quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Culto da Besta #1



Kenneth Grant
Tradução de Fernando Liguori
Cults of the Shadow, Capítulo 6. Frederick Muller, 1975.


O Livro da Lei (Liber AL vel Legis)[1] é a pedra angular do Culto de Thelema de Aleister Crowley cuja fórmula é amor sob vontade.[2] O AL fora comunicado a Crowley no Cairo depois de uma invocação ao deus Horus em um ritual desenvolvido pela sugestão de sua esposa, Rose.[3] Os detalhes completos desta comunicação recebida por clariaudiência de uma Inteligência desencarnada chamada Aiwaz são dados em The Confessions of Aleister Crowley.

AL fora transmitido em um curto espaço de tempo – 8, 9 e 10 de Abril de 1904 – que coincidiu com a mudança astronômica equinocial, e esta mudança ficou conhecida, tecnicamente como O Equinócio dos Deuses. Essa expressão significa que o Sol, havendo previamente irradiado sua influência através da constelação de Peixes durante aproximadamente 2.000 anos, agora irradia esta influência através do complexo estelar conhecido como Aquário. Isso significa que o Sol no equinócio vernal[4] aparece em primeiro grau neste complexo estelar. As emanações solares são portanto particularmente afetadas pela influência de Aquário[5] durante o período de tempo (aproximadamente 2.000 anos) que aparece atrás da constelação de Áries na elíptica terrestre.[6]

Com o advento do equinócio vernal no ano de 1904, Crowley foi capaz de declarar que a Nova Era ou Aeon que havia amanhecido estava indubitavelmente associada com a revelação que recebera no Cairo naquele tempo e devido a certas passagens do AL, ele declarou que esta Nova Era ou Novo Aeon era o Aeon de Horus.

Existe uma série de divergências de opiniões sobre quando a nova era começou realmente. Segundo um sistema de cálculo, o fim da velha era e o início da nova era ocorreu com a rara conjunção lunar e planetária em 3 de Março de 1981 e há registros oficiais de outras opiniões ligeiramente divergentes, mas todas dentro dos últimos 50 anos ou dentro dos anos que marcaram a mudança de século.[7]

De acordo com Crowley, o Aeon de Horus, com seus precedentes – o Aeon de Osíris e o Aeon de Isis – permaneceram aproximadamente dois mil anos. Estamos hoje experimentando a agonia da morte do velho e o tormento do nascimento do novo. As exalações agonizantes do Culto do Cristianismo histórico, a religião típica do Aeon de Osíris, são agora consideradas penosas e seus rituais são negros,[8] suas fórmulas mágicas são obsoletas. Esta descolorada corrente está representada simbolicamente pelos cultos do ‘Deus Agonizante’, tais como Átis, Witoba, Cristo e etc.

É necessário um entendimento do Culto de Crowley para se abarcar as implicações ocultas dos Aeons.[9] O Aeon de Isis pode ser comparado com a era pré-cristã dos cultos pagãos na qual o ser humano reconhecia e adorava uma multiplicidade de deuses. O homem, como tal, não era distinto do rebanho. Foi um período de homens e deuses, mais precisamente deusas, já que a linha de descendência matriarcal era a única linha reconhecida na sociedade primitiva: aqui a Deusa Mãe dos panteões lunares e estelares fez sua aparição no Egito nas épocas pré-dinásticas. [10] A este Aeon seguiu-se o Aeon de Osiris, representado pelos cultos Judaicos dos quais o Cristianismo foi sua forma final. O homem estava separado do rebanho e adorava a seu Deus através de um ritual de auto-sacrifício. Foi a era da expansão pelo derramamento de sangue; a era dos sistemas patriarcais, um período onde a religião foi aprendida como uma experiência mística entre o homem e Deus. Isto foi um ‘avanço’ em relação ao Aeon anterior em que a consciência religiosa não é uma multiplicidade – homens e deuses – mas uma dualidade compreendida como homem e deus. O homem adorava a Deus. Foi, portanto uma religião de dualidade, a dualidade do deus e do adorador, do Sujeito e de seu Objeto.

No Aeon de Horus esta dualidade da religião (i.e. união) será transcendida por meio da abolição de deus e o estabelecimento da Unidade. O homem não adora deus como um fator externo a si mesmo – como no Paganismo – ou como um estado interior de consciência – como no Cristianismo – mas realiza sua identidade com ‘deus’. É dessa premissa que surge a asserção do Culto de Crowley: Não existe deus senão o homem.

Sangue e agonia caracterizarão a fórmula mágica do Aeon de Osíris, mas a fórmula do Novo Aeon compreende o uso mágico do sêmen e do êxtase culminando na apoteose da matéria.[11] O homem não flagela por mais tempo seu corpo para experimentar a vida eterna, mas proclama que ele nunca fora o corpo e realizando isso, proclama que ‘ele’ nunca nasceu, portanto, nunca pode morrer; proclama que o corpo é um simples joguete do Espírito que sofre incessantes transformações; que o Espírito perdura para sempre, triunfante, em constante evolução e ainda sim permanecendo novo. Sujeito e Objeto são Um. A morte é compreendida – em detrimento da incompreensão dos cultos anteriores – e será finalmente experimentada e transcendida, contudo e ainda sim, abolida e anulada.

Em O Equinócio dos Deuses[12] Crowley descreve Aiwaz como o canal de forças extraterrestres neste Novo Aeon:

Me parece que ele era alto, um homem escuro em seus trinta anos, bem parecido, ativo e forte, com o rosto de um rei selvagem e seus olhos estavam velados para que seu olhar não distraísse aqueles que o viam. Sua vestimenta não era árabe; sugeria a Assíria ou a Pérsia, mas muito vagamente. Tomei pouco conhecimento disto já que para mim naquela época Aiwass era um ‘anjo’ como os que eu freqüentemente via em minhas visões, um ser puramente astral.
Eu agora me inclino a crer que Aiwass não é só um Deus ou Diabo que uma vez tivera sido sagrado na Suméria e meu próprio Sagrado Anjo Guardião,[13] mas também um homem como eu, no sentido em que usa um corpo humano para criar Seus veículos mágicos com a humanidade que ele ama, e disso que ele é um Ipsissimus, a Cabeça da A\A\.[14]

Em uma nota de rodapé de página sobre a passagem anterior Crowley comenta:

Eu não quero dizer necessariamente que ele é um membro da sociedade humana no sentido normal da palavra. Ele pode ser capaz de formar por Si mesmo um corpo humano como as circunstâncias lhe indiquem, a partir dos Elementos apropriados, e dissolvê-lo quando a ocasião já tiver passado. Digo isso porque me foi permitido vê-lo anos recentes em uma variedade de aparências físicas, todas igualmente ‘materiais’ no sentido em que meu próprio corpo assim o é.

Em The Equinox publicado em Detroit em 1919,[15] Crowley publicou A Voz do Silêncio[16] com seu próprio comentário. Uma de suas curiosas pinturas forma o frontispício deste trabalho.[17] Pode ser um retrato de Aiwass em uma de suas diferentes aparências em que se apresentou a Crowley, ou pode ser um retrato da elemental alma humana representada pelo Falo, ou pode ser a cabeça do espermatozóide em que no simbolismo de Thelema é identificado com Hadit,[18] a luz interna de cada ser humano e o instrumento de sua Verdadeira Vontade.

As doutrinas esotéricas concernentes a Luz Interna ou Sagrado Anjo Guardião – Aiwass no caso de Crowley – são simples e sublimes, ainda que facilmente destorcíveis pela ignorância ou pela malícia. Elas têm oferecido aos detratores de Crowley muitas oportunidades de acusá-lo de ‘adorador do diabo’ ou de ‘Satanista’, como era entendido no velho-aeon por magia negra e Missa Negra.

