segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Ritual da Estrela Nu-Isis




Para Invocar a Corrente 93 e as Energias Transplutonianas de Nu-Isis


Fernando Liguori


0. No centro do Círculo Mágico, de frente para o Norte.1

1. Faça a Cruz Abraxaz: Eleve os dois braços pela lateral do corpo. Una as mãos em cima da cabeça e vá descendo-as vagarosamente até a altura do tórax como em um gesto de oração. Enquanto realiza este procedimento, vibre Iao.2

2. Ainda, de frente para o Norte Estelar, mantenha as mãos unidas na altura do tórax. Os braços formam um ângulo de 45º graus. Vibre: Sabbaoth.3

3. Cruze os braços sobre o tórax, palmas abertas, pontas dos dedos tocando os ombros, cabeça erguida. Faça o Sinal Estelar de Nu-Isis sobre si mesmo.4 Visualize a kuṇḍalinī como o shin flamejante subindo da base da coluna, do mūlādhāra-cakra ao anahāta-cakra. Enquanto o faz, inspire e vibre silenciosamente o mantra AUṂ.5

4. Visualize a Corrente Ofidiana da Kundalini como o shin flamejante subir pela coluna do anahatacakra até o vishuddhacakra. Realize o Sinal de Horus, em direção ao Norte, enquanto vibra com intensidade o mantra HA!6

5. Faça o Sinal de Roor-paar-Kraat (chamado de Sinal do Silêncio). Como anteriormente, realize novamente o Sinal Estelar de Nu-Isis. Visualize o shin flamejante subir do viśuddha-cakra ao ājñā-cakra. Em profunda concentração, visualize-se no centro da Estrela Flamejante do Rubi Estelar. Esta estrela, no centro da vesica piscis, é abraçada pelas asas do abutre que emite seu choro.

6. Vá até a extremidade do Círculo Mágico, frente ao Norte, com o dedo polegar7 direito entre o dedo indicador e o médio, trace o pentagrama da Luz Estelar de Nu-Isis:
Faça o Sinal de Horus e vibre: NUIT. Faça o Sinal de Lilith seguido pelo Sinal do Silêncio.

7. Gire no sentido anti-horário até o Leste8 e trace o pentagrama como anteriormente. Faça o Sinal de Horus e vibre: THERION. Faça o Sinal de Baphomet seguido pelo Sinal do Silêncio.

8. Gire no sentido anti-horário até o Sul9 e trace o pentagrama como anteriormente. Faça o Sinal de Horus e vibre: HADIT. Faça o Sinal de Tifon.

9. Gire no sentido anti-horário até o Oeste10 e trace o pentagrama como anteriormente. Faça o Sinal de Horus e vibre: BABALON. Faça o Sinal de Ishtar seguido pelo Sinal de Silêncio.

10. Gire no sentido anti-horário até o Norte.11

11. Frente ao Norte, faça o triplo sinal de Tifon: primeiro o Sinal de Horus ou Entrante. Aqui pronuncie a Palavra do Aeon.12 Faça o Sinal de Hoor-paar-Kraat ou Silêncio. Assim a Corrente 93 é concentrada e fixada na aura do magista. Faça o sinal de Seth-Tifon.13 As quatro Estrelas de Nuit devem aparecer flamejantes nos quatro quadrantes.

12. Ainda, de frente ao Norte, trace duas vezes o hexagrama: acima da cabeça e abaixo dos pés, visualizando uma coluna de energia erguendo-se do chão até o espaço, formando assim uma grande parede energética.

13. A Luz Estelar de Nuit pousa acima, cintilante e arrebatadora, descendo diretamente até o centro da terra, nutrindo a secreta semente que nascerá do útero de I.S.I.S.14

14. Em silêncio, faça novamente o Sinal Estelar de Nu-Isis. A consciência é, aqui, concentrada completamente no anahatacakra.

Considerações acerca do Ritual da Estrela Nu-Isis.

