quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O Diário Mágico de Fernando Liguori



Diário Mágico de Fernando Liguori
Extratos: setembro/outubro de 2005



Data: 30 de Setembro
Horário: 21:00
Local: Loja Shaitan-Aiwaz
Prática: “Encontro com a Força Primordial do Caos”
Tempo: leve garoa com muita neblina
Fase da Lua: minguante
Posição da Lua em: Virgem
Estado de espírito: tranquilo
Descrição da prática: Eu iniciai a prática exatamente as 21:00, antes de uma cerimônia mágica com membros da Loja marcada para 00:00. Desenhei o Sol Negro em uma folha de cartolina preta utilizando tinta dourada. O Templo da Loja fora arranjado já faz algum tempo para operações com os Túneis de Seth. O Círculo Mágico com uma estrela de 11 pontas fora consagrado a Daäth como um portal de ingresso e egresso para Inteligências da Zona-Malva.

Comecei o exercício com um banimento Lovecraftiano; em seguida fiz algumas circumbulações no círculo no sentido anti-horário como a continuação do banimento, utilizando nesta etapa uma Adaga consagrada a Hastur. Em seguida fiz algumas circumbulações no sentido horário consagrando o Templo a presença dos Great Old Ones.

Em cima de cada uma das 11 colunas do Templo eu havia colocado uma miniatura do desenho do Sol Negro. Após a circumbulação e a consagração do Templo, tracei o sol negro nos 8 quadrantes do espaço, bem como abaixo e em cima de mim. Coloquei o desenho grande no centro do círculo e sentei-me em āsana meditando na figura como um portal.

No inicio do exercício meditativo eu tive, exatamente, as mesmas sensações que tenho quando estou fazendo as práticas espirituais do Culto de Lam. A única diferença é que com o Culto de Lam a sensação instantânea é a de queda no vazio. O Sol Negro desenhado parecia um vórtice que imediatamente me puxava para baixo, entretanto, não existia somente a sensação de queda, mas também a de estar sendo sugado por um túnel (que não era nenhum dos complexos túneis-rede já enfaticamente explorados por mim).

Eu não via nada! Me encontrava em uma escuridão amorfa. Contudo eu sentia uma pressão muito forte na região do ājñā-cakra e do anahāta-cakra. Ainda sendo sugado por este vórtice, eu começai a sentir muito frio. Mesmo imóvel notei as extremidades de meu corpo como nariz, orelhas, as pontas dos dedos dos pés a das mãos esfriarem rapidamente, bem como senti nitidamente a pressão arterial cair.

Eu me encontrava sentado em uma cadeira especialmente construída por mim para trabalhos meditativos. Na medida que sentia minha pressão arterial cair começava a ficar com uma espécie de tonteira. Quando isso começou a ocorrer eu sentia que não mais estava sendo sugado, mas que me encontrava girando no espaço como perdido no meio de um grande buraco negro. De repente, de maneira instantânea, tudo parou, não mais estava sendo puxado, não mais estava perdido em giros rodopiantes. Ao mesmo tempo que senti uma calmaria uma poderosa força parecia querer explodir internamente (parecendo um aguda angústia). Nesta hora minha mente apagou.

Só voltei em mim quando um membro da Loja batia na porta de entrada da casa no andar de baixo. Eu estava no chão, deitado (ou caído) em cima do desenho. Me levantei e não finalizei o trabalho.

O membro da Loja, Fr. 333 ‘.’ chegara por volta de 23:45. Em seguida, Sor. 81 ‘.’ chegou as 00:05. Iniciamos o trabalho daquela noite atrasados, exatamente 00:35. A finalidade da operação era a invocação e aterramento da Deusa no Túnel de Dagdagiel. Sor. 81 ‘.’ estava começando seus trabalho mágicos em Templo, portanto, não possuindo aparentemente nenhuma inclinação espiritual. Oficialmente somente Fr. 333 ‘.’ era membro da O.T.O., ela, portanto, era uma convidada. Mas quando nos conhecemos eu percebi que, se bem trabalhada, ela poderia ser um canal vivo de expressão espiritual. Assim era a nossa intenção fazer com que ela pudesse se transformar na expressão da Deusa.

