seth ou Sothis «Sirius» – o «sol» no Sul; «prata» indica que ela é de uma região lunar, i.e. noturna. Ela é a «criança» oculta de Nuit, cuja luz ela manifesta. De acordo com a Tradição Hermética, nosso sol é senão um reflexo do sol maior, Sothis. O sol de nosso sistema solar mantém, portanto, a relação de uma «criança» - Horus Criança – com esta enorme Estrela. A.’.A.’. foi o nome dado a Ordem Oculta e Secreta que manifestou-se no Ocidente como a Golden Dawn em 1886. Antes desta manifestação específica, esta fraternidade era composta por inúmeros representantes e autoridades espirituais – muitos deles não abertamente declarados – como Sir Edward Bulwer-Lytton, Éliphas Lévi, Gerald Massey, Fabre d’Olivet e etc. Bulwer-Lytton estava diretamente conectado com Adeptos continentais como Lévi, Papus, Steiner e Hartman, todos celebrados personagens do Ocultismo Ocidental. Estes Adeptos compunham a Fraternidade Hermética da Luz. Esta Fraternidade foi finalmente concentrada no plano físico por volta de 1895 pelo Dr. Karl Kellner, um Adepto austríaco que revelou o verdadeiro nome da Fraternidade como Ordo Templi Orientis ou Ordem do Templo do Oriente. O Oriente é o locus do nascer do sol, a fonte de toda iluminação. As iniciais O.T.O. possuem um significado próprio e especial; além de serem uma Fórmula Mágica, elas simbolizam a energia fálico-solar da Besta que posteriormente fora incorporada no selo pessoal de Aleister Crowley. Veja O Renascer da Magia, Kenneth Grant.

29. Kenneth Grant, Aleister Crowley and Hidden God, Capítulo 4.

30. Michael Bertiaux, Hierofante da O.T.O.A. «Ordo Templi Orientis Antiqua», recebera, em 1977, uma transmissão de Aiwaz. Veja o artigo Communication with Aiwaz publicado na revista Instrumentum, Vol. I, No. 2. Esta comunicação revelou que Crowley já se encontra reencarnado sobre a terra em uma forma feminina. Se este for o caso, então o aspecto filha já se encontra em nosso meio. Pode ser! Marjorie Cameron, que clamava ser uma avatar da Mulher Escarlate, esforçou-se para «aterrar» a Filha dando nascimento a uma filha-da-lua. O experimento falhou, e Crowley – que morrera nesta época – falhou em encontrar um portal de ingresso através de Cameron, que se casou com Jack W. Parsons, Chefe de uma Loja da O.T.O. na década de 40. Veja Kenneth Grant, O Renascer da Magia e Hecate’s Fountain. Contudo, se a comunicação recebida por Bertiaux estiver correta, um portal fora encontrado e Coph Nia está agora encarnada e a Corrente 93, antes transmitida a Aleister Crowley, está agora se manifestando em uma forma feminina em algum lugar na Ásia, como Crowley profetizou. Veja The Cofession of Aleister Crowley, Capítulo 86.

31. S.L. Mathers em A Kabbalah Revelada.

32. Kenneth Grant, Nightside of Eden, Parte II, Capítulo 14.

33. Quer dizer, o estado de vigília.

34. O Filho e a Filha; o Sol e a Lua.

35. Juízes XIV.

36. Mat; cf. o sânscrito maithuna, cópula ou congresso sexual.

37. Maät: in vino veritas.

38. Para compreensão destes termos veja Kenneth Grant, Cults of Shadows, Capítulo 8.

39. No original em inglês.

40. O «ka» adicionado ao nome da Deusa Kālī denota a Śakti, ou poder, que transforma a magia em magick. Em 1893, com a idade de dezoito anos, Aleister Crowley decidiu definir a Magia sobre uma base sólida e científica. Ele explica, no Livro 4, Parte II, que adotou a arcaica forma inglesa de se escrever magia – magick – «a fim de distinguir a Ciência dos Magi de todas as suas deturpações»; através desta ortografia ele também pretendia indicar a natureza peculiar de seus ensinamentos, que possuem uma afinidade especial com o número onze. O «K», a última letra de magick, é a undécima letra de vários alfabetos importantes, como o caldeu, o grego e o latim; é atribuída ao deus Júpiter, cujo veículo, a águia, é o símbolo do poder mágico em seu aspecto feminino; ela é o «símbolo daquele gigantesco Poder cuja cor é escarlate; e que possui afinidade com Capricórnio ou Babalon.» A importância especial de Capricórnio, o Bode, é revelada por sua atribuição, na Tradição Indiana, a deusa Kālī, cujo veículo é o sangue. O «K» é também Khn, Khou ou Queue simbolizado pelo «rabo» ou a «vagina», venerado no antigo Egito como a Fonte do Grande Poder Mágico. Magick, soletrada com o «K» portanto indica a natureza precisa da Corrente que Therion (Crowley) incorporou e transmitiu.