O primeiro movimento, que culmina na assunção da Forma Divina da Criança de Isis (pelo Sinal Estelar de Nu-Isis) declara a Árvore do Conhecimento existindo abaixo, atrás ou do lado esquerdo da Árvore da Vida (o Adepto) que se estende para cima em direção à eternidade e ao infinito.

A ‘Criança Mágica’, a ‘Criança Alquímica’ ou homúnculo, e a ‘Criança Coroada & Conquistadora’ de Thelema são expressões que se referem não a qualquer criança humana, mas sim a fórmula mágica do Horus Antigo ou Horus o Grande, i.e. Seth, o Gêmeo Negro do Amsu-Horus.15 Novamente, o ‘Bebê do Abismo’, a ‘Criança de Isis’, são expressões que incorporam a noção do homúnculo mágico ou anão, o gnomo, a deidade aleijada e corcunda16 – a energia solar no Amenta, a Casa do Deus Oculto. Ele é representado por uma criança porque, como uma criança ele possui o potencial de ambos os sexos. Esta deidade oculta é o totem andrógeno dos Mistérios Maiores refletidos nos Menores. Os habitantes de Amenta são os mortos mumificados esperando para ascenderem como Horus ou voar como o falcão dourado da escuridão da terra. A criança ou bebê levanta-se de um mundo invisível e é um símbolo daquele mundo.

O Ritual da Estrela Nu-Isis, contém a fórmula viparita do Pentagrama, cuja formulação reversa evoca forças de fora ou detrás da Árvore da Vida. O Ritual da Estrela Nu-Isis,17 é o método secreto de deslacrar os túneis e de abrir os portais que admitem aquelas forças. Ele é utilizado em qualquer um dos Graus que compõem o Soberano Santuário da Gnosis, i.e. os Graus VIIIº, IXº & XIº O.T.O. Estes Graus incorporam operações psico-fisiológicas de magia sexual. Ainda, estes Graus comportam fórmulas de controle onírico relacionadas aos três estados de consciência: jagrat (estado de vigília), swapna (sonho) e suśupti (sono sem sonho). Os Adeptos da O.T.O. são portanto Adeptos do Controle Onírico em suas formas mais elevadas.

O VIIIº O.T.O. comporta o sujeito e seus sutis objetos relevantes aos pensamentos, fantasias, sonhos, sendo tipificado pelas Estrelas e o Olho-Estelar da Deusa. O IXº O.T.O. envolve o sujeito e o objeto, e está relacionado com o estado de vigília. Ele é tipificado pelo sol e pela lua. O XIº O.T.O. é o Portal que abre os espaços transplutonianos tipificados pelo estado sem forma do sono sem sonho atribuído ao cão negro (Plutão).

O magista que é um Adepto do controle onírico e da arte da mágica discriminação será capaz de detectar na consciência, em qualquer momento, seu corrente estado operativo, orientando suas operações em concordância com o nível detectado. Este é um estágio avançado na iniciação e demanda um alto grau de consciência ativa combinada com sua forma passiva a fim de refletir precisamente a imagem invocada pela mente. Por meio desta fórmula, contatos diretos e imediatos podem ser estabelecidos com as radiações transplutonianas de Nu-Isis. Estas radiações irão se manifestar como entidades eletromagnéticas via o Portal do IXº. Tais entidades são conhecidas como as Crianças de Isis e seus zootipos são as borboletas. As Crianças de Isis raramente interceptam ou se emaranham com almas terrestres, somente um Adepto é capaz de fazer uma ligação concisa o suficiente para incorporar suas radiações. É necessário uma técnica apurada na assunção da Forma Divina do zootipo das Crianças de Isis a fim de manifestar sua presença. Este é o trabalho da Loja Shaitan-Aiwaz: preparar Adeptos para o mágico estabelecimento destas Forças. É pelo confinamento de Osiris, governante do Amenta,18 na yoni da sacerdotisa, que se dá o nascimento da Criança de Isis.