A Estela da Revelação havia sido colocada em cima de uma plataforma de madeira no quadrante noroeste do Templo. Abaixo dela havia outra plataforma que suspendia a pintura de Nu-Isis feita por Austin Osman Spare. No chão, abaixo desta plataforma havia um altar consagrado a Hécate (Hekt). Eu não retirei os pequenos desenhos do Sol Negro das colunas, mas removi o desenho grande do chão e coloquei-o em um púlpito.

Nós iniciamos a operação com o Ritual do Rubi Estrela em sua forma viparita de maneira que pudesse deslacrar o 14º Túnel de Seth logo após a invocação de Aussik & Aiwass. Sor. 81 ‘.’ encontrava-se sentada no Trono de Ísis em frente às plataformas que suspendiam a Estela e a pintura de Spare. Ela começou apresentar sinais de transe quando seu corpo iniciou uma série de convulsões batracóides. Ela havia ficado responsável pelo chamado de Hekt, e isso ela fez sem que eu ou o acólito daquela noite tivéssemos percebido.

Nós removemos o Trono para o centro do círculo e começamos a circumbula-lo invocando a radiância transplutoniana de Nu-Isis. Enquanto circumbulava-mos o desenho do Sol Negro que se encontrava no púlpito despencou e foi parar em baixo do Trono de Isis. Neste exato momento a sacerdotisa aumentou compulsoriamente as contrações em que se debatia e retirou o robe. As feições de seu rosto estavam irreconhecíveis. Ela começou a falar uma espécie de língua estranha1 na medida que se debatia. O acólito imediatamente retirou do centro do círculo o trono, mas deixou o desenho.

Eu não me atrevi a retirar o desenho do centro do círculo. A sacerdotisa continuava a debater-se na medida que eu aumentava o ritmo das invocações. Nós havíamos no início chamado alguns guardiões. No sul nós alocamos Sekhet, a deusa do furor sexual. A sacerdotisa deitou-se em cima do desenho do Sol Negro com a cabeça voltada ao sul. Foi nesta etapa que suas convulsões chegaram ao cume. Eu comecei uma serie de passes do transe ofidiano deslacrando os marmas e sandhis da sacerdotisa enquanto o acólito evocava e traçava nos 8 quadrantes o sigilo de Dagdagiel.

A sacerdotisa levantou-se em transe subindo em cima de mim que, neste momento, cai sentado em cima do desenho do Sol Negro. Quando isso ocorreu eu comecei a sentir náuseas e a ficar tonto, parecendo que estivera tendo lapsos do exercício que fiz anteriormente. Novamente minha pressão arterial começou a cair e segundo o acólito que nos auxiliava, enquanto ele continuava os chamados de Dagdagial, «Frater Aussik e Soror Lilith começaram a bailar. Ele, deitado, parecia estar em um estado cataléptico; ela, imbuída da Deusa, assumia a forma de Kālī.»

Eu somente voltei de um estado de torpor ofidiano quando a sacerdotisa levantou-se. Fracamente me levantei e ela, agachando-se sobre o desenho do Sol Negro, deixou escorrer sangue menstrual sobre ele. Assim que terminou ela parecia estar voltando de seu transe, todavia, apresentava sinais de cansaço extremo até no dia seguinte.

Eu não consigo me lembrar de nada nas duas vezes que perdi a consciência. Nós terminamos a operação. Enquanto eles se retiraram do Templo eu coloquei o desenho, embebecido com os kalas lunares, em cima de um decágono radiônico deixando-o no centro do círculo. Em cima do desenho adicionei minha foto.

Após esta operação do XIº O.T.O. nós dormimos exaustos.

No dia seguinte, eu recebi o seguinte e-mail de Fra. 156 ‘.’ relatando um sonho: «Sonhei essa noite com 2 coisas curiosas: uma com você, acima de sua cama havia uma forma muito misteriosa, uma espécie de fumaça, cheia de olhos e setas pelo corpo, uma força de destruição. Me envolvi em símbolo de proteção e fui ao templo, lá um ser com vestes brancas me entregou um livro de capa preta e o nome desse livro era Magick Without Tears...». Eu enviei uma mensagem perguntando mais sobre o sonho e horas depois ele me respondeu: «Quanto a este sonho, foi só o que lhe disse mesmo. Você deitado em sua cama, com os olhos fechados e a forma de fumaça com setas e um olho sobre você. Havia um diálogo numa língua inintelígel ou um mantra, sei lá. Ao ver aquilo, senti que não era legal para mim, dai ter feito o sinal de proteção e subir para o templo. Foi isso.»