A doutrina da Verdadeira Vontade é encarnada em onze palavras: Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei! Ela não ínsita e nem permite a libertinagem. Pelo contrário, ela comporta a mais severa disciplina, a única que não é absolutamente perniciosa, i.e. a auto-disciplina.

O corolário de Faz o que tu queres é ‘tu não tens direito senão fazer tua vontade’. Até que o conhecimento da Verdadeira Vontade tenha sido obtido, ninguém é capaz de apreciar a verdadeira natureza da liberdade, muito menos exercitar os poderes que ela confere. A liberdade é o caminho daqueles que verdadeiramente expressam sua verdadeira natureza, e disso se segue que àqueles que permanecem ignorantes de sua Verdadeira Vontade permanecem também completamente ignorantes do significado da liberdade. A liberdade é portanto para os não iniciados a forma mais aguda de escravidão e usualmente resulta na rápida destruição da mente e do corpo. Os ignorantes são incapazes de controlar seus sentidos quando são assolados pelo repentino acesso de poder que a liberdade outorga. Isto é patente nas situações mundanas que compreendem dinheiro, fama, autoridade etc. Quanto mais devastador é o resultado nos casos de iluminação espiritual desequilibrada que será apreciada por aqueles que desenvolveram com êxito inclusive o mais simples exercício mágico. O êxito inflama o ego e ele colhe mais do que pode assimilar de forma adequada, e a implosão resultante é correspondentemente catastrófica. É por este motivo que se previne o neófito das práticas mágicas sem a experiência de um guia sob as condições adequadas. Eles também são prevenidos de não tentarem elevar a Serpente de Fogo a menos que as zonas de poder do corpo sutil tenham sido adequadamente preparadas e purificadas.

A Verdadeira Vontade, o Sagrado Anjo Guardião, a Serpente de Fogo são véus de Hadit, descrito no AL[19] como “a secreta Serpente enrolada pronta para saltar: em meu enrolar está o prazer. Se Eu ascendo completamente minha cabeça, Eu e minha Nuit[20] somos um. Se Eu inclino para baixo minha cabeça, e verto veneno, em seguida é arrebatado da terra, e Eu e a terra somos um. Existe grande perigo em mim”.

Crowley abriu um caminho direto pelo qual agora se é possível prosseguir sem um excessivo perigo. Isso se dá devido a grande quantidade de investigações e registros que ele nos deixou contendo fórmulas para a elevação da Serpente de Fogo por meio da magick sexual. De maneira similar, através de vários métodos, o Advaita Shri Ramana de Tiruvannamalai, Sul da Índia, fez avaliações precisas da Suprema Realidade via sua única contribuição para ciência do Atmavichara (Auto-Enquerito). E ainda, por outro lado, o Bakhta Bengali, Thakur Haranath, abriu o caminho da cultura espiritual para pessoas ordinárias, chefes-de-família, distintos daqueles que tomaram voto de pobreza, i.e. não-aquisição da ilusão fenomênica. Haranath assim completou seu trabalho iniciado em encarnações prévias como Krishna Chaitanya, quatro mil anos atrás. De maneira análoga, pode-se dizer que Crowley completou o trabalho que começou como Éliphas Lévi (1810-1875), que morreu no ano de nascimento de Crowley.

Um exemplo clássico de um Mestre abrindo um novo caminho para humanidade é o de Jesus Cristo que buscou a realização de um ideal de vitória aplicável para as massas através de uma doutrina de expansão vicária. Naquele Aeon, quando a dualidade prevalecia, o homem imaginava a si mesmo como essencialmente separado da Divindade e somente podia unir-se a essa Divindade pelo sacrifício ou pela negação de seus impulsos naturais. Neste Novo Aeon esta concepção experimentou uma mudança fundamental, já que estes impulsos naturais são a chave para o entendimento da Verdadeira Vontade.

Uma das melhores definições para Verdadeira Vontade e sua função está contida em uma carta que Crowley escreveu a um aspirante em 6 de Abril de 1923, e.v.:

Te concebemos, bem como a todos os demais egos conscientes como Estrelas. Cada um têm sua própria órbita. A Lei de qualquer Estrela é portanto a equação de seu movimento. Tendo tomado conhecimento de todas as forças que atuam para determinar sua direção, haverá no resultado um só vetor que determina seu movimento. Por analogia, a Verdadeira Vontade de qualquer homem deveria ser a expressão de um simples e definitivo curso de ação, que é determinado por suas próprias características e pela soma das forças que atuam sobre ele. Quando digo “Faz o que tu queres” quero dizer que para viver inteligentemente e em harmonia consigo mesmo, deve descobrir que tua Verdadeira Vontade é o resultado do cálculo de todas as reações com todos os demais indivíduos e circunstâncias, e isso sendo feito, aplica-te a ti mesmo a fazer esta Vontade ao invés de permitir ser distraída por milhares de caprichos insignificantes que constantemente são aflorados. Eles são expressões parciais de fatores subordinados e deveriam ser controlados e usados para mantê-lo em um propósito principal de tua vida ao invés de extravia-lo.

E em Magick Without Tears,[21] ele diz:

Nenhum ato é virtuoso em si mesmo se não faz referência a Verdadeira Vontade da pessoa que se propões a desenvolvê-lo. Esta é a doutrina da relatividade aplicada a esfera da moral.

Em outro lugar ele escreveu:

A Verdadeira Vontade é o resultado da totalidade das forças do universo expressadas através do individuo. Essa Vontade é o componente final e necessário para o equilíbrio do universo sem a qual ele não poderia existir. Assim como indivíduos não podem nascer sob idênticas condições, cada ser humano é único, apesar de que as condições podem ser estreitas em inumeráveis circunstâncias que fazem com que as distinções sejam difíceis de serem apreciadas.[22]

A invocação da Verdadeira Vontade invoca necessariamente e automaticamente seu oposto, e isso se manifesta aos ‘adoradores’ do Culto de Thelema como a ‘visão do demônio Crowley’, a Besta. Este fenômeno curioso foi um mecanismo de reflexo integral da Grande Obra.[23] Quando uma pessoa se aproximava de Crowley com o propósito – consciente ou inconsciente – de se iniciar, não passava muito tempo antes que o ‘demônio Crowley’ aparecesse ao chela.

O candidato a Iniciação se aproxima do guru (guia espiritual) com temor e reverência como se ele fosse superior a todos os demais. Essa distinção é falsa e é a causa de certos tipos de escravidão, a falsa imagem de distinção (dualidade) projetada sobre o guru chega a se transformar em um demônio que engana o candidato empenhado em sua destruição. Este diabo, diable, ou duplo é simplesmente a personificação da dualidade projetada sobre o guru pelo candidato. O guru aparece como um demônio porque seu trabalho é destruir o ego do candidato. O ‘demônio Crowley’ aparecia tão prontamente quando um indivíduo tentava se conectar a Corrente 93 na qual Crowley era o Supremo Iniciador. Se a aspiração do candidato era destruída ou enfraquecida ainda que no mais ligeiro grau pelo impacto desta experiência, seu momento de iniciação não havia chegado e nem era provável que chegasse até que a ‘visão’ houvesse sido desfeita pelo poder da dedicação firme a Obra, e pela total indiferença pelos aspectos da personalidade tanto de Crowley como de si mesmo.

