domingo, 16 de novembro de 2014

Minha Jornada nos Caminhos da Noite #1




Parte . I .


Jeanine Medeiros
Sob a supervisão de Fernando Liguori
Ilustração de Alexandre Araujo


INTRODUÇÃO


O lado noturno está sempre conosco. Ele é muito mais antigo que o lado diurno. Antes da luz começar a brilhar, a noite já existia. Alguns pesam que estamos lidando com uma simples polaridade. Por um lado, um mundo radiante de cores e formas, mais ou menos concebível, sensato e significativo. Como a bonita imagem da Árvore da Vida, possui cidades, hotéis, restaurantes, oportunidades comerciais e os inúmeros caminhos que lhe atravessam.

Por outro lado, o mundo caótico da incerteza e dos mistérios incompreensíveis. Ambos conectados pelo vazio que os torna possíveis. Eles parecem ser simétricos. Mas quando adentramos as profundezas do lado noturno descobrimos que não existe essa simetria. O lado noturno não é simplesmente um reflexo do lado diurno como muitos pensam e espalham.

O lado diurno é uma ilha pequenina de experiência em um oceano enorme, o lado noturno, cheio de correntes, cadeia de ilhas e continentes de possibilidades e impossibilidades. Tudo e Nada estão presente em toda parte. Nossa ilha não é o oposto de um vasto mundo oceânico, é apenas uma pequenina e compreensível parte dele.

Jan Fries, Nightshades: A Tourist Guide to the Nightside


O magista é aquele que se firma no caminho do poder. Ser magista é reconhecer este poder e integrá-lo no vida. Eu aprendi isso em 2006, após ser admitida em um grupo de magistas praticantes. Já fazia dois anos que eu participava da Loja Shaitan-Aiwaz[1] e quando cheguei ao IVº Grau tomei conhecimento de um caminho mágico extremamente poderoso: as Células de Seth ou os Caminhos da Noite. Este artigo fala de minha experiência pessoal nesse caminho de poder através do sistema e métodos da Ordo Tifoniana Occulta. Lawrence e Lorne Blair em seu livro The Ring of Fire, falam de uma possibilidade que se abre: «Tudo tem o seu oposto: alto e baixo, dia e noite, bem e mal e se pudermos integrar estes opostos, compartilharemos a força de ambos em nossas vidas, em nossa arte. É apenas assim que podemos ter acesso a toda energia da consciência.»

Estou no caminho da magia há quase vinte anos e por toda parte onde busquei e encontrei grupos ocultistas ou comunidades mágicas, pude observar que as pessoas apenas contemplam a face dos deuses da luz e simplesmente ignoram os deuses da escuridão. Mas o que é a escuridão? A incapacidade de ver o que está bem ao nosso lado. A escuridão somos nós mesmos.

Neste percurso, aprendi que precisamos, todos nós, de um crescimento espiritual equilibrado. Quando nos cegamos para estes terríveis poderes em nosso interior, lhes damos força e o poder de comando e controle sobre nós. Rompantes de violência e ódio são vestígios incontrolados dessas forças. São poderes fora do lugar.

Dion Fortune no livro A Sacerdotisa da Lua diz que a Ísis Negra se transforma na Ísis Branca. Acredito que isso tenha alguma relevância e relação com as Células dos Qliphoth. A Tradição Oculta fala que estas esferas escuras foram criadas primeiro, por isso são chamadas de primevas. Por serem incapazes de conter a luz, elas se partiram. Interpreto isso da seguinte maneira: a conexão humana com elas foi completamente destruída por um opressor secular, o medo. Nos tornamos completamente desequilibrados na presença de tamanho poder. Então, através de nosso medo, essa energia rebelde, criamos os horrores na mente que somente o medo pode criar.

Como Dion Fortune diz em seu livro, precisamos ir além destes medos para nos tornarmos a Ísis Branca, a pureza do conhecimento primevo do qual nos desconectamos.

As Células dos Qliphoth são consideradas malignas, assim como a mulher. Malignas como Eva. Portanto, a esse poder foi dado uma forma feminina, decepada da mente racional e patriarcal da humanidade.