Essa «fumaça, cheia de olhos e setas pelo corpo» é o Sol Negro. Minha avaliação é que, mesmo estando inconsciente, a operação proporcionou resultados efetivos através da união da Corrente Theriônica e a Magia Lovercraftiana.

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1. Esta foi à primeira transmissão de uma série de comunicações que resultou em um obscuro Grimório, falsamente chamado O Livro dos Feitiços. O texto traz inúmeras informações acerca da Magia da Zona Malva, sigilos e fórmulas mágicas.


Soror Lilith 81 ‘.’ , a mais poderosa médium da Loja Shaitan-Aiwaz, na Operação A’ano’nin, a Sentinela do 26º Túnel de Seth, conhecido como o Senhor dos Portais da Metéria. Sua Magia é indicada pela letra hebraica ayin, conhecida como o «Olho do Mal», o «Olho de Seth» ou o «Diamante da Noite». Sua doença é o priapismo. Coresponte ao Atu XV, o Diabo na Árvore da Vida. Operação do XIº O.T.O. Soror 81 ‘.’ canalizou grande parte do O Livro dos Feitiços

Data: 01 de Outubro
Horário: 22:00
Local: Loja Shaitan-Aiwaz
Prática: “Encontro com a Força Primordial do Caos”
Tempo: noite fresca e agradável
Fase da Lua: minguante
Posição da Lua em: Virgem
Estado de espírito: tranquilo
Descrição da prática: Segui os mesmos procedimentos do dia anterior, sentando-me para meditar na frente do portal (desenho) do Sol Negro, agora imbuído de ojas e consagrado com os kalas estelares de Nu-Isis.

Eu venho trabalhando com frequência com um gênio qliphótico, Parfaxitas, o qual possui um totem consagrado no Templo da Loja para realização de trabalhos diários com o emprego das técnicas do VIIIº O.T.O. Enquanto circumbulava o círculo, o sigilo de Parfaxitas caiu em cima do desenho do Sol Negro, despencando do Altar em que se encontrava. Sutilmente eu o coloquei ao lado do desenho, sob uma vela consagrada.

No início do exercício, logo após a vocalização mântrica de abertura, rapidamente fui sugado por um vórtice. A sensação era muito maior do que no dia anterior. Eu era puxado de maneira mais rápida. A sensação de torpor novamente invadia meus sentidos e aquela angústia voltara. Eu me encontrava em um local cuja velocidade era altíssima. Novamente, minha pressão arterial estava caindo, mas eu resistia para não me entregar ao ponto de perder a consciência como no dia anterior. De repente não havia mais velocidade. Eu me encontrava em um ambiente negro-esverdeado. Na medida em que continuava a adentrar neste local, vez ou outra, a cor se transformava em um negro-avermelhado, voltando, rapidamente, a cor original.

Eu procurava formas, mas não encontrava. A angústia era muito mais forte, parecia que eu me encontrava pronto para ser implodido quando, novamente, não vi mais nada. Entretanto senti-me no núcleo do universo. Não havia ali mais nenhum tipo de sensação incômoda, o que parece que eu somente estava sentido aquilo em detrimento de meu contato com alguma fonte de energia primordial.*

Horas depois finalizei exercício com o mantra proposto. Quando fui olhar as horas, eram 03:28 de domingo.

* [Nota de 18 de março de 2013]: Hoje reconheço essa experiência como um profundo estado de dhyāna.

Data: 05 de Outubro
Horário: 00:00
Local: Loja Shaitan-Aiwaz
Prática: “Encontro com a Força Primordial do Caos através do sonho”
Tempo: noite fria com garoa e neblina
Fase da Lua: negra
Posição da Lua em: Virgem
Estado de espírito: sonolento
Descrição da prática: Adentrei ao Templo da Loja Shaitan-Aiwaz, fiz o Rubi Estrela (viparita) para abertura dos portais de Daäth. Fiz uma ligeira meditação no yantra do Sol Negro vocalizando o mantra. O Templo era iluminado por uma lâmpada azul, causando assim uma impressão nostálgica de trabalhos oníricos.