Somente o Ipsissimus[24] está livre de toda atadura. Aquele que obteve o ‘Conhecimento & Conversação com o Sagrado Anjo Guardião’ ainda que haja transpassado o estado avançado da consciência humana, há que lograr a iniciação de Ipsissimus. Inclusive assim, o Adeptus Minor[25] está longe de aquietar as agitações dos complexos de sua personalidade pois somente recebe vislumbres velados e efêmeros da meta final que requer a total abolição da personalidade e da consciência egóica.

O Ipsissimus é descrito como ‘sem vontade em qualquer direção e desprovido de Consciência de dualidade’. Mas aquele que não possui verdadeiramente nenhuma vontade primeiro se identificou com Toda-Vontade e a transcendeu na união final de Nuit e Hadit que liberta para sempre da necessidade do Evento. Crowley descreve somente uma vez em seus escritos publicados sobre sua Suprema Iniciação na Primavera de 1924. Em seu Diário Mágico,[26] sem dúvida, ele revela que fez o Juramento de Ipsissimus em 23 de Maio de 1921 e nos três anos que se seguiram a Grande Iniciação foi transcendida:

O climax das relações dos Mestres Secretos com Therion se deram nas semanas imediatamente precedentes e posteriores ao Equinócio de Primavera de 1924. Nesta época ele jazia enfermo aos pés da morte. Ele se encontrava completamente só já que Eles não permitiam a presença daqueles poucos a quem. Eles Mesmos determinaram que o ajudariam nesta Iniciação Final. Neste último ordálio sua parte terrena se dissolveu em Água; a Água foi evaporada no Ar, absolutamente tênue, até que ele foi livre para realizar o último esforço e passar por dentro das vastas cavernas do Umbral que guarda o Reino do Fogo. Agora, nada que seja humano pode atravessar esta imensidão. Assim pelo Fogo ele fora totalmente consumido, somente como o Espírito puro o envolveu, pouco a pouco, durante os meses que se seguiram, dentro do corpo e da mente que haviam perecido no Grande Ordálio do qual ele não podia dizer algo além disso: “Eu morri”.

Em Liber LXXIII (A Urna),[27] Crowley alude esta morte quando diz que sua vida presente chegara ao fim em 1924; todas as forças que haviam até então atuado sobre ele haviam logrado os resultados.[28]

O caminho que Crowley fez acessível àqueles capazes de dissolver os véus da ilusão é o mesmo Caminho que em eras primêvas fora percorrido pelos adoradores de Shaitan, o antigo ‘deus’ da Suméria; o mesmo Caminho foi trilhado pelos adeptos de certas Seitas Gnósticas até que a perseguição Cristã fez com que elas caíssem na clandestinidade no sexto século. Ainda que este Caminho seja o mais antigo, é também novo no sentido que as eras gloriosas de Shaitan desapareceram – no sentido histórico – e então ocorreram enormes avanços no campo do conhecimento e da investigação científica. Este conhecimento forma um potencial vasto e incalculável de energia mágica na raça humana. As vantagens deste poder acumulado combinadas com as modificações psicossomáticas seguidas em evoluções cíclicas, fizeram possível para que o homem penetre nos íntimos Santuários da Natureza – até agora com impunidade. Os mistérios do Tempo e do Espaço, conceitos fantásticos como descritos nas obras de Louis de Broglie, Helsenburg e Schroedinger, serão revelados no Aeon de Horus. Bertrand Russell observou que devido a obra de Helsenburg e Schroedinger que “os últimos vestígios do átomo sólido se desvaneceram; a matéria chegou a ser tão fantasmagórica como qualquer trans-comunicação[29] espiritual”.

Em uma carta restrita de 7 de Agosto de 1945, Crowley escreveu a Frater P.T.A.A.:[30] “A Bomba Atômica é interessante não só no que se refere a Liber AL, capítulo III, versos 7 e 8, mas também porque um dos homens que estiveram trabalhando nela passou algum tempo na Abadia[31] em Cefalù.”

Em 1953, Marjorie Cameron, [32] que assegurava ser a Mulher Escarlate profetizada no AL, supôs que a ‘maquinaria de Guerra’ mencionada no AL era um Disco Voador.[33] Crowley sem dúvida em uma entrada de seu Diário Secreto em 7 de Agosto de 1945 escreveu: “O suposto explosivo atômico, pergunto: a ‘maquinaria de Guerra’ de AL III?”

Os progressos científicos desde a morte de Crowley em 1947 confirmam a suposição de que AL contém muitas profecias dos fatos históricos que estavam e estão para acontecer. Os avanços na exploração espacial são a primeira tentativa de desvendar o segredo do Tempo. Tempo e Espaço sendo aspectos gêmeos de um simples continuum que não é, como pode parecer, uma entidade conhecida como Espaço-Tempo, senão uma objetivação da percepção do observador, e portanto um fenômeno completamente subjetivo.

A assunção de Formas Divinas praticada na Golden Dawn e a fórmula de Austin Osman Spare da Ressurgência Atávica são explorações mágicas do Espaço e do Tempo. Eles são aspectos da antiga bruxaria – uma vez praticada na Atlântida – que serão desenvolvidos durante o curso do presente Aeon e que transcendem, finalmente, o Espaço e o Tempo.

Crowley descreve Aiwaz como ‘o primeiro deus amanhecendo sobre o homem na terra do Verão’[34] e descreve seu trabalho como o ‘redescobrimento da Tradição Sumeriana’. Ainda que se conheça pouco desta tradição, historicamente falando, sabe-se que os adoradores de Shaitan na Baixa Mesopotâmia receberam um escrito inspirado, conhecido como O Livro Negro, através de seu profeta, Yezid. Neste Livro Shaitan diz: “Não pronuncie meu nome e nem mencione meus atributos para que não sejas culpado, já que não tens verdadeiro conhecimento dele, mas honra meu símbolo e imagem.”[35] O símbolo de Shaitan é o Pavão Real, cujo simbolismo oculto eu expliquei em A Corrente 93 & o Culto do Deus Interno;[36] Sua imagem é a Serpente, um símbolo da Serpente de Fogo cuja fórmula mágica está resumida no nome de Seth (Shaitan).

Crowley se refere a ‘Terra do Verão’, Suméria, na Baixa Mesopotâmia, como o ‘lugar mais antigo de nossa raça’, mas isto não é correto. Gerald Massey demonstrou que o deus Shaitan esteve na pré-existência como Seth ou Sut no Antigo Egito. Sut significa o Negro ou Carbonizado. Quando este nome foi dado a Osíris em períodos muito posteriores, o neófito – durante a celebração dos Mistérios – declarava que Osíris era ‘um deus Negro’. Ele declarava Osíris em sua forma primordial, (i.e. Seth) que é o deus da Magia ‘Negra’ por causa da natureza sexual dos ritos antigos e a utilização da mulher como um tipo vivo de Deidade; tanto o Caminho da Mão Esquerda como a ‘Magia Negra’ foram termos usados – durante muitas eras depois – para assinalar a desagradável degradação dos Mistérios que em eras primêvas foram exaltados em profundidade.

Durante o período de migração a Suméria, os adoradores de Seth levaram seu deus com eles e seu nome chegou a ser conhecido como Shaitan. Os Yesidis, assim como os Judeus, se esqueceram da pronúncia ou a vibração do nome, assim ele foi perdido. O trabalho de Crowley foi coroado pelo descobrimento do Talismã de Seth,[37] a ‘Palavra’ perdida ou o Falo de Osíris, o Poder Vital que vence a morte mediante a vibração adequada das energias sexuais. Isto, o aspecto mais importante do trabalho de Crowley, será revelado no tempo apropriado.

