sexta-feira, 7 de novembro de 2014




Kenneth Grant
Tradução de Fernando Liguori
Aleister Crowley and Hidden God, Capítulo 8, Skoob Books, 1992.


A MAGIA FOI aperfeiçoada, historicamente falando, no antigo Egito. Mas em um tempo muito anterior à sistematizada exploração e controle do subconsciente, o feiticeiro africano já controlava forças invisíveis por meio de um feitiço ou fetiche peculiar conhecido como d-mammu ou “efígie de sangue” que fora posteriormente tipificado pela múmia. Sendo a verdadeira ligação mágica com o mundo invisível, o d-mammu é ainda a base de todo ocultismo prático, embora sua forma mude com o tempo. Na antiguidade ele frequentemente tomava forma de um objeto “casual” que fora associado pelo feiticeiro com o objetivo de seu desejo, ou de alguma forma identificado com o seu poder mágico. Tendo sido uma vez carregado com vitalidade, ele deixava de ser um objeto ordinário, sendo então queimado ou ocultado. Se o trabalho mágico envolvia o elemento terra, fogo, ar ou água, o objeto era enterrado, queimado, ocultado na folhagem de uma alta árvore ou submergido em um lago ou rio. Este ato afirmava um esquecimento pela mente consciente, um aterramento do talismã no abismo do subconsciente. Ele era o útero negro do esquecimento que germinava o desejo oculto.

Fragmentos de um ritual que sobreviveu aos tempos mais remotos mostram que os mortos se submetiam a uma transformação no abismo ou submundo. Eles se transformaram em Asar-Un-Nefer.1 A lenda relata que Osíris foi desmembrado ou cortado em pedaços por Set, que tipificava a Noite, o Esquecimento. Isis encontrou todas as partes do corpo, com exceção do falo; foi Horus quem supriu o membro perdido assim capacitando o Osirificado ascender a uma nova vida. A forma remembrada do deus simboliza o todo espiritual e perfeição. A deusa Isis representa a operação espontânea da Natureza curando a quebra da consciência pela revelação da chave oculta para o subconsciente. Em uma lenda, ela copula com o defunto de Osíris a fim de dar a luz a Horus. Este congresso acontece no Amenta, a “terra oculta” (i.e. o subconsciente), o submundo da topografia mágica do antigo Egito.

O sacerdote Egípcio se identificava com este deus assumindo internamente sua natureza sobre-humana e extremamente alguma parte, geralmente o rabo ou chifre do animal que representava aquela natureza. Identificando desta maneira sua consciência com a besta, o sacerdote se transformava em um d-mammu, fetiche ou sigilo vivo. Ele era então “lançado para dentro do Abismo” entrando cerimonialmente no submundo em uma embarcação consagrada; após o que ele era encerrado em um santuário lacrado até que o poder do deus se manifestasse. Certas indicações, nos papiros e monumentos, sugerem que tal processo formava parte de uma investigação regular do submundo ou reinos ocultos.

Na Índia antiga a Grande Perfeição era – e ainda é – buscada pelo serviço contínuo cuja forma-divina era assumida por seus devotos. No culto de Radha-Krisna, por exemplo, existe em elaborado ritual de adoração extasiante onde Krishna é adorado no período da Lua Cheia de Outono em um círculo mágico formado por devotos, fêmeas e machos, que assumem as formas-divinas de Radha2 e Krishna3 respectivamente. A direta adoração de Krishna em seu próprio reino4 como distinta da oração, serviço de templo, ou ritos domésticos focados sobre a imagem de deidade, requer a assunção do prema-deha ou corpo de amor divino5 por parte do devoto. Este corpo e a mística de seu cultivo e desenvolvimento depende da habilidade do devoto de se fundir na doçura toda penetrante de Krishna. Após vidas de intensa devoção a Krishna o corpo físico do devoto se torna transmutado em um prema-deha e ele é capaz de entrar no céu de Krishna e viver na sua divina presença. É em tal prema-deha que as forças trans-divinas se manifestam na terra, mas os não-iniciados são incapazes de ver a diferença entre a genuína forma-divina e o corpo de carne e sangue. Essa suprema assunção da forma-divina é naturalmente rara, mas ela realmente acontece e tem sido demonstrado em épocas recentes pela aparição na terra de avatares tais como Thakur Haranath, o Santo de Bengali Ocidental (1865-1927).