Entretanto, enquanto meditava, senti vontade de fazer uma invocação a Cthulhu, mas não o fiz. Estendi um colchão no círculo mágico e me cobri com uma coberta azul. Dormi pensando em Cthulhu.

Demorei um pouco a dormir. Durante toda à noite sonhei que estava fazendo um ritual na Loja Shaitan-Aiwaz na linha do Culto de Cthulhu e que o Templo enchia-se de água por todos os lados. De um espelho que estava sendo utilizado para o Culto de Kû saiam às emanações de Cthulhu que, ao entrarem em contato com minha pele (eu estava nu) me sugaram em um turbilhão aquático. Este turbilhão causava uma ruptura em minha consciência abrindo assim um portal para o contato com os Deep Ones.

Em seguida me encontrei submerso em uma cidade nas profundezas do mar. Havia um culto onde fui engajado. Uma sacerdotisa de pálida pele resplandescente tocou o meu ombro direito e disse: “grite, chame: hetoad, yscarla, putahm, acorde Cthulhu, levante-se de seu sono em R’lyeh.

No momento em que comecei a vocalizar o mantra indicado, cantando junto a um coral de adeptos, tive ereção. Enquanto cantava a melodia priáptica fui visitado por uma Mulher-Sombra que há muito copula comigo em meus sonhos desde que desenvolvi a técnica do controle onírico pelo VIIIº Grau para o Soberano Santuário da O.T.O.

Esta Mulher-Sombra muitas vezes carrega em seu peito o sigilo de Aussik, entretanto, desta vez, ela carregava o Sol Negro. Ele estava pintado de vermelho em sua esbranquiçada pele, mas no momento do orgasmo ele se tornou dourado (como o pintei) e começou a brilhar com muita intensidade. Esta intensidade aumentou até me sugar completamente em um turbilhão negro.

Acordei, já era manhã. Havia chovido forte à noite. Parece-me que uma pedra de granizo atingiu a janela oeste do Templo (onde fica o quadrante macrocosmico do elemento Água consagrado a Cthulhu), causando uma extensa fenda que de perto, lembra o sigilo de Cthulhu. A parede, abaixo da janela estava completamente molhada e o chão, em grande parte, alagado. Acordei ensopado de água e sêmen.

Data: 06 de Outubro
Horário: 23:45
Local: Loja Shaitan-Aiwaz
Prática: “Encontro com a Força Primordial do Caos através do sonho”
Tempo: noite fresca
Fase da Lua: negra
Posição da Lua em: Virgem
Estado de espírito: tranqüilo
Descrição da prática: Adentrei ao Templo da Loja Shaitan-Aiwaz para realizar uma operação com Parfaxitas, Sentinela do 27º Túnel de Seth. O trabalho em si fora consagrado a uma operação de ressurgência atávica por meio do VIIIº O.T.O.

Em uma operação com Parfaxitas em Fevereiro deste ano (cujo relatório segue em anexo), eu relatei:

A fórmula de Parfaxitas é a do VIII°(+) O.T.O., que comporta a assunção astral de formas animais para reificação de energias atávicas. No Culto da Serpente Negra esta fórmula é chamada de Mystère Lycanthropique, descrita como O Mistério do Templo Vermelho da Magia Atlantida que envolve a mágica transformação em homens-animais pela magick sexual.
Esta operação na O.T.O. envolve o trabalho sexual solitário onde o magista veste-se com máscaras animalescas consoantes com a natureza do atavismo que ele pretende recriar. Alguns magistas da atualidade, assim como os mais remotos xamãs, vestem-se completamente com formas animalescas e bestiais para que a assunção astral ganhe mais substância. No momento da emissão da semente a forma-divina é projetada além da aura do magista e é nutrida por sua energia. Ela é reificada no plano astral e às vezes no etérico onde ela se une sexualmente com uma entidade similar projetada pela Sacerdotisa que trabalha no mesmo rito. O sucesso de uma operação dessas é raro, mas nos casos em que as entidades agem de acordo com seu objetivo existencial, o resultado deste congresso é a geração de um muito poderoso vórtice de energia nos planos astrais de consciência. Isso permite que entidades, energias super-humanas de atavismos primêvos, sejam atraídas por este vórtice para se manifestarem na consciência do magista.
O Túnel de Parfaxitas é habitado por criaturas híbridas que são o resultado de operações praticadas imperfeitamente desta natureza. Os animais associados com este raio são a coruja, o lobo e o abutre, daí Mystère Lycanthropique. Gigantescos Ciclopes, aberrações solitárias e isoladas, habitam este Túnel destruindo qualquer presença estranha.