Crowley enfatizava que o AL não era um ‘escrito automático’; muito menos era da classe de criações inspiradas como as produzidas por Austin O. Spare sobre o controle da Águia Negra.[38] Crowley considerava o AL um escrito como os Yezidis consideravam o Livro Negro, que fora recebido por seu profeta de maneira similar a que Crowley recebeu o AL, i.e. de uma Inteligência possuidora de conhecimento e poder sobre-humano. É provável, inclusive, que Crowley considerasse o AL como o cumprimento da promessa dada no Livro Negro de ‘um livro escrito desde a eternidade’, i.e. de alguma fonte transcendental ou extraterrestre.

A entidade trans-mundana que utilizou Yezid como veículo para a recepção do Livro Negro também usou Mestre Therion[39] como foco para a recepção do AL. Isso com freqüência causava grande confusão na consciência humana de Aleister Crowley como pode ser percebido em várias passagens de seus Diários Mágicos. Levou quase trinta anos para que Aiwaz ou Shaitan se estabelecesse na consciência de Crowley. Até o fim de sua vida ele tinha de invocar Aiwaz para obter uma resposta imediata e mesmo depois de sua consecução ao Grau de Ipsissimus em 1924, Crowley chegava a ser indiferente a aceitação de suas outras conquistas pessoais; ele era infatigável em seu empenho em demonstrar que uma Inteligência Præter-Humana, independente dos processos mentais humanos, havia comunicado conhecimentos vitais a humanidade usando-lhe como transmissor. Em seu Diário Mágico[40] ele descreve: “As vitórias Espirituais são incompatíveis com a moralidade burguesa”. Seus detratores o julgavam invariavelmente pelas assim chamadas normas de moralidade Cristã. Crowley não foi o único escritor que deu razões válidas para considera-las falsas:

Thomas Henry Huxley em seu ensaio Ética & Evolução indicou a antítese entre essas duas idéias (i.e. ética e evolução), e concluiu que a evolução estava limitada ao pulso da ética no transcorrer do tempo. Ele foi aparentemente incapaz de ver ou não queria admitir que este argumento provava que a ética (como era entendida pelos Vitorianos) é falsa. A ética de Liber Legis são as mesmas da evolução. Somente somos estúpidos se nós ‘interferimos’. Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei, tanto biologicamente como de qualquer maneira.[41]

A questão da evolução e da ética leva invariavelmente ao problema da reencarnação. Crowley recordou fragmentos de prévias encarnações, muito poucas das quais foram sobressalentes em um sentido mundano. Na maior parte delas ele foi um sujeito malogrado que sofreu excessivas misérias e humilhações. Estas foram vidas em que ele não pode se concentrar a Grande Obra porque seus compromissos kármicos sobressaltavam-no. Não é possível avaliar a natureza de seu progresso pela análise destas vidas de fracassos mundanos nas quais ele morria jovem e sem efetivar seus compromissos. Entretanto, suas vidas em que obteve grandes êxitos arrojaram uma luz interessante sobre a psicologia do homem, Crowley. A lista de vidas passadas de Crowley inclui nomes como Ankh-af-na-Khonsu, um Sacerdote da XXVI Dinastia,[42] o Papa Alexandre VI, o Conde Cagliostro, Sir Edward Kelly e Éliphas Lévi. A Operação de Paris[43] contém um relato de uma das vidas prévias de Crowley como uma Sacerdotisa de Creta chamada Aia e em Magick em Teoria e Prática menciona uma encarnação Romana como um homem chamado Marius Aquila. Sem dúvida alguma, de todas essas coleções de experiências, uma das mais interessantes foi relatada por ele em seu diário da Tunísia em 8 de Agosto de 1923, as 5:55 p.m.:

Nesta tarde eu me surpreendi pensando em ‘quando eu era Cromwell’. Analisei em seguida: não há nada para se fazer em respeito a qualquer especulação de reencarnação. É simplesmente a mente de Aleister Crowley atuando espontaneamente como um Instrumento do Espírito da Humanidade. Eu considero este incidente aparentemente fútil como um dos atos de minha corrida espiritual através da imensidão.

Pela expressão ‘o Instrumento do Espírito da Humanidade’, Crowley se referia a Aiwaz, este incidente é mais uma indicação da íntima relação entre esta Inteligência e o homem Aleister Crowley.

Das inúmeras teorias sobre a reencarnação Crowley dizia:

A teoria heliocêntrica é correta. Assim conquistamos as condições de um Planeta, encarnamos sobre o Planeta seguinte anterior até que voltemos ao Pai de Tudo (o Sol); quando nossas experiências se dão em um ritmo organizado, isso chega a ser inteligível, e a estrela fala para estrela. A Terra é o último Planeta onde os corpos são feitos de terra; em Vênus são fluídos; em Mercúrio são etéricos; enquanto que no Sol são formados de Fogo puro.[44]

Em um escrito sobre Óxido Etílico[45] Crowley escreveu concernente a sua própria reencarnação:

A tradição assevera que nós nos esquecemos de prévias encarnações porque o shock da morte ergue uma barreira. Sem agredir esta teoria, direi que havendo entrado em mim mesmo para enfrentar a Morte sem alterações mentais, fui capaz de recordar minha última morte e assim recordei muitas memórias de minha vida como Éliphas Lévi; também, havendo superado o primeiro obstáculo, chegou a ser progressivamente mais fácil recordar vidas anteriores àquela. Esta hipótese está apoiada pelo fato de que encontrei dificuldade em recordar de meus erros mágicos e estou (em particular) ansioso inclusive agora (1923) para recordar os detalhes de uma tremenda catástrofe mágica de um passado remoto cujo efeito me acompanhou em uma série de encarnações nas quais eu fui um Iniciado Superior e das quais eu recordo muitos incidentes para escalar dolorosamente até meu presente estado. Há portanto e definitivamente uma lacuna em minha Memória Mágica, um estado de vergonha e horror no qual não fui capaz de desvelar.

Em Liber LXXIII, Crowley extende o tema:

Estive atado na catástrofe que alcançou a Ordem do Templo (O.T.O.), e como Alexandre Sexto, falhei em minha labuta de coroar o Renascimento, não sendo a causa disso completamente purificada em meu caráter pessoal. (Um erro espiritual aparentemente trivial pode ser exteriorizado como os crimes mais terríveis...)

Crowley recorda que foi:

Ko Hsüan, um discipulo de Lao Tzu e autor do Ch’ing-ching Ching,[46] o Clássico de Pureza; eu traduzi os versos para o inglês durante meu retiro.[47]

Um ingrediente peculiar e complexo parece ter caracterizado a maioria das ‘vidas’ recordadas por Crowley. Uma cadeia de incidentes grotescos, uma tendência de penetrar na vida profana de maneira muito sutil, e as vezes nem tão sutil assim, uma poderosa sexualidade acompanhada de muita perversidade. A vida de Alexandre VI[48] exibe, quem sabe, a manifestação mais extrema deste ingrediente que também fez de Edward Kelly um companheiro malogrado, de Cagliostro um fanático enigmático e de Lévi um astuto mentiroso.[49]

A tendência de Crowley para vida profana é notória. Ainda que na maioria dos casos, ele parecesse uma pessoa completamente diferente dos padrões anteriores como p.e. se uma pessoa estivesse em perigo eminente de vida, ele se tornava completamente amável e pronto a ajudar e servir.

De suas vidas anteriores emergiu um padrão de conduta sexual que obteve seu apogeu em Aleister Crowley. Àquelas vidas, me parece, foram necessárias para a formação de um sutil complexo psicossomático que formava o foco através do qual Inteligências extraterrestres como Aiwaz foram capazes de se comunicar com a humanidade. Ou quem sabe Aiwaz é a corrente energética que insidiosamente penetrava modificando cada encarnação e fazendo de cada uma um veículo perfeito para sua manifestação. Como já dizia Dion Fortune: “Os deuses são criados pela adoração de seus devotos”.