O segredo da transformação corporal está na vibração. Thakur Haranath impelia seus seguidores a repetir o mantra kusuma-haranath com a mente concentrada em Krishna. Sendo Kusuma6 a shakti ou aspecto objetivante de Haranath, Radha é para Krishna o que Kusuma é para Haranath. O mantra Kusuma-Haranath é portanto idêntico com Radha-Krishna e, ao se tornar reverberante através da vibração, transforma o revestimento físico em corpo de pura bem-aventurança.

O mantra semente (bija) de Dakshnakalika7 é Krîm. Este bija (krîm) é a concentração da palavra Karpuram, que denota uma misteriosa substância utilizada na adoração tântrica. Ela é usualmente traduzida como “cânfora”, o incenso sagrado de Shiva, à forma indiana do deus Set. Na lista de perfumes dados em Liber 777 (tabela I, coluna xlii, linha 13) canfora é atribuída ao 13º Caminho. Idéias cógnitas são o sangue menstrual, o cão (zootipo de Sothis, a Estrela-Cão), o arco e flecha, o olho esquerdo, a pedra lunar (ortósio ou serenita), o ponto profundo do Hexagrama Celestial, o número nove,8 o Atu II (a Sacerdotisa da Estrela de Prata),9 e a fórmula de Alim.10


Figura 8: Atu II: A Alta Sacerdotisa. Concebido por Crowley e pintado por Lady Harris


Em termos do sandhya-bhasa,11 a linguagem secreta dos Tantras, Shukra e Rakta são conhecidos como Karpuram (cânfora). Shukra é o semen virile, e no Liber 777, Raktra é equiparada com “a amargura de rukh”, o incenso específico da Corrente lunar cujo veículo é o fluído menstrual. Ukh ou ruc, é uma palavra sânscrita significando agradável ou adorável em um sentido sexual. Râkâ, uma palavra derivada, significa uma garota cuja menstruação deu-se início. Na Tradição Hebraica o Rukh se tornou Ruach, o espírito; era a fêmea na tradição original, mas assumiu a natureza masculina quando o culto estrelar de Al-Shaddai (Set) degenerou-se no culto de Jehovah, a partir de onde o macho foi considerado primário. Râkâ era também o nome de uma deusa que presidia o período da lua cheia, e Rika (outra derivação de Rukh) significa encantamento mágico. O Rakhi é um talismã ou feitiço Hindu; em outras palavras, um fetiche primordial que, como seu original Africano, era carregado com as vibrações da Corrente lunar.

Karpuradi ou Kali (a adorada de Shiva) assim expressa em seu secreto nome, Krîm, uma fórmula de polaridade sexual que torna possível a sua invocação. Uma tradução alternativa de Karpuram é “o kalpaka ou o formador do mundo”,12 i.e. os fluídos sexuais combinados.

Alguns dos significados esotéricos da letra “K” já foram mencionados (veja Capítulo Um). O Tantaraja diz da Mãe, ou potência criadora do mundo: “A letra Ka é vossa forma.” Esta é a letra inicial de Krîm. A segunda letra, “R”, é a letra de fogo, paixão, calor ou luz.13 A penúltima letra “I”, ou a vogal longa “î”, é conhecida nos Tantras como o “olho esquerdo que realiza todos os desejos”. O “olho esquerdo” é o Ayin, o Olho de Set. Crowley atribuía-o a imagem de Baphomet, o “diabo” de O Livro de Thoth.14 O olho se Refere à Deusa Quinze cuja fórmula está oculta no Atu X. A letra final, “M”, estritamente falando, não é uma letra de forma alguma, mas a vibração sutil representada no sânscrito pelo chandra-bindu (semente da lua). Ele é descrito na forma de um ponto crescente inscrito sobre uma figura lembrando o trinta (30) arábico, assim: (glifo do OM). Na recente versão solar dos Mistérios este número denota o termino de um ciclo, a lua cheia ou mês, etc. O chandra-bindu consequentemente representa absorção no Vazio, a realidade além do tempo – Dakshnakalika.