As Chaves para abertura de portais exteriores, as Células de Seth ou os Túneis de Tululu, repousam no Soberano Santuário da O.T.O., e seu uso varia de acordo com o nível de consciência involvido. A única maneira de se adquirir estas Chaves é, propriamente, se tornando elas. I.e. a aquisição destas Chaves depende somente da habilidade do iniciado em moldar sua consciência astral na forma – frequentemente zoomórfica – da zona mágica que pretende penetrar. Zos (Spare) usava muitas formas felinas; Baphomet (Crowley) usava pássatros como o falcão e a ibis. A distinção é significativa. Os Templos Egípcios da deusa-gata Bast eram dedicados a Lua e a Meon (Estrelas). Os Templos do Falcão Horus, ao Sol; o Thoth Cabeça-de-Ibis a Mesrcúrio. As fórmulas mágicas que correspondem respectivamete a estes níveis são o VII(-), o IXº(+), e o VIIIº(+), entretanto a atribuição solar via Horus, é validamente trocada para Marte via a fórmula XIº(-) de Horus.

Eu iniciei a operação com a realização viparita do Rubi Estrela. Em seguida fiz as circumbulações necessárias consagrando o círculo mágico a Daäth. Após fazer uma invocação a Hastur no Leste, Yog-Sothoth no Sul, Cthulhu no Oeste e Shognigoth no Norte, invoquei Lam como um portal entre os universos. Cada um foi invocado por instrumentos apropriados, i.e. não houve invocações expressas em palavras, mas somente por sons de instrumentos musicais.

O Templo havia sido decorado com luzes vermelhas e havia um aparelho radiônico que emitia cores (kalas) vermelhos e malva. De frente para o totem zoomórfico de Parfaxitas comecei a operação intercalando a visualização de seu sigilo e do sigilo do Sol Negro. Diferente de outras operações com este Sentinela qliphótico, parece-me que, do túnel, fui lançado a um local além da Zona-Malva, dimensões que se encontram além dos túneis.

Comecei a receber imagens turvas do vazio enquanto intercalava a vocalização do nome de Parfaxitas com o mantra do Sol Negro. As imagens causavam-me náuseas enquanto eu assumia gradativamente a forma de um lobo. Comecei a suar em demasia e sentia as juntas de todo o corpo muito doloridas. Perdi a consciência.

Algumas horas depois o sigilo de Parfaxitas (que já havia sido untado com os kalas de Nuit através de Soror 789 ‘.’) e o sigilo do Sol Negro (que já havia sido untado com os kalas de Nuit através de Soror 81 ‘.’) foram consagrados novamente com o 27º kala transmitido por Aussik, via às transmissões do vazio.

Finalizei a operação e como no dia anterior, dormi no círculo mágico.

Nesta noite eu fui a um Sabbath dos Adeptos. Sentado ao redor de uma fogueira, com meu robe de IXº, me encontrava ao lado de Zos (Spare) que se encontrava com um robe amarelo, Frater Baphomet (Crowley) que se encontrava com um robe branco, Frater Aossic (Grant) que se encontrava com um robe azul e Frater Kliphomynion (Bertiaux) que se encontrava com um robe negro.

Nós nos levantamos. Baphomet chegou perto da fogueira e invocou as bruxas. Em seguida várias mulheres, nuas, se aproximaram. Nós formamos um pentagrama ao redor da fogueira e posicionamos as bruxas. A Grã-Sacerdotisa iniciou uma série de invocações enquanto todos nós iniciamos a cópula. Todas cantavam uma canção gótica que inebriava os sentidos.

