domingo, 23 de novembro de 2014

Minha Jornada nos Caminhos da Noite #2




Parte . I I .


Jeanine Medeiros
Sob a supervisão de Fernando Liguori


QABALAH TÂNTRICA


Quando terminei os ordálios do IIIº Grau e fui admitida ao IVº, o Grau do Mestre Magista, fui apresentada aos trabalhos da Célula Noturna e ao Culto de Lam. Imediatamente comecei a trabalhar com essas duas células, unificando, finalmente, suas práticas. Meu interesse no Caminho Noturno começou quando fui apresentada a uma tradução do Liber 231 de Aleiater Crowley (1875-1947) e o comentário de Kenneth Grant (1923-2011) no livro Nightside of Eden.[1] Essa instrução apareceu primeiro em Os Livros Sagrados de Thelema, publicados no Brasil pela Editora Madras, em duas edições distintas.

Penso que essa instrução é um portal por onde o ocultista moderno pode ter acesso a Espiritualidade das Sombras.[2] Trata-se de um texto sobre o Reino das Cascas, os Qliphoth.[3] Eles representam a antítese das Sephiroth e constituem, portanto, o Lado Negro da Árvore da Vida.

De acordo com o sistema de interpretação da Ordem Hermética da Aurora Dourada sobre a Árvore da Vida, existe um espaço entre as sete Sephiroth inferiores e as três superiores ou Supernas. Este espaço entre as Sephiroth é conhecido pelo nome de Abismo. Acredita-se que ali é o reino de outra Sephira, Daath. No diagrama da Árvore, essa Sephira é às vezes pictorizada em pontilhado ao invés de um círculo traçado – como as outras Sephiroth. Isso significa que Daath não é considerada uma Sephira como as outras, mas um «mundo sombrio».

No Séc. XVIII, um ativista-espiritual messiânico chamado Jacob Frank (1726-1791) enfatizou a importância de Daath em seu sistema religioso que incorporava conceitos judeus, cristãos e islâmicos. Esse foi um período na história em que ouve muita especulação acerca da natureza de Daath. Mas foi o Corvo de Londres[4] quem apontou Daath como um tipo de anti-sephira, o «Portal Exterior» para uma região conhecida como Zona Malva.[5]

Liber 231 traz a descrição dos Qliphoth. De acordo com – uma – tradição qabalista, este é o mundo dos cascões da esfera destroçada no momento da Criação e ocupam vinte e dois «anti-caminhos» na Árvore da Morte, o Lado Noturno ou Reverso da Árvore da Vida. Uma das pesquisas da Célula Noturna era a equivalência entre os 22 anti-caminhos dos Qliphoth ou Túneis de Seth com os marmas e sandhis espalhados pelo Śrī Cakra,[6] conhecimento que utilizávamos nos rituais do Círculo Kaula. Na prática, nós utilizávamos a Mesa Qliphótica[7] como portais para o outro lado na forma dos marmas e sandhis no corpo da Sacerdotisa Oficiante.


Śrī Cakra, o yantra que representa o corpo ou a vulva da Deusa.

Aleister Crowley não deixou nenhuma instrução em como utilizar as «22 escalas da serpente» de Liber 231. As operações da Loja Shaitan-Aiwaz, portanto, exploravam inúmeras possibilidades na tentativa de mapear suas potencialidades. Uma delas era a Mesa Qliphótica. Uma coleção de vinte e dois tapetes confeccionados nas cores distintas de cada sigilo qliphótico, de acordo com as informações fornecidas no Liber 777 de Crowley. O tapete era colocado sob a Sacerdotisa Oficiante. Quando o Círculo Mágico era o Śrī Cakra, o tapete qliphótico ficava no chão, quando era o Pantáculo de Daath, o tapete ficava sobre o altar e a sacerdotisa sobre ele. Em ambos os casos, o Círculo Mágico representava a vulva da Deusa. A ênfase em todos os rituais do Círculo Kaula era a produção e utilização dos kālas[8] magicamente carregados. As convocações das sentinelas abriam as Células dos Qliphoth e os kālas secretados pela sacerdotisa eram o combustível que a capacitava a explorá-las.