As mulheres e os xamãs vêm carregando este poder por séculos. Quando os dois lados da Árvore estiverem integrados, ocorrerá aquela ruptura tão exaltada n’O Livro da Lei.

Um pouco de minha experiência

Aos dezesseis anos tive meu primeiro contato com a Filosofia de Thelema. Na época, eu conheci um jovem instrutor da A.'.A.'., Fernando Liguori (Frater Asvk-Aivaz). Eu não tinha idade para que pudesse tê-lo como meu instrutor, mas como começamos a nos relacionar, tive a oportunidade de mergulhar nessa tradição.

Nossa relação não durou muito, mas com o tempo nossa amizade cresceu, o que fortificou os laços de confiança entre nós. Em 2004, já com idade o suficiente, pedi afiliação a então conhecida O.T.O. Draconiana. Na época, fiz o diário mágico para entrar na Ordem e logo fui admitida ao Iº Grau. Em pouco tempo fui convidada para participar dos rituais da Loja Shaitan-Aiwaz, um Templo da Ordem que funcionou como uma zona de poder para muitos membros. Esses rituais mudaram completamente minha forma de ver a magia.

No IVº Grau pedi para participar da Célula Noturna. Era um grupo de poucos membros da Ordem que já faziam, há algum tempo, inúmeros experimentos mágicos-místicos com as Células de Seth. Como possuía a confiança do líder da Ordem, fui convidada a participar dos rituais do Soberano Santuário e recebi, para isso, o VIIº Grau Honorário. Ali começava minhas primeiras experiências com as Células dos Qliphoth e a ferramenta de trabalho que mais me identifiquei foi o Tarot das Sombras de Linda Falorio.

Nos meus primeiros trabalhos espirituais com as Células de Seth, o mecanismo era a união do mantra, yantra e tantra. Os yantras eram as cartas do Tarot das Sombras e os sigilos das sentinelas qliphóticas; os mantras eram a entoação dos nomes das sentinelas acompanhadas por tambores e o som de um sino tibetano; o tantra eram os rituais. Com essa combinação nós conseguimos reestabelecer a conexão perdida com os deuses da escuridão, mensageiros alados.

Com o treinamento, os primeiros rituais e meditações aconteciam por meio da transferência de atenção. Sob condições normais, a mente flutua de um sujeito ao outro. Por conta disso, temos de lidar na maioria das vezes com um conhecimento superficial das coisas. A atenção ou concentração pode ser dirigida através dos olhos para que possamos ver o que não é visto. Quando colocamos a mão sobre um livro e dirigimos nosso olhar, podemos sentir a mão e o livro porque nossa consciência está ali. Quando seguramos e dirigimos o olhar para alguma carta do Tarot das Sombras ou o sigilo de alguma sentinela qliphótica, podemos transferir a atenção da mão para carta (ou sigilo) e então para dentro da carta. Pode-se obter visões apenas dessa maneira. Mas isso não é tão fácil como parece. Para que eu pudesse aperfeiçoar a técnica, Frater Asvk-Aivaz ensinou-me um exercício que envolvia os cakras.

Em um local destinado às minhas práticas pessoais, eu deveria sentar-me em meditação, seguindo os passos que ele me ensinou. Em dado momento, concentrando-me sobre um cakra apenas, eu deveria entoar seu mantra e visualizar sua imagem, deidade governante e muitas outras características do cakra. Quando a visualização estava definida e não antes disso, eu deveria colocar minha mão sobre o gatilho do cakra, que geralmente fica na frente do corpo. Com a mão sobre o cakra eu deveria projetar minha consciência para dentro dele e ali acessar seu poder. Nessa experiência, cores, imagens, símbolos e um sem número de formas são projetadas na mente. Percebi em minhas práticas que os cakras mais inferiores podem ser experimentados com mais facilidade, devido a sua natureza energética. Já na minha experiência com os cakras superiores pude notá-los bem etéreos. Nesse processo descobri que a magia ocorre espontaneamente na natureza. Ela é a natureza. É a mente que interfere nesse processo natural.