Crowley como o florescimento final desta corrente não era, estritamente falando, humano; ele foi um espírito cósmico gerado pela concentração massiva de energia mágica. Esta energia, concentrada e dirigida pelos iniciados dos Cultos de Mistérios mais antigos assumiram a forma ou reflexo de atavismos pré-evais[50] que coordenam e concentram a Verdadeira Vontade da humanidade na presente fase de seu desenvolvimento. Esta é a libido, a força sexual ou inconsciente no homem. Freud e sua escola tinham indícios desse fato mas o condenaram como destrutivo necessitando de sublimação. A psicologia, seguindo o Cristianismo neste aspecto, o considera como ‘o diabo’. Crowley como a encarnação da libido universal pareceu, portanto, ao psicólogos e cristãos como a encarnação do Diabo – interpretando este conceito sob a luz de seus respectivos credos.

Não é surpreendente que Freud (e até certo ponto Jung) buscasse rodear este atoladeiro além dos resultados de suas investigações, mediante a utilização de terapias disseminadas, para libertar a Verdadeira Vontade, senão para curar o indivíduo das enfermidades causadas pela libido. Mas estas curas servem – inclusive quando existem ‘êxitos’ – para fazer do paciente mais um insignificante andando por uma sociedade adoecida por séculos de condicionamentos catastróficos. Crowley e também, se assim posso dizer, Spare, que se referia a estes eminentes psicólogos como ‘Fraude & Desejo’, foram os primeiros em nossa sociedade moderna a realizar esta dificuldade, e como Wilhem Reich no campo da psicologia experimental, tiveram o valor de enfrentar o problema publicamente. Como Crowley assegura, AL contém o único e o supremo remédio com seu simples preceito, mas profundamente enigmático: Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

Uma quase total desconsideração do veículo físico e a habilidade de avaliar a Verdadeira Vontade de um individuo foram fatores marcantes na psicologia de Crowley. Constantemente lhe aconteciam problemas que ele atribuía ao fato de receber invariavelmente uma pessoa sob suas ordens e era surpreendido quando essa pessoa não cumpria com seu papel. Constantemente era dito que Crowley era uma pessoa de caráter fraco e duvidoso, e isso era verdade, contudo, tais críticas se perdem e não mostram empecilhos em contraste com o tema principal! Não era o ‘caráter’ que Crowley buscava avaliar nas pessoas. Ele somente estava comprometido com o núcleo ou ‘Particula-Hadit’ do individuo. No AL I:3 é declarado: “Cada homem e cada mulher é uma estrela” e Oswald Crollius – séculos antes do AL – observou que “em cada grão de trigo jaz a alma oculta de uma estrela”. Era a alma, estrela ou Kala com a qual Crowley estabelecia contato; se a estrela era obscurecida por nuvens e sua luz ofuscada pelos véus da personalidade ou ‘caráter’, então ele não tinha opção a não ser permitir que ela se chocasse com as circunstâncias adversas – a ignorância de sua Verdadeira Vontade – que havia invocado. Ocasionalmente, a colisão resultante destruía simplesmente as incrustações que obscureciam sua luz, mas em alguns casos destruía o veículo que havia encarnado.

Crowley ficava profundamente afetado quando o desastre auto-invocado alcançava aqueles que se retiravam da Obra; ainda que o conhecimento de que mais um véu havia sido rasgado e arrancado da superfície de uma estrela acabava com o afastamento ou perda de um amigo ou de uma companheira mágica. Esse é um aspecto de seu caráter que foi convenientemente inadvertido por seus detratores.

Não é de se surpreender que poucos estivessem preparados para resistir o pleno impacto da corrente que ele encarnava e transmitia. Ele era uma Central Elétrica completamente carregado de Energia Thelêmica. Meramente pela virtude de se encontrar com ele, ema pessoa poderia invocar Aiwass e acessar as células de poder oculto dentro de si mesmo. Crowley representa ou encarna uma faceta daquela consciência cósmica onde o homem pode encontra a si mesmo através do exercício sem obstáculos de sua Verdadeira Vontade.

Nos capítulos finais de Confessions, ele declara que já não era Aleister Crowley em virtude de sua última iniciação que dissolvera os últimos vestígios daquilo que uma vez houvera constituído a personalidade humana. A persona – Aleister Crowley – morreu na Tunísia em algum período entre o Inverno e a Primavera de 1923 e 1924:

Entre o Solstício de Inverno de 1923 e o Equinócio de Primavera de 1924, sofri uma Suprema Iniciação [...]. Naquele período foi necessário que eu me elevasse desde as mais tênues regiões do Ar Puro através de uma série de vastas cavernas de maneira que nada que fosse humano poderia passar possivelmente através das regiões de Fogo Puro. Para cumprir este ordálio era necessário que eu estivesse fisicamente exausto até o limite em que a vida continua. Foi-me proporcionado um guia. O guia era de uma classe espiritual que eu nunca houvera conhecido no completo curso de minhas explorações desde 1898[51] nos mundos que transcendem a matéria. Ele possuía a forma de uma raposa [...].[52]

O extrato está incutido no Memorandum on the Fox of the Balkans escrito por Crowley e copiado por Frater O.P.V. (Norman Mudd) em seu Diário Mágico de 20 de Outubro de 1924. Em seu próprio registro mágico em 21 de Fevereiro de 1924, Crowley aponta:

Aventuras nos reinos superiores do Ar. Com a ajuda do Espírito Raposa cuja ‘terra’ consistia em incomensuráveis cavernas – algumas de elo fino, mas todas em uma vastidão além da imaginação – eu entrei nas mais baixas esferas do Fogo.

E em 24 de Fevereiro:

Estou ligeiramente empenhado a realizar quantos – e quão toscos enganos estou limpando em meu Ascenso até a esfera do Fogo – ordálios forem necessários. Em particular, o ‘Amor invencível’ que Frater O.P.V. descobriu em mim até agora bastante ‘mitigado propositalmente’ e ‘livre do desejo de resultado’ fluindo livremente ‘sob vontade’ como deveria; agora portanto, sobre as águas florescem o Imortal Lótus de Pureza sobre o qual Hoor-paar-Kraat se assenta e aí sim resplandece o silêncio [...].
Agora estou completamente assentado na Esfera do Fogo no Empírico: nada mais pode ser descrito.
Foi um terrível ordálio, mas -
Disparo-me verticalmente como uma flecha e chego lá no Alto.
Mas é a morte a chama da Fogo.
Ascende na chama do Fogo, Ó minha Alma![53]

Tenho ‘de vir até aqui através de difíceis caminhos’[54] [...]. Sem dúvida meu próprio Sagrado Anjo Guardião acendeu dentro de mim mesmo ‘como uma chama pura sem azeite’ e ‘Eu estou completamente puro ante Ele, Sou Sua virgem até a Eternidade’.

Crowley resume o passo dos Pilares da Iniciação dentro da Zona da Serpente de Fogo. Ele transcendeu o Grau de Magus e renasceu como o Filho do Leão, depois ascendeu ao Grau de Ipsissimus através dos Pilares da Iniciação Final.