Krîm, a essência de Kali, é expresso Alquimicamente como uma vibração eletro magnética das emanações que fluem periodicamente da saída genital da sacerdotisa consagrada. O estatuário de Kali a descreve com uma dupla corrente de sangue fluindo dos cantos de sua boca. Isto indica o escarlate ou rajoguna, o duplo líquido da vida tipificada no zodíaco pelo glifo de [glifo de Aquário], Aquárius,15 a Água mística da Vida. Crowley atribuía [glifo de Aquário] ao Norte (Nuit) como o protótipo de Babalon, cujo símbolo é uma Serpente de Fogo, [glifo de Escorpião]. De acordo com o Nirvana Tantra, “O filho do sol é a morte e ele está estabelecido no Sul (Dakshna). O poder de Kali (i.e. o elixir da imortalidade) o afugenta com medo em todas as direções. Por isso ela é chamada de Dakshina.” Mas, de acordo com o Kamakhyatantra, “o sol atrás do filho está à direita e se torna o concessor da Liberação (imortalidade). Por isso ela é chamada Dakshnakalika nos três mundos (passado, presente e futuro)”. O significado deste simbolismo é que Dakshnakalika reconcilia o Norte e o Sul, Nuit e Hadit, Horus e Set. Ela polariza estes terminais duais para propósitos de manifestação. Ela se sustenta sobre Shiva assim como Nuit se arqueia sobre Hadit na Estrela cujo número é duas vezes 359, o número de Shaitan.16 A Estrela é chamada Abominação da Desolação (AL III:19). É significante nesta conexão que o número 19 – o número do verso no AL que nomeia a Estrela – é um Glifo Feminino,17 porque o Vazio (Nuit) em última análise absorve a totalidade da existência manifesta ou o pensamento conceitual. Estes estados são lembrados com horror e medo por seres não-liberados que continuam a confundir a Realidade com o reino dos fenômenos ilusórios. Kali é também mostrada com três olhos que representam os três estados de consciência (vigília, sonho e sono) e os kalas sobre os quais estes estados são baseados: a criativa corrente solar exemplificada pelo estado de vigília; a formativa corrente lunar exemplificada pelo estado astral ou de sonho; e o estado de total dissolução da forma no fogo de Sushupti, exemplificado pelo vazio do sono profundo. O Olho Direito é o raio solar; o Olho Esquerdo, o lunar; o Ajña (terceiro olho) é a suprema sede da Vontade, e é simbolizado pelo fogo estelar da aniquilação que é a fórmula conhecida como a Abertura do Olho de Shiva. Nos Mistérios Egípcios, conforme revividos por Crowley, Ajña – o “olho oculto” – é o Olho de Set; os outro dois são aqueles de Horus como Ra-Hoor-Khuit e Hoor-paar-Kraat, sol e lua respectivamente.

A criação não é natural no sentido que o “pensamento é uma doença da consciência”.18 Assim, quando a Deusa assume o papel dominante na união com Shiva (consciência) no processo conhecido como viparita maithuna,19 a criação ocorre e o universo de nome e número se torna aparente. Shiva, o substrato imutável da pura consciência a partir de onde surgem todas as formas, é figurado como Shava;20 daí o dito: “Shiva é Shava em Shakti”. Este simbolismo nos conduz ao smashanam – cadáver semeado – (o chão em brasas) onde o devoto invoca a Deusa. O smashanam é também a yoni semeada de flores da Deusa que emana as formas da criação.