Além da falta de concentração, tive problemas com os bloqueios de minha mente. Ao me deparar com a doutrina do Lado Noturno, me sentia como se estivesse correndo contra uma parede: eu simplesmente travava! Geralmente não me sinto segura com o desconhecido, com o que está fora de meu controle. Gosto de pensar que às vezes esses bloqueios nos são impostos por nossos espíritos guardiões, para nosso próprio bem. Mas Frater Asvk me auxiliou a ver que na grande maioria das vezes esses bloqueios são o resultado da inabilidade em nos vermos em um novo contexto. Em uma instrução particular ele me instruiu em um experimento meditativo para superar essa dificuldade, desenvolvendo a consciência do corpo astral. Na instrução ele dizia que na medida em que eu fosse tomando consciência e domínio de toda minha estrutura psíquica, expandindo minha noção de tamanho no espaço, logo conseguiria me adaptar melhor a novas situações. Reproduzo o experimento com permissão:

1.     Acordar sem alarde, com tranquilidade, antes do nascer do Sol. O melhor horário é por volta das 4:00. Segundo a Tradição Oculta esse é o melhor horário para executar práticas espirituais.
2.     Abertura da Kiblah.
3.     Execute o Ritual da Estrela de Fogo e o Ritual de Invocação Nu-Ísis.
4.     Na frente da Kiblah, de pé, execute o Refúgio Thelêmico para produzir o kavacha, armadura mágica.
5.     Sente-se para meditação.
6.     Fechamento da Kiblah.

Experimento

Desenvolvendo a Consciência do Corpo de Luz


Estágio 1: Preparação
Sente-se confortavelmente em uma postura meditativa. Torne-se estável na postura e relaxe todo seu corpo.
Coloque as mãos sobre os joelhos em jñāna ou cin-mudrā.
Gentilmente feche os olhos e respire apenas pelo nariz (pausa).
Relaxe todos os músculos do corpo físico.
Sinta um frescor por todo o corpo e com naturalidade sossegue todas as suas atividades.
Não existe nenhuma tensão ou rigidez em qualquer membro ou parte do corpo.
Se entregue completamente. Sinta como se estivesse flutuando em um oceano de paz. Ondas suaves cobrem todo seu corpo. Veja luz e energia iluminando tudo ao seu redor. Se entregue completamente a essa aura protetora de luz (pausa).
Traga sua consciência para o interior e desenvolva a experiência do espaço dentro do corpo.
Olhe para dentro do corpo e veja apenas espaço vazio.
A pele do seu corpo é como uma casca e por dentro, da cabeça aos dedos dos pés, existe apenas o vazio.
Concentre-se atentamente neste vazio interior (pausa).
Desenvolva a consciência do espaço, o espaço que compreende todo seu ser (pausa).
Estágio 2: Expansão e contração do espaço interior
Torne-se consciente da respiração.
Execute a respiração lenta e profunda.
Movimente sua consciência para dentro e para fora na medida em que inspira e expira.
Na medida em que desenvolve a consciência de cada respiração, comece a experienciar a respiração não apenas pelas narinas, mas através de cada poro e célula do corpo (pausa).
Respire através de todo o corpo. Sinta todo seu corpo respirando como uma unidade (pausa).
Agora, libere a consciência das narinas, pulmões e peito e respire apenas pelos poros. Experiencie todo seu corpo respirando (pausa).
Continue respirando através de cada poro e célula. Imagine os poros abrindo e fechando na medida em que inspira e expira.
Na medida em que inspira por cada poro, sinta que todo espaço interior de seu ser está se expandindo para fora em todas as direções. Todo espaço interior, da cabeça aos pés, está crescendo em tamanho.
Na medida em que expira através de cada poro, sinta que todo espaço interior está se contraindo, diminuindo em tamanho.
Use o poder de sua imaginação e sinta todo seu corpo respirando através de todos os poros enquanto observa a expansão e contração do espaço interior (pausa).
Na medida em que inspira profundamente sinta o ar entrando por cada poro e célula do corpo e que todo o espaço interior está se expandindo como uma bolha.
Então, expire vagarosamente através de cada poro e célula e sinta o espaço interior se contraindo.
Intensifique a experiência da expansão e contração do espaço interior (pausa).
Estágio 3: Visualização do corpo de luz
Agora, junto com a experiência da expansão e contração do espaço interior na medida em que inspira e expira, torne-se consciente do prāṇa permeando este espaço na forma de luz.
Com cada respiração o espaço interior se torna preenchido com partículas de luz branca que se movimentam em todas as direções com grande velocidade formando listras luminosas.
Observe este corpo de luz (pausa).
Na medida em que inspira o corpo de luz se expande.
Na medida em que expira o corpo de luz se contrai.
Concentre sua consciência totalmente na experiência da luz expandindo e contraindo na medida em que inspira e expira. Você está experimentando o campo de força de seu corpo de luz vibrando no ritmo da respiração (pausa).
Estágio 4: Expansão do corpo de luz
Nesse momento, visualize que seu corpo de luz se expande em todas as direções.
O seu corpo de luz se expande até as bordas do universo. Visualize seu corpo de luz até o fim do universo (pausa).
Aonde termina o universo, se inicia o Outro Lado.
Toque o Outro Lado (pausa).
Expanda seu corpo de luz além das bordas do universo. Vá até o Outro Lado, entre nele (pausa).
Estágio 5: Fim da prática
Prepare-se para vagarosamente finalizar a prática.
Contraia o corpo de luz. Traga-o bem próximo do corpo.
Deixe a visualização do corpo de luz.
Desfaça a experiência da respiração através dos poros.
Deixe a consciência do espaço vazio dentro do corpo e retorne ao corpo físico.
Foque sua atenção na ponta do nariz e sinta o ar entrando e saindo pelas narinas.
Torne-se consciente de todos os sons externos.
Vagarosamente movimente os dedos das mãos e dos pés.
Estique seus braços acima da cabeça e se espreguice.
Apenas quando estiver totalmente em seu corpo físico, abra seus olhos.[2]