A Criança de Isis, a Nova Sexualidade, a Tumba da Concentração, são termos familiares aos Adeptos da Tradição Draconiana, assim como os conceitos dos Saltadores dos Caminhos Retrógrados. A influência destes conceitos fluem atualmente pela Loja Shaitan-Aiwaz,19 Culto Zos-Kia,20 e pela La Couleuvre Noire.21

As estrelas nos quatro quadrantes são a manifestação da fálica luz Aur que equilibra as serpentes duplas, Obi. O pentagrama é um símbolo de poder e de defesa, além de transmitir a força marcial através de seu traçar. Representa o homem como microcosmo e é por excelência um glifo do poder feminino. Eles devem ser traçados com muita concentração e é requerida uma visualização potente. O traçar dos pentagramas deve ser o maior possível. Melhor seria se ele atingisse suas extremidades no mūlādhāra-cakra e no sahasrāra-cakra. Eles devem ser visualizados em chamas escarlates e douradas.

Este ritual não estabelece guardianias como p.e. o Ritual Rubi Estrela (ou Ritual da Estrela de Sangue). Os Adeptos Draconianos, em suas operações com os Túneis de Seth, não formulam guardianias, posto que seu Círculo Mágico, nestas operações, não representa uma proteção propriamente dita – ainda que represente o estado de vigília ou a consciência desperta do Adepto – mas sim um Portal de ingresso e egresso de Forças que se encontram do outro lado dos Círculos do Tempo & Espaço. Geralmente, os Círculos nestas Operações representam Daäth e são traçados com onze pontas.

O Hexagrama Unicursal deve aparecer acima e abaixo do magista. Ele forma assim o piso e a abobada do Palácio de Luz do Sagrado Anjo Guardião, se estendendo ao infinito como o Falo Espiritual. O Hexagrama é uma representação do Homem espiritual, i.e. o macrocosmo. Assim, o homem, 5 (Pentagrama), unido a Deus, 6 (Hexagrama), forma o 11 (onze), o número de todos aqueles que seguem Nuit, pois este é o número da Magia ou Energia tendendo a Mudança, daí, transformação ou mágica transmutação.

A imagem dos Pentagramas de Nu-Isis é estabelecida nos quadrantes, formulando assim 20 marcações no total. 20 é o número do marma Kaph, que se manifesta na matéria através de seu movimento giratório. A Dupla-Baqueta Fálica do Sagrado Anjo Guardião é estendida acima e abaixo do magista, simbolizando as 12 marcações do Hexagrama macrocosmico. O Khabs (Estrela) ou Ente-Anão é estabelecido no Khu em sua mágica ressurreição do corpo.

O magista assim se encontra em um Palácio de Pedras Estelares de 32 marcações que simbolizam toda a Árvore da Vida. Quando a consciência é recolhida em uma única marcação, e a Luz é absorvida no secreto Olho de Tifon, então o 33º Portal de Daät é aberto. A sombra da Árvore cessa sua manifestação ao magista que neste momento se encontra em suas próprias trevas. Então a Besta “que é o fim que ainda não é”22 multiplica a si mesma em sua própria imagem erguendo-se como a Torre Fulminada que é o Falo de Seth.23 O abutre, nos pináculos de seu poder cessa seu choro ante os Nomes de Deus e a blasfêmia do homem não mais existe.

Tudo é esperado no dia do Julgamento ante o Senhor do Aeon, Horus! Pois o Olho a tudo devora enquanto o devorado é Não!



Notas

1. Aquário – Nuit.

2. IAO = 17, o número da Dupla-Corrente separada pelo poder da e-S-pada, i.e. Zayin. 17 é o número de GDI, ‘Capricórnio como o Bode’. Ele também é o Número da Estrela de Nuit, pelo Tarot, o (final) do Tetragrammaton ou a Filha (Mâ) do Culto de Maät.

3. Pronúncia: SABAO. A palavra enumera 374, a fórmula mágica das irradiações infernais (i.e. subconscientes) pela Corrente 93, portanto “Existe um esplendor em meu nome oculto e glorioso, como o sol da meia-noite é sempre o filho.” (Liber AL vel Legis, III:74.) O gesto que acompanha esta vibração mântrica cruza o anahāta-cakra (no sistema hindu) ou Tiphereth (no sistema qabalístico) é amplificado e informado por Neschamah (o aspecto mais elevado ou divino da Luz Astral no homem). As Qliphoth ou ‘cascões diabólicos’ são esmagados no nada pela força da Vontade. Os Sete Palácios são Santificados.