A Zona da Serpende de Fogo está Iluminada pela Luz Mágica ou Fogo Elétrico, Od (AVD = 11). Onze é o número da Magick ou da ‘energia tendendo a mudança’. O réptil Serpentino é Ob (AVB = 9). Nove é o número da Zona de Poder Lunar ou Yesódica. Ob é portanto a Sombra ou o aspecto obscuro da Serpente de Fogo (Kundalini) e a verdadeira Couleuvre Noire.[55]

O Aeon de Isis glorificava a Matéria, a Mãe, o Corpo; o Aeon de Osíris em negação ao corpo glorificava o Espírito. O equilíbrio destes extremos é efetuado pela realização da identidade entre a Matéria e o Espírito, Corpo e Mente, Mulher e Homem. Tal combinação ocorre através da ‘união apaixonada dos opostos’.[56] Isis e Osíris se combinam para produzir Horus que não é uma mera projeção ou reflexo de seus pais sobre o mesmo plano, senão a causa de seu irmão gêmeo Seth – oculto dentro dele – é uma projeção em uma dimensão mais além dos poderes de I e O (Isis e Osíris). Ocorre assim um movimento para fora na direção horizontal e para dentro na direção vertical.

O movimento da Serpente de Fogo é de uma natureza similarmente espiral. Zoroastro afirma em seus Oráculos que o Deus do Universo é ‘eterno, sem limites, jovem e velho, tendo uma força espiral’. No Livro de Thoth, a décima quinta chave[57] representa o Bode de Mendes, o Grande Deus Pã, a forma espiral cujos chifres ‘são uma alusão aos mistérios mais elevados e remotos’.[58]

A evolução progride espiraladamente. Neste sistema o ressurgimento periódico de atavismos durante o curso de seu deslocamento, repetindo-se ciclicamente em um arco de repetições cada vez mais amplas, profunda e proporcionalmente no estrato do subconsciente.

No Velho Aeon a ‘criança’ permanecia sobre o plano de sua geração e sua manifestação; nenhum outro progresso era possível através dos canais normais da evolução. No Novo Aeon, neste sentido, o Hierofante intercedeu ajustando e acelerando sucessos de acordo com o Grau de consecução possuído pelos Adeptos que aproveitaram as palavras vibradas pelos sucessivos Hierofantes. A humanidade é livre para aproveitar a Palavra do Aeon[59] e com ela avançar em direção a consecução da Consciência Cósmica; ou, alternativamente, voltar para trás, o que parece o curso normal da atualidade humana, e causar um cataclisma como aquele que submergiu a Atlântida.

A apoteose do Novo Aeon está em proporção direta com a habilidade daqueles que realizaram dentro de si mesmos as possibilidades cuja realização faz-se acessível a consecução da unidade com ‘deus’ Horus, i.e. a manifestação da Consciência Cósmica. Essa realização dissolve a ilusão de um universo existente independente do observador; não através da catástrofe que finaliza o ‘adormecido’, mas através do êxtase explosivo culminando na plena realização da continuidade da existência, independente da Matéria e do Espírito.

A Consciência Cósmica, objetivada no Tempo & Espaço, concentrada na imagem de Aiwass – ‘o primeiro deus que amanheceu sobre o homem na terra da Suméria’ – já que naquele período apareceu sobre a terra pela primeira vez um vislumbre da meta final da humanidade. Aiwass não é, portanto, o daemon, gênio ou anjo da persona de Aleister Crowley. O mistério desta identificação resolve a si mesmo pela identidade de relação. Podemos ou não conceber Aiwass em termos de nosso Caminho particular de Cultura Espiritual; entretanto, para o bruto Shakespeare não passa de uma fonte de verbosidade ininteligível da mesma maneira que os cálculos de Einstein permanecem obscuros para o ignorante.

O interjogo de Aiwass e Crowley não pode ser compreendido sem um entendimento da cosmologia do AL e de seus três protagonistas principais: Nuit, Hadit e Ra-Hoor-Khuit (Horus). Horus é o logos mágico – ou criança – de Osíris. Para expressar esta Palavra ou criança, Osíris tinha de morrer e permanecer inerte (mumificado) até que a gestação fosse terminada. O Osíris mumificado era conhecido no Antigo Egito como Osiris-tesh-tesh, i.e. Osíris envolto por vendas: ‘àquele que derramou lágrimas de sangue’.[60] A imagem de Osiris-tesh-tesh funde-se gradativamente na imagem de Isis grávida durante o período dos trabalhos internos do sangue que está carregado com Vida (prana). Essa imagem foi perpetuada pelos Gnósticos sob a forma de ‘execução sangrenta’ no Jardim de Getsemani. Naquele período o Cristo dos Evangelhos e a Charis dos Gnósticos eram idênticos, já que é na forma da mulher – de cabelos longos e gentil – que a imagem de Cristo fora primitivamente representada.[61] Osíris em sua execução sangüínea ou Isis envolta em linho, é o protótipo da Mulher Escarlate das posteriores recessões bíblicas do mito.

O sangue foi à base, a fórmula da operação mágica do Aeon de Osíris, assim como o sêmen é base da Operação Mágica do Aeon de Horus. O vermelho e o dourado ou simplesmente o vermelho dourado, é o emblema da Matéria e do Espírito no qual os antigos Alquimistas mesclavam sua Grande Obra. É a Matéria vivificada pelo Espírito que – a menos que esteja guiada pela fórmula do amor sob vontade – é meramente a expressão do princípio reprodutivo. Há que se introduzir uma nova dimensão, a dimensão da Vontade do Adepto que é suficientemente poderosa para imprimir sua imagem subconsciente sobre o menstruum passivo – o sangue frutificado. O processo está explicito no preceito das onze palavras do Culto de Thelema: Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei e em seu corolário: Amor é a lei, amor sob vontade.

A primeira metade desta fórmula dissolve as três substâncias alquímicas: Enxofre, Sal e Mercúrio. O elemento passivo, Sal, refere-se particularmente ao sal da terra que é a primeira rubrica Natural sobre a vida: sangue. O sangue é a vida, mas só quando está fertilizado pelo princípio ativo representado pelo elemento ativo do Enxofre. Ainda sim esta combinação não produz nada mais elevado ou inclusive de uma ordem diferente dos princípios encarnados pelo Sal e o Enxofre.

Eles devem ser combinados explosivamente sob vontade para efetuar a mutação apropriada. Sua conjunção explosiva está simbolizada por Mercúrio que é cifra secreta da Vontade Mágica. O Mercúrio é a Kundali-shakit que compreende as Serpentes eletro-sexuais[62] enrodilhadas na baqueta do Mago como no Caduceu de Mercúrio, i.e. Thoth.[63]

Isto está em concordância com o AL, pois Enxofre, Sal e Mercúrio são as três gunas do Hinduísmo, Rajas, Tamas e Sattva. Respectivamente, Fogo, Terra e Éter ou Espírito Puro. Em Thelema: Nuit, Hadit e Ra-hoor-Khuit (Isis, Osíris e Horus).[64]

Somente a consciência de um verdadeiro Adepto pode sobreviver ao ‘fim do mundo’ ou a ‘uma mudança de aeon’ que ocorre como um dilúvio, conflagração e etc. Nos mitos da Atlântida esta alusão é feita a certos tipos de iniciados que sobreviveram à catástrofe. Para tal iniciação, ‘Semente de Aarão’. É imaterial que a ‘tribo’ está implicada pelo simbolismo imaginário destes mitos; Matéria resta Matéria e Espírito resta Espírito:

Ele que é justo deverá ser justo sempre: os escravos deverão servir. Não há nenhum que deverá ser lançado abaixo ou erguido completamente: tudo é como sempre foi.[65]

A Iniciação faz uma fusão entre a Matéria e o Espírito em uma unidade transcendental que não compartilha de todas as qualidades de um ou outro. Como Crowley observou em seu Diário Mágico de 1932: “A Iniciação não é nunca o que você acredita que vai ser”. O processo está descrito em Liber Aleph.[66] A Iniciação é a aprovação, na esfera do Ruach,[67] da explosiva união dos opostos que é a característica particular do Aeon de Horus.[68] Mediante a repetidas uniões de idéias iguais e opostas, desenvolve-se uma nova faculdade na consciência devido ao processo do despertar da Serpente de Fogo.

