sábado, 18 de outubro de 2014

Toda Ação produz uma Reação Mágica



Fernando Liguori


Extrato do texto «As Leis da Magia», no prelo.


Ao contrário da crença popular, a magia acontece naturalmente o tempo todo. Nesse caminho, ela funciona como a Terceira Lei de Newton que diz que todas as ações produzem reações. Portanto, o magista percebe que tudo o que ele faz produz um resultado.

A não compreensão deste teorema produz tangenciais e falhas na magia. O estudante passa a noite toda dentro de um templo executando um ritual. No dia seguinte, ele passa o tempo todo pensando em ideias opostas ou tendo atitudes contrárias ao resultado esperado do ritual. Nessa direção a falha é eminente. Isso ocorre devido ao comportamento desordenado da mente. Uma mente concentrada atua o tempo todo vibrando o saṅkalpa[1] do ritual.

O exemplo acima do aleijão demonstra esse fato. No período em que esteve próximo a O.T.O., ele decidiu construir um templo atrás de sua casa. Desocupou um quarto de entulhos e lá estabeleceu sua Kiblah. Ele era aficionado com a ideia de ganhar dinheiro através da magia. Como não possuía estrutura física ou energética para executar uma operação goética – e instruí-lo nesse caminho seria um verdadeiro tiro no pé –, lhe ensinei um ritual astrológico simples. Ele deveria operar na casa de Touro, no dia de Júpiter, carregando um sigilo para esta finalidade através da magia monofocal do VIIº, em qualquer dia da Lua Crescente. O relatório da operação apontou muitos procedimentos equivocados, mas fora as falhas na execução do ritual, seu maior problema era sua mente. Descrente de si mesmo e de vontade pífia, ele passava o dia preocupado e aflito com suas contas, desejoso de mais dinheiro e sentindo pena de si mesmo. Quando não eram os problemas com a falta de dinheiro, sua mente desperdiçava energia em intrigas familiares e guerras mágicas. Até que um dia ele me disse: «Estou praticando esse ritual faz três luas e nada aconteceu ainda, ele não dá certo, a magia que você me ensina não tem resultado». Lembro-me da resposta que dei: «Na verdade N, não preciso te ensinar magia. Quem diz ensinar magia está enganando ou está sendo enganado. Magia é algo que não se ensina. Ela vem de dentro e se não vem, não é magia de verdade. E não se engane, a magia que você pratica dá certo sim! Você passa o tempo todo envolvido com guerras mágicas, intrigas, fofocas e negatividades que isso se manifesta na sua vida na forma de seus maiores obstáculos. Sua mente é negativa. Então não coloque a culpa na magia ou no ritual. O problema é sua mente, não a magia».

Pensando assim nós poderíamos dizer que todas as pessoas são magistas naturais. Mas isso não é real. A diferença entre um magista e uma mente trivial reside no seguinte corolário:

Somente uma ação dirigida sob vontade é mágica.

Como toda ação produz um resultado mágico, é difícil para a mente trivial lidar com uma realidade aparentemente desconhecida do universo. É muito comum escutarmos a frase: «justamente quando tudo parecia bem, deu tudo errado». Nestas condições, o magista deve ser capaz de prevenir resultados negativos e tangenciais através da magia, abrandar seus efeitos ou pressentir o que estava para chegar. Mas isso não acontece.

A mente trivial não compreende – ou é ignorante – do que está acontecendo. O magista, por outro lado, sabe como a magia funciona e age de acordo. Ele sabe que cada ação que executar produzirá uma resposta no universo. Sua mente será capaz de aceitar ou lidar com qualquer problema com equilíbrio, discernimento e lucidez.

No entanto, os magistas não apenas aceitam o resultado de suas ações. Eles fazem esforços conscientes para controlar as reações resultantes. Ao invés de apenas esperar o que está para acontecer, os magistas criam ativamente seu futuro através de rituais específicos. Então, a diferença entre um magista e uma mente trivial é que o magista irá executar ações específicas para conquistar um resultado enquanto que a mente trivial não sabe como fazer isso. Mesmo que todas as ações produzam um resultado mágico, apenas a ação consciente executada com a finalidade de conquistar algum objetivo pode ser chamada de ato mágico.

Em outras palavras, o magista compreende que a magia acontece por si mesma o tempo todo e trabalha para controlar seus resultados. A mente trivial está perdida, perambulando presa a vida, sem o menor controle. O magista toma a firme resolução de agir conscientemente para controlar a si mesmo e o ambiente ao seu redor. A mente trivial não tem a menor ideia de como isso acontece.

Para finalizar este teorema, um esclarecimento sobre a palavra «magista». Quando utilizo a palavra magista não me refiro a leitores de livros de Ocultismo, os chamados «ocultistas de poltrona». O magista ao qual me refiro é a pessoa que vive, respira e leva uma vida mágica. Uma pessoa que compreende que a magia é um estilo de vida, um olhar distinto em relação ao universo. O magista interage apreciando a vida. Nessa direção à magia torna-se viva e faz parte natural do Universo.






[1] O saṅkalpa é uma energia focada e concentrada da mente. Sua função é mudar a qualidade e a expressão da mente. É uma declaração curta e positiva, uma afirmação repetida mentalmente enquanto o magista programa seu subconsciente. Veja o artigo O Nome Mágico para o esclarecimento dessa ferramenta mágica.

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