Novamente, acordei pela manhã, já com o dia claro. O sigilo do Sol Negro do meu lado direito e o sigilo de Parfaxitas na direção de meus pés. (Eu não os coloquei nesta posição após o trabalho, eles se encontravam no altar.)

Não me lembro, completamente, deste sonho, por isto a anotação se encontra desconfigurada.

Data: 07 de Outubro
Horário: 22:00
Local: Loja Shaitan-Aiwaz
Prática: “Encontro com a Força Primordial do Caos através do sonho”
Tempo: noite fresca
Fase da Lua: negra
Posição da Lua em: Capricórnio
Estado de espírito: tranqüilo
Descrição da prática: Adentrei ao Templo da Loja Shaitan-Aiwaz para fazer um trabalho espiritual com Cthulhu. Os procedimentos de abertura de Templo foram os mesmos dos trabalhos anteriores, salvo a ‘Abertura dos Portais Elementais’, que foi concebida por Mestre Azoth Kalafou para ser utilizada no Ritual Bathos da Loja Adytum Azothos da Ordo Templi Orientis Antiqua (O.T.O.A.). Basicamente, é uma abertura enochiana arranjada de maneira a abrir um vórtice no Tempo & Espaço para que qualquer evento astrológico possa ser acessado e para que os participantes possam receber influxo estelar e imagens (e/ou mensagens) do vazio.

O sigilo de Cthulhu fora colocado em um espelho mágico e o mantra utilizado fora o recebido no dia 05. Enquanto cantava o mantra meu corpo começava a fazer movimentos sincronizados com as palavras. Os movimentos eram serpentinos. O espelho fora colocado em uma plataforma no canto da parede nordeste do Templo, exatamente acima de outra plataforma que alocava um altar dedicado a Apep.

Neste estado eu começava a notar a presença de um mui poderoso vórtice de energia. Sentia um peso muito pouco peculiar sobre meus ombros. A força tornava-se progressivamente mais forte. A tensão no Templo estava tão forte que comecei a sentir gosto de sangue na boca. Lágrimas começaram a correr de meus olhos e um pouco de sangue começava a escorrer de meu nariz.

O acólito que me acompanhava nesta operação começou a rugir um lamento estranho. Suas expressões faciais estavam obscuras e sua pele estava incrivelmente branca. Inarticuladas vozes de reinos trans-yugoothianos fluíam através de seu visuddhacakra. Ambos fomos atingidos por uma inebriante sensação fria. O Templo que geralmente é tão quente agora estava extremamente gelado. Parecia que gradualmente a gravidade se perdia e rapidamente uma sensação de flutuamento começou tomar conta de ambos.

O acólito saiu de frente do espelho e sentou-se ao lado do altar. Rapidamente um estado de jagrat emergiu e comecei a receber algumas imagens, figuras geométricas transparentes. Neste estado eu comecei a vocalizar o mantra ahait-zohii-aghat-meheat tentando concentrar a imagem do Sol Negro intercalando-a com as figuras vistas por mim.

Neste momento as figuras que antes eram transparentes uniram-se a imagem do Sol Negro e uma série de mandalas começaram a emergir desta união. Imagens vívidas e coloridas que gradativamente, uma a uma, iam se tornando negras com rajadas amarelas.

Quando as imagens pararam de aparecer nós finalizamos a operação.

Após o acólito ir embora, voltei ao Templo e dormi no círculo mágico. O sono estava muito agitado e acordei inúmeras vezes com muita dificuldade para voltar dormir. Só consegui dormir efetivamente quase pela manha. O sono foi muito denso e profundo, sem sonhos.

12 comentários:

  1. Olá acho interessante suas postagens, mas me questionou, se nestes trabalhos você se sente tão mal e as vezes confuso em relação à resultados. Qual a utilidade de tais operações na vida prática e no desenvolvimento espiritual? ...Não me interprete mal, só me questiono da utilidade de trabalhar com energias que aparentam causar efeitos nocivos à saúde humana.

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  2. Olá Felipe, bom dia.

    Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

    Obrigado pela mensagem. Os anos de 2002 a 2005 foram o início de minhas incursões qliphóticas. Tudo era muito incerto e quando a inaptidão para o trabalho não era minha, era das pessoas que me acompanhavam, embora todos nós nos empenhássemos muito.