A abertura e exploração da Zona Malva se dava através da combinação bem fundamentada entre a Qabalah e o Tantra.[9] Em um ritual derivado da Missa Gnóstica,[10] o qual Frater Asvk chamava de Magia Estelar, Astrologia Draco-Estelar[11] ou o Ritual da Serpente de Fogo, um conjunto de convocações qliphóticas para abertura de Daath eram utilizadas junto com técnicas específicas da tecnologia espiritual do Tantra como mudrās e passes magnéticos sobre os cakras, marmas e sandhis da sacerdotisa a fim de se conseguir a secreção bem sucedida de kālas magicamente carregados com ojas.[12]


O Ritual da Serpente de Fogo

Esse ritual é uma versão altamente iniciada da Missa Gnóstica de Crowley e foi elaborado para uma prática em dupla, ambos iniciados no IX° Grau: o sacerdote e a sacerdotisa ou o magista e a bruxa – no sentido popular, não wiccano. O ritual admitia a possibilidade de acólitos e uma prática em grupo, mas sempre com um casal de oficiantes. Quando comecei a assistir e auxiliar nessas operações, a Grã-Sacerdotisa da Ordem era Soror Tanith[13] e quase todas as cerimônias que participei foram oficiadas por ela.

Um objetivo do ritual, como mencionei acima, era a produção e coleta bem sucedida dos kālas, as secreções vaginais magicamente carregadas com ojas. O ritual era uma operação altamente complexa, pois os kālas da sacerdotisa estão associados às fases lunares «tithis» e a deidades específicas associadas a cada fase, chamadas de nityas. Um processo altamente meticuloso para alinhar a célula qliphótica, cakra, sandhi e marma, a fase lunar e deidade regente se iniciava para que o processo alquímico do ritual pudesse ser estabelecido com sucesso. Antes de cada ritual Frater Asvk preparava a carta astrológica da operação, quando ele definia a deidade associada à fase lunar e específica ao kāla que a Sacerdotisa Oficiante deveria emitir.

Frater Asvk, em uma instrução privada da Ordem, enumera as deidades associadas a cada kāla secretado pela sacerdotisa. Existem dezesseis kālas, dos quais apenas quinze são considerados visíveis. A lista dos kālas e as deidades «lunares» associadas segue. Eu omiti a tradução para o português por questões de espaço.

Kāla
Nitya
1. Manada
1. Kāmeśvāri
2. Puśa
2. Bhāgamalini
3. Tuṣṭhi
3. Nityaklinna
4. Puṣṭhi
4. Bheruṇḍa
5. Rati
5. Vahnivasini
6. Dhruti
6. Mahā Vajreśvāri
7. Sasicini
7. Śiva Duti
8. Candrika
8. Tvarita
9. Kanta
9. Kula Sundarī
10. Jyotṣṇa
10. Nitya
11. Śrī
11. Nila Pataka
12. Pṛti
12. Vijāya
13. Angada
13. Sarvamangala
14. Pūrna
14. Jvalamalini
15. Pūrnamruta
15. Cidrupa
16. Amṛta
16. Mahā Tripura Sundarī

O requisito primordial era que a Sacerdotisa Oficiante pudesse ser uma iniciada capaz de elevar a kuṇḍalinī. Mas nem todas as pessoas estão preparadas a este nível. Como medida paliativa, Frater Asvk insistia que, mesmo que a sacerdotisa não pudesse elevar a kuṇḍalinī por todos os cakras, ela deveria pelo menos ser capaz de liberar o prāṇotthana,[14] a força prânica que desencadeia o despertar real da kuṇḍalinī. Para essa finalidade, a Ordem oferecia um treinamento sistemático em kuṇḍalinī-yoga, sempre direcionado as necessidades e dificuldades pessoais de cada um. Um treinamento tântrico fundamental se iniciava no VIIº, o Grau do Mestre do Templo, onde todos recebíamos o Śrī Devī Khaḍgamālā Sādhanā. Esta é uma prática de adoração a Mãe Divina «Śrī Devī» desenvolvida por Frater Asvk para os membros do Círculo Kaula. A palavra khaḍga significa espada e mālā significa guirlanda. A execução deste sādhanā cria uma aura protetora ou guirlanda de espadas sobre o magista. Trata-se de uma jornada através do Śrī Cakra pela recitação dos nomes das 98 yoginīs ou aspectos de devī que «guardam» os pontos de energia do cakra ao longo do caminho. Em outra oportunidade voltaremos a este ritual.



16 yantras das Nityas utilizados no Ritual da Serpente de Fogo.