41. O IX° e o XI° O.T.O.

42. Harpocrates, que contem internamente em si Ra-Hoor-Khuit.

43. Note que o «K» é a undécima letra do alfabeto.

44. Quer dizer, o espermatozóide.

45. Quer dizer, o VIII° O.T.O. Veja The Magical Record of the Beast 666, pág. 151.

46. Kenneth Grant, Nightside of Eden, Parte II.

47. Veja Arte & Mitologia Antiga (Richard Payne Knight), seção 117, koph.

48. Itálicos pelo presente autor. Cp. às observações sobre Sekhet e o simbolismo da abelha, acima.

49. O Livro da Lei, III:72.

50. The Official and Unofficial Correspondence of Frater Achad. Até o presente, não publicadas.

51. Liber 49 conhecido também como O Livro de Babalon. Veja Kenneth Grant, O Renascer da Magia, Capítulo 9 & Hecate’s Fountain, Parte I, Capítulo 3.

52. Margaret Ingalls «Soror Nema».

53. Veja The Cincinnati Journal of Ceremonial Magick, Vol. I, No. 1. Veja também A Magia Thelêmica de Maät «Nema».

54. The Cincinnati Journal of Ceremonial Magick, Vol. I, No. 2.

55. Ainda não publicados.

56. Veja Liber VII (Crowley), Prólogo.

57. Shugal-Choronzon, 333 + 333 = 666, a Besta.

58. Ambos amor «ágape» e vontade «thelema» = 93.

59. Maät = 442 = APMI ARTz = «o fim da terra».

60. Cf. com a técnica de Karezza utilizada no VIIIº O.T.O.

61. O Livro da Lei, I: 46-47.

62. O Livro da Lei, I: 46-47.

63. Frater 47, O.T.O., interpreta os números 650, 317 e a final contextualização de Daäth conforme aqui descrita. Note que Daäth é o Portal para Mu-Ion guardado por Shugal-Choronzon.

64. Zain é a sétima letra do alfabeto hebraico e tipifica o número 7. Este é o supremo número da Tradição Tifoniana simbolizada por Seth-Horus «Gêmeos», pela Serpente «Z» e pelo Olho «Ain». A palavra Zain significa «espada», um glifo da Deusa como aquela que se divide em dois e do Olho da Serpente atribuída a Filha «Coph Nia». Zain é ainda o símbolo da polaridade mágico-sexual e é atribuída aos Gêmeos ou Amantes no Zodíaco e no Tarot. A letra Zain somada em letras cheias equivale 67, que significa o Útero da Mãe «Binah = 67» que contém os gêmeos, i.e. Seth-Horus. Pegando a última letra de Zain «i.e. n» em seu valor total, a palavra soma 717, um a menos que 718, um número de suprema significância no Culto de Thelema, pois este é o número da Estela da Revelação e da «Abominação da Desolação» conectada a ela. Todo este simbolismo deve ser estudado em conexão com o 17º Túnel de Seth.

65. Veja os relatos de Crowley em seu Diário Mágico em 10 de Junho de 1923. Ele faz alusão ao aeon sem-palavra e o atribui a Daleth, mas devido a razões complexas em demasia para se falar aqui, a atribuição não é provável. Zain é a candidata mais provável por sua conexão com ayin «ain como o vazio» como o Olho da Filha.

66. O Olho Esquerdo como a corrente lunar e a «espada» de Sin.

67. «Nada é uma secreta chave desta lei.» O Livro da Lei, I: 46.

68. O Livro da Lei, I: 64. O número deste verso – 64 – é o «Número perfeito da Matéria», 8 x 8. É também o número da Verdade, i.e. Maät «pela Qabalah Grega», e de NBHZ «veja 2 Reis XVII: 31», a deidade dos Avitas cujo nome é um com Anúbis «o deus com cabeça de chacal do antigo Egito», um totem de Sothoth-Seth-Thoth.

69. Ou seja, o Abismo como céu noturno ou golfo do espaço.

70. Observe que o número Zain, sete, é, por formato, equivalente ao símbolo neter das deidades – a razão sendo que a criança, neutra, foi caracterizada pelos antigos como nem macho nem fêmea, mas ambos; e, como um símbolo da criação sexual, sete foi adotado como símbolo do «machado» que tipifica o fender do útero pela criança quando ela surge para o nascimento como resultado do amor.

71. Veja o diagrama da Árvore da Vida.

72. Veja Kenneth Grant, Cults of Shadows.

73. Veja Kenneth Grant, Cults of Shadows.

74. Kenneth Grant, Hecate’s Fountain, Parte I, Capítulo 2.


Bibliografia

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________. Nightside of Eden. Skoob Books, 1994.
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________. Outer Gateways. Skoob Books, 1994.
MONTEIRO, Hélio. Elementares Artificiais. Em Jornal de Magia Cerimonial de Juiz de Fora. Satvrnvs Publishing, 2005.

NOWICKI, Dolores Ashcroft & Brennan, J.H. A Magia das Formas-Pensamento. Editora Pensamento, 2013.

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