4. Este gesto concentra a Luz ou Aur de Nu-Isis internamente. Este é o sinal do pentagrama, da virgem, do eremita perfeito ou da alma que ascende. Este sinal é feito sobre o próprio corpo do magista ou sobre o Altar da Arte (onde se encontra o Material Base) nas Operações Herméticas. Ele simboliza as seis direções no espaço e existe uma correspondência com o 13º Caminho, gimel, na Árvore da Vida. Este gesto forma o símbolo chamado labarum; nos tempos antigos, este era o símbolo sumeriano da deusa-celeste, Anu.

5. AUṂ é o mantra semente do universo. É a penúltima palavra do AL vel Legis (III:75). Ele enumera 47, o número atribuído à genitália feminina e, por permutação qabalística, 47 = 74, o número de od, significando ‘eternamente’. Od é uma forma alternativa de Aud, a Luz Estelar de Nuit transmitida por qoph, o marma localizado na parte de trás da cabeça (veja Kenneth Grant, Cultos Sombrios, Cap. 1 e Fernando Liguori, Qabalah Draconiana #2). A referência pode ser interpretada como a continuidade de Nuit revelada através de suas estrelas, almas iluminadas ou kālas.

6. Ha = 6, vau, o falo, a luz de Aur (207) que divide e equilibra a serpentes gêmeas da luz Aub ou Obi, a corrente astral; assim a Luz Estelar ou Aud é realizada através de Coph Nia (veja AL vel Legis III:72).

7. Note que o polegar = Espírito; 1º dedo = Júpiter/Água; 2º = Saturno/Terra; 3º = Sol/Fogo; 4º = Mercúrio/Ar. O polegar é sempre colocado entre o primeiro e segundo dedos para se traçar sigilos ou sinais no aether.

8. Leste, Touro. O corpo ou a imagem da Besta se erguendo.

9. Sul, Leão. Hadit ou o Deus Oculto nas profundezas do submundo ou Túneis de Seth.

10. Oeste, Escorpião. A Mulher Escarlate ou a Alma Elemental da Natureza.

11. Fazendo assim três voltas e meia no total; a ‘quadratura no círculo’ pelo poder de Marte, a kuṇḍalinī ou Força Oculta.

12. Concentrar internamente toda a força e energia do ritual, sendo o magista cuidadoso em não impor sobre ela sua vontade, desejo, imaginação ou razão. Assim, a Corrente 93 é invocada pela emissão de uma silente vibração que atravessa, jaz e vai além do magista. Então, é sobre uma bela e jovem virgem na fonte da primavera que a Palavra é obtida. Esta virgem deverá ser beijada e abraçada repetidamente antes que a Palavra nasça das silentes profundezas.

13. O divisor da dupla Luz Obi, quem se auto-impinge e se ergue, assim o mágico Aud é realizado para redimir a terra.

14. I.S.I.S.: “Infinite Space, and the Infinite Stars”. AL vel Legis, I:22.

15. Veja O Livro dos Mortos.

16. Compare Kṛṣṇa, o Negro ‘curvado sob três lugares’, o som cuja flauta simboliza o mantra OṂ \ - atribuído às três voltas e meia da Serpente de Fogo.

17. Porque 5 (o Pentagrama) é o número da Mulher; 25 (5x5) é a mais completa expressão de sua fórmula.

18. I.e. o Exterior ou Subconsciente.

19. Uma Célula da Ordo Tifonianna Occulta, formulada por Fr. Asvk-Aivaz, 718 ‘.’ em 2003.

20. Formulado por Austin Osman Spare e Kenneth Grant em 1948.

21. Culto da Serpente Negra, uma Ordem Oculta cujas técnicas jazem no âmago do Vodu Gnóstico.

22. Revelações, XVII:8.


23. A Besta conhecida nas Tradições Orientais como Īśvara e Māyā.

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