Qualquer descuido durante a realização da operação poderia resultar em uma prática espiritual predatória, quer dizer, vampirismo. Para evitar isso, todos nós estávamos sempre cientes da proposta e objetivo do ritual, todos em uma mesma corrente de vibração, cientes de todas as implicações mágicas e kármicas.

Às vezes o ritual tinha um contexto todo thelêmico, às vezes era completamente tântrico. Nós executávamos versões diferentes dos rituais thelêmicos tradicionais como o Ritual da Marca da Besta, o Ritual Safira Estrela e o Ritual da Estrela de Sangue. Às vezes o ritual era feito sobre as bases da Bruxaria Therionica e a corrente lunar de Hécate.

Esse ritual sempre era executado por volta da meia noite na primeira noite de Lua Cheia. Em qualquer uma dessas configurações o trono da Sacerdotisa Oficiante ficava no Norte. Isso ocorria porque nesse dia a Lua ficava no quadrante oposto, o Sul, onde ficava o Sacerdote Oficiante. O Sol ficava sobre a sacerdotisa, no Norte. Isso era feito dessa maneira porque o sacerdote assumia a forma divina do deus Candra, transmissor do «néctar da imortalidade», representado astrologicamente pela Lua Cheia. A Sacerdotisa assumia a forma de Sekhmet, a deusa do calor e furor sexual, associada ao Fogo e ao dinamismo da Śakti.

O ápice do ritual ocorria quando o sacerdote precipitava a kuṇḍalinī no corpo da sacerdotisa. O Sacerdote Oficiante executava determinadas mudrās sobre o corpo da sacerdotisa, sem necessariamente tocá-la, fazendo passes magnéticos sobre certas zonas erógenas, às vezes com a Baqueta Mágica e às vezes com as mãos. Nesse momento a sacerdotisa não era sexualmente excitada, evitando o aterramento da energia mágica enquanto mantinha contrações fisiológicas «bandhas» selando e contendo o prāṇa no interior do corpo. Esse estímulo continuava até que a sacerdotisa literalmente tivesse febre. O objetivo desse processo era o despertar da Serpente de Fogo, elevando-a por todos os cakras ao ponto de «queimá-los» a fim de se estimular a produção e secreção de hormônios associados na corrente sanguínea da sacerdotisa. Nesse processo, o sacerdote trazia a sacerdotisa ao ponto do orgasmo, parando momentos antes do clímax. A excitação sexual somente ocorria, através dos procedimentos do VIIIº ou IXº Graus, quando a sacerdotisa encontrava-se em dificuldade para atingir o estado de consciência associado ao kāla que deveria produzir. Nesse caso, quando o procedimento era com as técnicas do VIIIº, eu e outros acólitos ajudávamos no processo de excitação. Outras vezes, quando o procedimento era através do IXº, então o Sacerdote Oficiante se encarregava de excitar a sacerdotisa. Em qualquer um dos casos, o orgasmo era evitado, pois a energia gerada deve chegar ao ponto de ser carregada magicamente antes de ser liberada na forma de kāla. No momento exato, quando a sacerdotisa chegava ao limite de sua excitação e ao nível de consciência desejado, então o orgasmo era liberado, produzindo o kāla correto associado. O kāla secretado na vulva da sacerdotisa era então coletado pelo sacerdote, às vezes oralmente, na intenção de aumentar seus poderes ocultos ou produzir o contato com forças supramundanas. Às vezes o kāla era coletado sobre talismãs preparados para o objetivo da operação ou em discos de metal alocados sobre os cakras da sacerdotisa durante o ritual. Nas operações, Frater Asvk carregava o ājñā-cakra da sacerdotisa a fim de atrair magneticamente a kuṇḍalinī para sua zona de poder. No último caso, os discos de metal, agora carregados com ojas, eram guardados em um recipiente para serem utilizados depois, em outras operações. Nessas condições os kālas da sacerdotisa eram carregados com a força mágica do ojas, determinando sua eficácia.

Embora a produção dos kālas exigisse uma atenção especial, o objetivo do ritual sempre era a produção da criança mágica. Para isso, a energia masculina é essencial. O fluido seminal do sacerdote é um agente fundamental para o «nascimento mágico». Da mesma maneira que ocorre com os kālas da sacerdotisa, o fluido seminal do sacerdote deve também ser carregado com ojas. O sacerdote deve elevar a kuṇḍalinī por todos os cakras e evitar o orgasmo para não aterrar a energia antes que ela possa ser carregada energeticamente.