Crowley sustenta em seu Diário Mágico que toda a magick é um ato à rebours,21 i.e. contra o estado natural de consciência que é livre de pensamento, puro, privado de mentação. Os Budistas chamam este estado livre de pensamento de Maha-shunya (Grande Vazio); ele é a única realidade onde Maya22 – a grande deusa – manipula seu eterno e fantástico jogo do fazer-crer, fantástico porque ele é completamente enganador, uma fascinação. De acordo com o Niruttara Tantra “o Mantra de Kali não se torna ativo sem Kulacara”. Isso significa que a fórmula do Círculo Kaula, conforme praticada no Vama Marga, sozinha energiza a Serpente de Fogo na mulher escolhida para representar a Deusa. Por outro lado, o Phetkarinitantra declara que se o devoto se encontra sem uma shakti (mulher), a vibração do mantra de Kali, “com a mente livre de toda inquietação”,23 igualmente ativa a Kundalini. Isso implica que o poder está na mente, não nos acessórios físicos (os sentidos) que são meras projeções da mente.24 Isso enfatiza a distinção entre o caminho místico e mágico.

O arco de flores carregado pelo deus de Kama (paixão sexual) é sinônimo do arco segurado pela Sacerdotisa da Estrela de Prata e do simbolismo do arco-íris já discutido. Existe uma frase no Tantrakalpadruma traduzida como “a yoni coberta por flores de shakti” e, no Matrikabhedatantra, a flor (ou aquilo que flui) auto-garante “que enfeitiça tudo” é idêntica com o “primeiro Ritu que aparece em uma garota casada”. O Ritu foi o primeiro e primordial rito praticado pelo homem primitivo quando a garota “desabrochava” para a nubilidade e se tornava à flor vermelha consagrada a Kali, à iniciadora dos períodos e ciclos do tempo. Era este o rito ou época certa decretada para o coito. No Syâmarahasya essa flor é chamada Supuspa, que significa uma flor “agradável” ou “aromática”. Ela é referente a Suvasini ou a mulher de cheiro adocicado escolhida para representar a Deusa cujo emblema é hibisco escarlate.25 Ela secreta o orvalho místico que banha o corpo do sacerdote em “um perfume de doce-cheiro de suor” (AL I:27). Ela é o “um palácio”26 que contém “todas as raras fragrâncias; jasmim & rosas, e os emblemas da morte”.27

No Mahanirvanatranta é dito que “vinho é o Salvador (Tara) em forma líquida (Dravamayi)”. Taradramavayi é portanto não o vinho comum, mas o fluído místico, o suco-da-lua que contém os kalas da imortalidade. “Para reverenciar-me tomai vinho e estranhas drogas”, diz Hadit no AL II: 22; as drogas aqui não são compreendidas no senso ordinário, mas são compostas de essências igualmente ocultas.

Em sua descrição da Coroa do Magista, Crowley se refere aos três pentagramas com os quais ele é adornado.28 Eles representam a Deusa Quinze (3x5), i.e. o poder lunar oculto no círculo. Ele também menciona a grande Flecha, bordada do pescoço a bainha no robe do magista, o símbolo de Nuit que aponta para baixo e do arco de flores já enfaticamente explicado.29

O eclipse periódico de um corpo celestial era comparado nos tempos antigos com a ocultação regular e efusão da fêmea cinocéfala que agia como uma ampulheta natural nos templos Egípcios. Em um estágio posterior na evolução das ideias mágicas a lua minguante ou revoltante era tipificada como Osíris enfaixado como uma múmia ou engolfado em linho como a fêmea humana na época de seu enjoo periódico. A imagem mumificada do deus solar a noite (i.e. a lua) assim se tornou uma imagem de ressurreição. Similarmente, o dilúvio de sangue foi comparado à inundação do Nilo, que era uma promessa de frutificação.