A finalidade de purgar a consciência das polaridades sexuais do Espírito e da Matéria é o de chegar a um estado constante de dharana que prepara a consciência para conservar seu equilíbrio no deslocamento da iniciação característico ao samadhi. Crowley freqüentemente afirmava no perigo da iluminação para a mente profana. Os caminhos ocultos e místicos estão salpicados de naufrágios ocasionado pelo despreparado. Até que cada idéia, conceito, ou pensamento não tenha sido unido e aniquilado por seu oposto, até que cada partícula de pó tenha sido varrida do Santuário e até que cada gota de sangue não tenha sido derramada no Cálice de Babalon, o samadhi não estará isento de perigo. Uma partícula, uma gota, uma simples idéia mal resolvida será inflamada e ficará completamente fora do controle e atuará como um relâmpago condutor para o total de energia iluminadora, a qual é, inclusive nos transes inferiores, devastadora. O ego escapa buscando refúgio da inundação da luz que ameaça dissolvê-lo e incubado na sua menor partícula, perpetua por toda iniciação. O resultado é a obsessão e o aspirante não se converte em um Adepto, senão em um malogrado fanático pelo poder que imagina ser a Iniciação Suprema. Em seu demente fervor ele se considera o mais resplandecente e crê que sua Consecução é a maior já obtida por qualquer iniciado. Ele vê as idéias anteriores irreconciliáveis em todos os sentidos e determina de maneira fanática que todos devem encarar o universo sob a luz de suas próprias perspectivas desequilibradas. Não tardará muito tempo em se encontrar com dificuldades das quais a loucura é somente uma sombra.

Para compensar estes desastres são impostos aos candidatos rigorosos ordálios para as mais elevadas iniciações. Alguns deles são apontados no AL.[69] Crowley e sua Mulher Escarlate, Alostrael,[70] não instituíram conscientemente estes ordálios exceto em casos irregulares[71] e particularmente poucos dos tipos mais drásticos foram projetados pessoalmente por Crowley. Em uma carta a Frater O.P.V. (Norman Mudd) ele escreveu:

A linha de conduta de Alostrael foi colocar cada recém chegado o ordálio de ter o contato pessoal comigo. Se ele saísse bem era um Rei.

Os ordálios fictícios, como aqueles em que o candidato passa na Maçonaria, foram reconhecidos por Crowley como inúteis. Escrevendo a um aspirante em 1925, Frater O.P.V., em nome de Crowley escreveu:

Toda Iniciação deve começar com um ato de Verdade – um ato que afirme a fé do aspirante em que o êxito da Grande Obra é de uma ordem superior a qualquer outra meta possível. É portanto uma regra absoluta nesta Obra que cada aspirante esteja obrigado, desde o principio, a tomar uma importante decisão, Sim ou Não, no instante, sem a adequada informação e sem segurança. A adesão à escravidão até a segurança deve ser destruída de maneira simples. Esta é a principal necessidade, e o primeiro ordálio está em direção para sua produção. Deve ser entendido claramente que a menos que tal prova tenha sido concluída sem máculas, a porta está fechada para sempre. Nenhuma proposta para restaurar a situação será considerada.

Outra carta do mesmo período, também escrita por Frater O.P.V. em nome de Crowley contém as seguintes informações:

É portanto uma regra absoluta nesta Obra o estabelecimento do Reino de Heru-ra-ha,[72] que se requer que todo aspirante, desde o início, tome uma decisão importante e dê um passo irrevogável sem a informação necessárias para sua segurança. A adesão à segurança de uma maneira ou de outra é a marca do escravo. O romper disto de uma maneira simples e completa é uma necessidade primária; e o primeiro ordálio está em direção a este fato.
Deve ser compreendido claramente que a menos que a prova – como o Sacerdote dos Príncipes, a Besta 666,[73] prescreva – deve ser passada imediatamente. Se não é assim, a porta da iniciação esta fechada para sempre no curso da atual encarnação.

Havendo sido aceito ou – mais corretamente – havendo demonstrado que é um Rei[74] graças à superação dos ordálios com êxito, então chega a ser imperativo para o candidato iniciar outras pessoas. Para este fim, a completa e complexa estrutura da O.T.O., com seus Mistérios culminando na Magick Ofidiana, foi transformada por Crowley de uma Ordem apenas distinta de muitos corpos maçônicos em uma Poderosa Máquina de Guerra alimentada pela Corrente 93. Alguns dos maiores mistérios da O.T.O. sob a fórmula da Magick do Novo Aeon são discutidos no próximo capítulo.