Essa prática me ajudou a expandir os limites de minha consciência e vagarosamente fui assimilando melhor a doutrina e as práticas com as Células de Seth.

Ter acesso a um templo equipado é fundamental na prática. Embora o poder interior possa ser construído passo a passo a cada rito, a prática torna-se muito mais fácil quando executada em um ambiente carregado com o poder de outros ritos semelhantes. O templo é como o útero – na escuridão e no silêncio o poder permanece em crescimento. Se não é possível dedicar um quarto a construção de um templo, utilize um altar oculto, dentro de um armário ou estante. Um templo com paredes escuras ajuda muito nas práticas com as Células dos Qliphoth. A luz do sol dissipa as energias com as quais estamos operando. Apenas a luz de velas é necessária nesses ritos e às vezes eles são executados na mais completa escuridão.

Eu tive a oportunidade de fazer muitas práticas e rituais no templo da Loja Shaitan-Aiwaz. Ele possuía paredes negras e era completamente equipado. O templo é a morada da alma. O que ocorre na alma se reflete no templo.

Frater Asvk nos instruía que a movimentação no templo, nessas operações com os Qliphoth, deveria ser lenta e estável, como se estivéssemos nos movendo através das águas. Isso permitia que nos tornássemos conscientes das mudanças no mênstruo astral, facilitando a adaptação do corpo de luz.

As Operações da Loja Shaitan-Aiwaz

Eu tive a oportunidade de participar de muitas cerimônias mágicas no templo da Loja Shaitan-Aiwaz. A fórmula mágica que configurava o templo e dava direção aos nossos rituais era essencialmente Śākta.[3] Nossa abordagem do Absoluto era expansiva e o Divino era a Grande Mãe sob inúmeras formas, principalmente no Culto a Kālī do Círculo Kaula. Esse era o nome dado a um grupo seleto de Iniciados do Soberano Santuário da Ordem para operações mágicas que envolviam os Graus VIIIº, IXº e XIº em uma abordagem essencialmente tântrica. Esses rituais operavam uma alquimia psico-sexual que envolvia basicamente os marmas, as sandhis e os Qliphoth.[4] Embora seja um sistema cosmológico, o Śrī Cakra representa o corpo da Deusa. Através das técnicas espirituais da Medicina Āyurveda, os marmas e sandhis podem ser manipulados através de compressões e passes energéticos para abrir portais na consciência da Sacerdotisa Oficiante, o que permitia acesso fácil ao reino dos Qliphoth. Esse acesso a fazia destilar certos elixires sexuais, os kālas e permitia o despertar da Serpente de Fogo «kuṇḍalinī» no corpo da Sacerdotisa, quase sempre em estado de transe ofidiano.