Esse é um poderoso ritual de Alquimia Sexual. Na medida em que o executamos, nosso corpo passa por profundas mudanças fisiológicas que se inicia com a secreção de hormônios na corrente sanguínea. Isso altera a respiração, o metabolismo, a qualidade da saliva, do suor, do sêmen e das secreções vaginais. Nessas condições, visões podem ser obtidas. A concentração mantida durante a excitação sexual, seja através do VIIIº ou IXº Graus, cria um poderoso estresse psíquico. Em outras palavras, a concentração e o foco mantidos para evitar o orgasmo cria uma reação em cadeia no corpo, fazendo com que suas funções se alterem, abrindo Portais que normalmente estão fechados. Como consequência, o transe é induzido. O resultado do ritual, quer dizer, a Criança Mágica, é visualizado na câmara do ājñā-cakra para que possa ser concebido com estrita economia de meios.

O sexo casual não produz um resultado assim. O controle das respostas sexuais automáticas do corpo é necessário, bem como treino e disciplina. Dessa maneira, Portais para os reinos além do visível podem ser abertos e explorados.

Na sequência, irei abordar os trabalhos da Célula Noturna com o Tarot das Sombras e o Culto de Lam para incursões qliphóticas.



[1] O Lado Noturno do Éden, Kenneth Grant. Tradução particular de Fernando Liguori. Existe outra versão deste livro em português disponível na internet.
[2] O termo espiritualidade das sombras pode assustar os leitores. Ele inclui temas como magia sexual, a busca do deus oculto, a espiritualidade feminina (culto ao sagrado feminino), a utilização de drogas e substâncias naturais psicoativas e o acesso às profundas camadas do subconsciente através de um processo conhecido como ressurgência atávica. Contudo, deve ser frisado veementemente que este termo, espiritualidade das sombras, conforme aqui tratado está isento da conotação pejorativa de «magia negra» ou «diabólica».
[3] Palavra hebraica que significa «casca», «concha», «couraça» ou «caco». Uma peça quebrada da Criação de acordo com algumas escolas tradicionais de Qabalah. O reino de espíritos malignos representados por esses «cacos quebrados». De acordo com Kenneth Grant, a palavra significa «prostituta», «mulher estranha» ou «mulher estrangeira». Termos que designam «diversidade» ou «alteridade». O mundo sombrio dos cascões. Cada Sephira da Árvore da Vida possui sua Qlipha correspondente, o reflexo da energia a qual ela representa e seu conjunto ou Qliphoth formam a Árvore da Morte.
[4] Como é conhecido Kenneth Grant, Sacerdote de Seth, um dos maiores expoentes da Tradição Tifoniana.
[5] Termo cunhado por Kenneth Grant. Ele se refere ao Abismo, Daath na Árvore da Vida ou a matéria escura circundante ao Abismo. Mas o termo é carregado e possui muitas implicações. Por exemplo, é a região entre o sonho e o sono sem sonhos, pictorizada pelo Deserto de Seth ou o Tridente de Chozzar, o «porco», um totem tifoniano cujo símbolo é um tridente. É o estado que separa a existência fenomênica do Ser numênico etc. Veja Hecate’s Fountain e Outer Gateways, Skoob Books, 1992 e 1994.
[6] O Śrī Cakra ou Śrī Yantra é uma figura geométrica que representa o corpo da Deusa. Este yantra é o maior símbolo da tradição do Śrī Vidyā. Śrī é uma palavra que significa «sagrado» ou «santo». Vidyā vem da mesma raiz sânscrita que Veda e significa «conhecimento». Portanto, é a tradição do conhecimento sagrado. Trata-se de uma cultura tântrica que sobrevive no Sul da Índia. Nos dias atuais, já não existe uma conexão entre o Śrī Vidyā e as escolas da tradição Kaula, como houve no passado, onde algumas escolas compartilhavam ensinamentos. O Śrī Vidyā é uma tradição śākta. Seu culto é a adoração a Śrī Devī, a Grande Deusa.
[7] Uma coleção de 22 tapetes de cores diferentes com o sigilo dos 22 gênios qliphóticos de Liber 231.