O período da mulher, o eclipse lunar e o funeral de Osíris mumificado, todos, resumem a fórmula – da lua minguante, revoltante, e morta – de ser enterrado a fim de crescer e frutificar, i.e. ressuscitar. O drama da lua minguante, crescente e cheia se apresenta em todas as religiões do mundo. Está implícito no relacionamento entre Jesus e João. João tipifica a lua negra que diminui o precursor da luz crescente que é o Cristo místico dos Gnósticos, não o Jesus “histórico” dos posteriores pervertedores dos Mistérios cujo Cristo, nem de longe, era místico, mas meramente mítico.

A recensão do Chandrakala do Shri Vidya trata em detalhes dos dias e noites das quinzenas lunares negras e claras. Para os escolares não-iniciados esta preocupação dos Adeptos Tâmil parece ter se transformado em fanatismo. Não é de surpreender! Qualquer coisa inexplicável a luz da ignorância moderna é classificada imediatamente como superstição. A atribuição do número treze ao reino da bruxaria e magia “negra” é um exemplo típico. Este número significa Inidade30 porque treze luas constituem um ciclo ou círculo completo, ano lunar de treze meses de vinte e oito dias cada. Pelo número treze tipificar a lua e a fêmea, os cultos posteriores, que baseavam seu compito do tempo não na lua mas no sol, consideravam as imagens lunares como amaldiçoadas e as identificavam com ideias de escuridão, trevas, doenças e morte. O número treze a partir daí se tornou o típico número do infortúnio e da impureza.

Treze era o número de Bruxas aceitas em um Coven porque os ritos do Sabbath eram reconhecidos como sendo de origem lunar. O Vinum Sabbati (Vinho do Sabbath) era a efusão mística da Mulher Escarlate, a Prostituta sempre-virgem das Estrelas. Treze, contudo, possuía uma significação muito especial no Culto de Crowley. No sistema de reversão, 13 se torna 31, o número Chave do AL e o componente da mais elevada alíquota de 93, o número de Aiwaz, Thelema e Ágape.

Fora na fase lunar da evolução destes conceitos que o treze se tornou o número da Unidade ou Retorno a Perfeição; a completude em ambos, tempo & espaço, do Ciclo Inteiro. Todo ofício do Círculo era baseado ou no círculo (estrelar) original da Grande Ursa, Deusa das Sete Estrelas; na Lua e seu ciclo anual de treze meses; ou no círculo solar final e posterior das doze casas celestiais do Sol (zodíaco).

No ciclo lunar menor de vinte e oito dias, quatorze são negros com a luz diminuindo na Lua Minguante, quatorze são claros com a luz aumentando na Lua Cheia. O décimo quinto dia assim se torna o dia da Deusa. A lua leva vinte e oito dias para percorrer as doze estações zodiacais e o número vinte e oito consequentemente se tornou um glifo da fêmea, assim como trinta se tornou um glifo do macho.31

Assim como trinta e um é o componente da mais elevada alíquota de noventa e três, o cinco é o componente da mais elevada alíquota de quinze.

Cinco fora o número primordial da mulher como a geratriz bem antes do sete estrelar e do vinte e oito lunar. Pois por cinco dias a mulher foi engolfada e eclipsada na escuridão; dela emanou o dilúvio que o homem primitivo acertadamete identificava como a substância que posteriormente congelaria e daria carne a progenitura. O sangue era reconhecido como a carne líquida e a fêmea expressava (através do número cinco) sua nubilidade, que era a nobilidade arquetípica porque a única linhagem conhecida era a do sangue materno apenas. O papel do macho no processo procriativo era naquela época desconhecido. O eclipse de cinco dias era o selo da nobilidade da mulher, a nobilidade que utiliza o manto escarlate de sua própria natureza, a incontestável rubrica de sua sabedoria. E pelo fato dela ser vista como a renovadora da vida sobre a terra, era comparada a deusa no céu, que se renovava através de ciclos celestiais, como um tipo de ressurreição, o retorno à unidade e última perfeição nos céus e nos infernos.32 O número cinco assim se tornou o selo da autoridade no mundo dos espíritos; ele era representado pelo pentagrama ou estrela de cinco pontas ainda utilizada por magistas para estabelecer contato e controlar entidades transmundanas. A origem do pentagrama mágico pode assim ser traçada aos primeiros fatos observados da natureza elemental.