    O trabalho com os Qliphoth nos coloca em contato com forças desconhecidas em nós mesmos, forças necessárias para o desenvolvimento espiritual. As práticas ou até mesmos essas forças podem parecer nocivas em um primeiro momento, mas logo se descobre a potência espiritual que elas representam.

    Ao meu ver, o desvelar dessas forças e o trabalho com elas consiste em uma etapa importante na Iniciação.

    Amor é a lei, amor sob vontade.

    Às ordens,
    511 '.'

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  3. Olá, há muito venho vendo trabalhos com entidades de lovecraft, oque é isso? Tirando o conceito de realidade, mas, são reais? Qual a validade de seus escritos? (Os de lovecraft)

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    1. Olá,

      Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

      Segundo Agrippa, a luz astral é autoconsciente. Ela tomará a forma e começará a agir de acordo com a entidade invocada ou com as características da programação de um elementar. Portanto, não importa se as entidades da Gnose do Necronomicon são reais ou não. Na verdade, não importa se qualquer entidade é real ou não. Ao invocá-la ou criá-la, a luz astral toma sua forma. Portanto, isso é de cada um.

      Agora, Kenneth Grant dá uma atenção especial ao universo de Lovecraft. Se seus escritos têm validade ou não, prefiro me abster de comentar. No entanto, eu passei quinze anos de minha vida dedicado ao sistema Tifoniano, que emprega a Gnose do Necronomicon. Portanto, falo a partir da minha experiência: estas entidades são tão reais como quaisquer outras e trabalhar com elas e me aprofundar nos escritos de Lovecraft me ajudou a dissolver inúmeros bloqueios. E não é disso que se trata a Grande Obra?

      De minha parte, gostei demais dessa experiência toda.

      Amor é a lei, amor sob vontade.

      ON120

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Olá, Fernando! Além dos autores citados, tem algum livro que trate diretamente de como entrar em contato com a magia Lovercraftiana, e isso seria adequado para quem nunca praticou magia? Só mais uma coisa, é verdade que é mais forte que teurgia, goétia e outras formas de magia? Muito obrigado!!

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  5. OLÁ. APESAR DE TER LIDOS OS RELATOS DOS POSTS ACIMA, Q TBÉM ERAM PERGUNTAS Q EU FARIA, EU AINDA TE PERGUNTO: QUAL O OBJETIVOS DE TAIS OPERAÇÕES MÁGICAS? O Q ELAS TRAZEM AO INICIADO ALÉM DA EXPERIENCIA Q VC CITOU, M,AS EM RELAÇÃO AO PLANETA, À HUMANIDADE, QUAL A IMPORTÂNCIA DESTAS PRÁTICAS? E, PQ VC PASSA TÃO MAL? QDO VC PERDE A CONSCIÊNCIA, NÃO COMO VC SABER O Q ACONTECEU COM VC?

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  6. Eu nunca ouvi falar desta ordem. Quem a fundou? Quais os fundamentos e objetivos de voceis?

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  7. Fernando, é interessante as experiências que busca e a maneira que lhe dá com elas. Acho difícil os magos compartilharem da maneira que tem feito, pois, de certo modo, as altera. Agradeço pelo seu relato. Espero que hoje estas pegadas te façam bem.

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  8. Ola Sr Fernando Liguori como faço para entrar em contato co o sr?

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  9. Ola Sr Fernando Liguori como faço para entrar em contato co o sr?

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  10. Ola FERNANDO
    eu li seu livo magico e vi algo em comum que ocorreu comigo vc descreve que na sua meditação vc se viu sendo sugando para baixo num buraco negro .
    um dia eu tentei meditar em boara não tinha nem um conhecimento sobre a não a intenção de despertar então mesmo assim tentei meditar em dardo momento eu relaxei e então me senti sendo sugando para dentro de mim para baixo tudo era muito escuro mas foi muito forte eu me assustei e fiz uma forças tremenda para voltar ao normal quando voltei eu estava com as mãos travadas de tanta forças que fiz o susto foi forte então não repeti isso mas . isso pode de alguma forma me prejudicar? e como posso fazer de modo seguro

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Ola, seja bem vindo para comentar. Utilize o bom-senso, seja profundo.