[8] Existem inúmeras variações de kālas «secreções vaginais», dependendo sempre da relação entre o ciclo lunar e menstrual da sacerdotisa. A secreção de hormônios específicos de certas glândulas conectadas aos cakras durante o ritual irá influenciar e até determinar a natureza do kāla. O corpo da sacerdotisa é um laboratório. Na medida em que ela alcança níveis mais avançados na iniciação, este laboratório se torna em um templo: suas funções biológicas possuem contrapartes psicoespirituais que estão sob o seu controle – consciente ou não – durante as operações. Quer dizer, a sacerdotisa pode estar em transe durante o ritual, proferindo mensagens oraculares o tempo todo, mas seu treino e iniciação lhe conferiram a habilidade de responder – mesmo que instintivamente – as mudrās e passes magnéticos do sacerdote. Os kālas em si mesmos são considerados magicamente inertes até serem carregados com energia mágica «ojas» pelo Sacerdote Oficiante. Isso significa que sem a atenção apropriada do sacerdote durante o ritual, os kālas mantêm apenas suas propriedades físicas fundamentais, como a reprodução, por exemplo. Mas quando são carregados magicamente, adquirem propriedades super-humanas. Na medida em que determinados cakras são «ativados» no corpo da sacerdotisa, todo o seu sistema passa por um processo sutil de mudança. A excitação de determinados cakras durante o ritual libera na corrente sanguínea hormônios específicos das glândulas conectadas aos cakras. Isso altera todas as secreções corporais, que são coletadas e utilizadas para finalidades específicas na magia.
[9] Qabalah Tântrica. O termo nasceu de uma reinterpretação da história da magia sexual no Ocidente. No senso comum, a magia sexual no Ocidente começa com os Cavaleiros Templários. Fundada em 1118 d.C., o objetivo dos Cavaleiros Templários era proteger os peregrinos que viajavam ao Oriente Médio durante a segunda Cruzada. Em 1312 a autoridade dos Templários foi suprimida pela Igreja Romana, a despeito de seu poder, influência e riqueza. Todos os membros da Ordem foram caçados e condenados por heresia, bruxaria e magia. A história conta que os Cavaleiros Templários aprenderam de Adeptos Sufis segredos da Alquimia Sexual. Tal segredo fora recebido diretamente de Iniciados tântricos hindus. Esse é o início da magia sexual no Ocidente, chegando até os dias de hoje através de autoridades como Paschal Beverly Randolph e Aleister Crowley. A Qabalah Tântrica nasce de um resgate da tradição hebraica em seus primórdios, nos tempos de Abraão. Naquela época, os hebreus não eram monoteístas, mas politeístas. Eles adoravam a deusa tanto em seus lares quanto no templo em Jerusalém até a destruição do segundo templo em 70 d.C. Existem inúmeras evidências que nos primórdios da tradição hebraica, assim como seus vizinhos politeístas, os mistérios eram celebrados em ritos sexuais de adoração ao Deus e a Deusa. Nesse caminho, por exemplo, a Arca da Aliança recebe uma nova interpretação de seus mistérios. Não era a Arca, as Tábuas dos Mandamentos ou a Torah que continham o secretum secretorum, mas a natureza espiritual do sexo, demonstrada pelos Querubins da Arca da Aliança em coito sexual. Era sabido que Deus falava através dos Querubins. De acordo com a Torah e a Qabalah, Deus cria através da Palavra: «E o Senhor disse: «Faça-se a Luz» e a Luz surgiu». Essa é a revelação do segredo qabalístico da magia sexual: profecia e divinação podem resultar do coito espiritualizado. O assunto merece um espaço maior para nos aprofundarmos.
[10] Veja Liber XV: A Missa Gnóstica em Documentos, Rituais & a Magia Sexual da O.T.O., Por Aleister Crowley e Fernando Liguori. Existem duas versões deste e-book na internet. Uma de 2001 e outra de 2014. A segunda versão foi atualizada e ampliada. Recomenda-se descartar a primeira versão que, segundo o autor, contém inúmeros erros e não está alinhada a Gnose Tifoniana.
[11] O texto Astrologia Draco-Estelar de Fernando Liguori é um relato de uma operação dessa natureza.
[12] Vigor, força, poder, energia, luz, fluído vital ou energia mágica. Para uma compreensão ampla do termo ojas veja o artigo Prāna, Tejas & Ojas: O Segredo da Alquimia Yogī, por Fernando Liguori.
[13] Soror Tanith ou Soror 789 ‘.’, Karen née Liguori.
[14] Veja o artigo Prāṇotthana ou Kuṇḍalinī, de Swāmi Santaram Saraswatī, traduzido por Fernando Liguori.

Um comentário:

Ola, seja bem vindo para comentar. Utilize o bom-senso, seja profundo.