Em todos esses rituais eu participei apenas como acolita. Quando Frater Asvk declarava o círculo mágico como daath, o maithuna começava e eu devia tencionar os chamados na Luz Astral. Essa era minha principal função nas operações do Círculo Kaula. A magia e o misticismo do Círculo Kaula era fundamentada sobre o trabalho com os cakras. Frater Asvk tornava disponível um corpo de conhecimento que associava as sete estrelas da Grande Ursa aos cakras, bem como os planetas e as sete carruagens da merkavah. Esse corpo de conhecimento tornava essas conexões tangíveis e reais, o que produzia um conhecimento secreto e essencialmente prático com o kuṇḍalinī-yoga, não apenas em práticas internas e pessoais como meditações e visualizações, mas também em rituais que envolviam o grupo, possibilitando a abertura e zonas de poder coletivas, cakras no corpo da Deusa.

A magia sexual monofocal do VIIº apenas me permitia participar das operações como ajudante. Solitariamente eu executava as instruções oficiais da Ordem e um trabalho mágico-sexual com a construção de talismãs e a cópula astral com um íncubo. Essa prática envolvia o estímulo sexual e a visualização de uma cópula com um deus ou sentinela dos túneis. Em alguns rituais coletivos eu auxiliava no estímulo sexual do Sacerdote e Sacerdotisa Oficiantes. Foi um período rico em aprendizados e descobertas íntimas.

Em uma instrução, Frater Asvk enviou um trabalho mágico-sexual do VIIº com Samael, a Desolação de Deus, a Essência do Dragão Vermelho. Já em estado ofita, antes da visualização da cópula, a invocação consistia:

Com a Baqueta Mágica, trace o pentagrama viparita do Fogo enquanto visualiza o Dragão Vermelho, Samael. No fim do traçado, entoe: HVHI (hay-yah) de forma calma, tranquila e prolongada.
Após a visualização entoe o chamado:
Eu te invoco em essência, Samael, marido de Lilith e pai de Cain. Invoco o Espírito do Fogo e da Terra.
Zazas zazas nasatananda zazas.
Agios Samael
[...]

Na sequência falarei mais sobre os trabalhos mágicos da Loja Shaitan-Aiwaz.




[1] Uma zona de poder da O.T.O. Draconiana, conhecida também pelo nome Ordo Draco-Thelemae, que operou durante nove anos.
[2] Carta de 23 de outubro de 2006.
[3] A construção de um templo e a elaboração dos rituais nele executados tem de respeitar a fórmula mágica operante do templo. A fórmula mágica é nossa relação com o Absoluto. Podemos nos relacionar com o Absoluto na forma do Ātma, Bhāgavan ou a Śakti Universal.
[4] Umas das principais práticas do Círculo Kaula da O.T.O. Draconiana envolvia o Śrī Cakra. Este yantra é um mapa semelhante em natureza a Árvore da Vida e as tabelas Enochianas empregadas pela Ordem Hermética da Aurora Dourada. A intercessão de seus quarenta e três triângulos são equivalentes aos marmas e sandhis do corpo humano. Um marma é um ponto onde três linhas – ou nāḍīs – se encontram no Śrī Cakra. Há 28 marmas. Sandhis são os pontos onde duas linhas se encontram no Śrī Cakra e são em 24 no total. A soma de 28 + 24 = 52 letras do alfabeto sânscrito e sua manipulação pode ser feita para criar e diagramar mantras.

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