[1] AL é a forma abreviada deste título e que tem sido adotada para indicá-lo neste livro.
[2] Thelema e Ágape são palavras Gregas que significam Vontade e Amor. Elas são qabalisticamente equivalentes à numeração de 93 que também é o número de Aiwaz, a Inteligência Præter-Humana que transmitiu o AL a Crowley. Amor sob vontade é a fórmula dinâmica de Thelema que é denominada como a Corrente 93.
[3] Eles se encontravam em lua de mel.
[4] I.e. a abertura do ano quando a Corrente da Primavera, representada pela constelação de Áries, ‘acorda’ após seu sono de inverno.
[5] No Liber 356 Crowley observa que “Aquário é um signo intercambiável com Escorpião”, que é de grande significado em conexão com a fórmula da Mulher Escarlate. Ademais, Crowley enfatiza a afinidade do Planeta Urano com Escorpião. Veja Aleister Crowley: The Complete Astrological Writings.
[6] Para a explicação mágica desta mudança de colurio, veja Capítulo 3.
[7] Frater Achad p.e. declara o início da Era de Aquário em 2 de Abril de 1948.
[8] ‘Vede! os rituais do velho tempo estão sombrios. Deixai aqueles nocivos serem abandonados; deixai aqueles válidos serem clarificados pelo profeta! Em seguida deverá este Conhecimento prosseguir acertadamente.’ (AL, II:5)
[9] Veja A Corrente 93 & o Culto do Deus Interno, Capítulo 4, para um relato mais preciso dos Aeons.
[10] Veja Capítulo 3.
[11] Na realização que é una com o espírito.
[12] Publicado pela O.T.O., Londres 1936. Aiwass, em uma variação de sua deletração, soma 418, o número da Grande Obra.
[13] Um termo usado para assinalar a encarnação em um homem da consciência cósmica da qual a Verdadeira Vontade (Thelema) é a expressão mundana.
[14] Argentum Astrum (Estrela de Prata). A Grande Fraternidade Branca da qual, segundo Crowley, Aiwass é o cabeça.
[15] Conhecido como The Blue Equinox ou The Eleventh Equinox. Foi o primeiro a aparecer depois dos dez números anteriores publicados vários anos antes.
[16] Publicado como Liber LXXI. Setenta e um é o número de LAM, uma palavra tibetana que significa ‘deus’ ou Inteligência Extraterrestre; também, ‘caminho’. A Voz do Silêncio foi escrito por H.P. Blavatskk, a qual foi reconhecida por Crowley como uma 8°=3 A\A\, i.e. Mestre do Templo da Estrela de Prata. O Mestre do Templo é designado pela fórmula 8°=3 que emprega as energias mágicas de Mercúrio e Saturno (i.e. Thoth e Seth) envolvidas em sua iniciação.
[17] O retrato de Lam.
[18] A forma caldeia do Deus Egípcio Seth. Veja Capítulo 3.
[19] Capítulo II, verso 26.
[20] Nuit, o complemento de Hadit. No simbolismo Egípcio ela é representada como uma grande deusa arqueada sobre a terra, seu corpo está cheio de estrelas (i.e. almas).
[21] Usado após a morte de Crowley por Karl Germer, U.S.A.
[22] Veja também The Magical Record of the Beast 666.
[23] I.e. a Obra de estabelecer sobre a terra o culto do amor sob vontade (Thelema).
[24] Literalmente, ‘Seu próprio Ser Puro’. O Grau correspondente ao título é o mais alto Grau espiritual possível ao homem. Ele está representado na Ordem da Estrela de Prata (A\A\) pelo fórmula 10°=1. Refere-se à identidade de Malkuth e Kether na Árvore da Vida e que nos sistemas orientais representa a realização da identidade do Sansara e do Nirvana.
[25] O Grau da A\A\ em que o Adepto entra em contato com o Sagrado Anjo Guardião, i.e. conhece sua Verdadeira Vontade ainda que não esteja completamente de posse dos instrumentos necessários ou faculdades para sua aplicação. Nesta fase de seu processo espiritual ele é conhecido como um Adeptus Minor 5°=6 A\A\.
[26] Veja a introdução do The Magical Record of Beast 666.
[27] Este livro foi incorporado por Crowley em suas Confissões.
[28] A Existência Contínua da Alma Realizada (jivanmukta) em corpo e mente; uma existência que não é aparente por mais tempo ao jivanmukta (já que é ilusória) mas que parece longa ao mundo pela continuação da ação, pensamento, vida e etc.
[29] Comunicação com entidades desencarnadas.
[30] Frater Per Terra Ad Astra, o mote mágico de Louis Umfraville Wilkinson, novelista e amigo íntimo de Crowley por toda sua vida.
[31] Abadia de Thelema em Cefalù, Sicília. Veja The Confessions of Aleister Crowley.
[32] Marjore Cameron foi casada com Frater 210, John W. Parsons, que foi – o quarenta e nove – cabeça da O.T.O. na Califórnia. Para detalhes sobre sua relação com Cameron e sua catastrófica morte, veja Kenneth Grant, O Renascer da Magia (Madras, 1998).
[33] Marjorie Cameron em uma carta secreta a Soror Estai (Jane Wolfe) em 22 de Janeiro de 1953.
[34] Veja The Cephaloedium Working liderado por Crowley em 1921. Publicado na revista Mezla (nos. 4 e 5) por Janice R. Ayers e David L. Smith, O.T.O., Nova Yorke, 1974.
[35] Citado por W.B. Seabrook em seu Aventuras na Arábia. Veja também Os Yezidis, traduzido por G. Furlani com introdução e notas de Michael Magee.
[36] Capítulo 7.
[37] Quando Osíris foi assassinada por Seth e cortado em quinze pedaços (uma referência a natureza lunar do mito), Isis recuperou todos os pedaços, exceto o Falo, que permaneceu perdido até que Horus o descobriu e o repôs no seu lugar correto, a vulva de Isis. Para uma interpretação iniciática desse mito veja A Corrente 93 & o Culto do Deus Interno.
[38] O retrato deste daemon por Austin Spare aparece no Renascer da Magia (Grant), Madras, 1998.
[39] To Mega Therion, i.e. A Grande Besta: Crowley.
[40] Entrada em Junho de 1930.
[41] Crowley em seu comentário de AL, III:20. Veja Os Comentários Mágicos & Filosóficos do Livro da Lei.
[42] Veja Capítulo 3.
[43] Opus Litelantum, 1914. Um Trabalho Mágico desenvolvido com Victor Neuburg e outros.
[44] Cp. Éliphas Lévi: “No Sol nos recordamos; nos Planetas nos esquecemos”. A citação se encontra no Diário Mágico de Crowley de 1923.
[45] Seção 3, parágrafo 14 (não publicado).
[46] Uma pequena edição privadamente impressa deste trabalho foi publicada por Crowley por volta dos anos ‘trinta’; não aparece data. Cada cópia continha um desenho de Crowley.
[47] Uma referência do Grande Retiro Mágico de Crowley em 1918. Veja The Confessions.
[48] Segundo Crowley, o Papa Alexandre VI, teve uma filha depois de sua morte. Ela foi uma ‘magista negra’ de grande proeminência que fora queimada na inquisição por Julius II.
[49] Lévi publicou deliberadamente as Chaver do Tarot na seqüência equivocada, ainda que o mesmo estivesse completamente familiarizado com a seqüência correta e iniciática.
[50] I.e. imagem não humana ou zoomórfica: A Besta.
[51] Em 18 de Novembro de 1898 Crowley foi iniciado na Ordem Hermética da Aurora Dourada. Ele tomou o mote mágico de Perdurabo: ‘Eu Perdurarei até o fim’.
[52] A raposa ou Fenekh é um símbolo de Seth. É um símbolo das sombras no plano astral e de um fantasma ou súcubo em uma de suas formas.
[53] Liber Liberi vel Lapidis Lazuli (Liber VII). Uma Publicação em Classe ‘A’ dos Livros Sagrados de Thelema. Veja Magick, Apêndice I, para uma lista completa de todas publicações e Classes da A\A\.
[54] Ibid.
[55] Culto da Serpente Negra. Veja Capítulos 9 e 10.
[56] Ver o capítulo sobre a Energia em Pequenos Ensaios em direção à Verdade, por Aleister Crowley (O.T.O., Londres, 1938).
[57] A décima quinta chave, ou atu, é intitulado O Diabo. Veja A Corrente 93 & o Culto do Deus Interno, Figura 11.
[58] Aleister Crowley n’O Livro de Thoth descreve o Atu XV.
[59] Segundo Crowley a palavra do Aeon é Abrahadabra e seu número é 418, a Grande Obra: a unidade do microcosmo e do macrocosmo, i.e. a consecução humana da Consciência Cósmica. Mas veja o Capítulo 8 onde relato a asserção de Frater Achad de que Crowley falhou em pronunciar a ‘Palavra do Aeon’.
[60] Gerald Massey, Ancient Egypt.
[61] Ibid.
[62] Wilhelm Reich demosntrou a indentidade entre a energia sexual e a bio-elétrica: Veja A Função do Orgasmo, p. 12.
[63] Veja diagrama no Capítulo 2.
[64] Em The Djeridensis Working, Hadit é comparado com a Kundalini, a fonte secreta da Magick. O incenso de Nuit se define como ‘fragrância vital e fluída’. Ra-Hoor-Khuit é o perfume mágico combinando a ação destas duas forças. Veja The Magical and Philosophical Commentaries on The Book of the Law, 93 Publishing, Montreal, 1974.
[65] AL II: 57 & 58
[66] Cap. 20-22.
[67] As faculdades intelectuais de raciocínio.
[68] O mecanismo deste processo é idêntico ao processo psico-sexual usado nos Graus mais altos da O.T.O.
[69] AL I:50 e III: 62-7.
[70] Leah Hirsig.
[71] Veja Confessions para os ordálios de Victor Neuburg.
[72] I.e. Ra-Hoor-Khuit ou Horus.
[73] Aleister Crowley; a terminologia é derivada do AL.
[74] Aquele que encontrou sua Verdadeira Vontade e consagrou sua vida ao cumprimento dela.

Um comentário:

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