Cinco era o número da fêmea; seis, ou sexo, o do macho, desde que a atividade sexual novamente se tornou “lícita” após a cessação do dilúvio. No AL (I: 24), Nuit proclama: “Eu sou Nuit, e minha palavra é seis e cinquenta”, que é sua maneira de dizer 56, ou o 5 e o 6,33 indicando que ela era a virgem e a mãe combinadas, identificando-se assim com a Prostituta das Estrelas(i.e. a lua), a criatura que dá a luz independentemente do pai individualizado. Em outras palavras, seu culto – seja estrelar ou lunar – é pré-solar. Isto é importante porque implica que Horus, sua criança, a criança Coroada e Conquistadora do Culto Theriônico, é a “criança” ou essência da mãe apenas. Isto é corroborado pelo AL II: 4, “Entretanto ela deverá ser reconhecida & Eu jamais.”34 “Ela” é a Deusa Quinze, “Eu” é o individualizado, o componente masculino, o bindu ou Deus Oculto.

A Grécia antiga também possuía suas técnicas para energizar o fetiche ou d’mammu. Existia uma casta sacerdotal conhecida como os “urneiros” e suas práticas envolviam o uso de urnas ou vasos em muitos casos indistinguíveis dos vasos ordinários. As urnas eram “carregadas” com sigilos previamente consagrados por um sacerdote. Como no caso do fetiche Africano, e dos “falecidos”35 Egípcios, a urna era subsequentemente enterrada ou arremessada a um elemento apropriado. Os antigos eram impregnados pela magia e é improvável que os vasos enterrados com os mortos tivessem sempre o propósito culinário que os escolares modernos lhe atribuem. Pode ser verdade que as emanações sutis das oferendas à base de fumigações, bebidas e frutas sejam absorvidas pelos espíritos dos mortos, mas os Gregos indubitavelmente utilizavam alguns de seus vasos para propósitos mágicos mais efetivamente criativos associados com a morte e ressurreição.

Quando hermeticamente selada, a urna formava um útero para germinação do “sonho inerente” representado pelo sigilo. No receptáculo escuro, silencioso e vacuoso o sigilo ou mantra linear produzia sua realidade e completava sua vontade nos lugares ocultos da terra ou nas profundezas do oceano.

O Mantra-Yoga ou a vibração magicamente carregada de frases e palavras “sagradas” é uma das praticas ocultas mais antigas conhecidas ao homem. O feitiço ou o encantamento não possuía sempre um significado racional; mais frequentemente do que não, a frase não possuía nenhuma significação intrínseca. Como Wei Wu Wei observa: “Não se pretende que um mantra esteja sujeito à interpretação conceitual; portanto não precisa ser dado a ele uma tradução literal. Não é um epítome exotérico doutrinal, mas um veículo esotérico – principalmente auditivo – para a percepção do que nós somos universalmente.”36

Concernente ao mantra no Budismo Tântrico, S.B. Dasgupta observa:

No todo parece que a maioria dos mantras [...] são compostos de uma corrente de sílabas que perderam seu significado etimológico ou que nunca tiveram um significado etimológico. Vasubandhu diz em seu Bodhisattvabhúmi que esta absoluta não-significação é a real significação dos mantras. Um Sadhaka (aspirante) deve meditar sobre estes mantras como algo absolutamente sem significado e esta meditação constante gradualmente conduzirá a um estado de mente onde ser-lhe-á muito fácil meditar na última natureza dos dharmas (princípio da existência) como absolutamente sem significado; esta ausência de significado é a natureza vazia dos dharmas e assim a meditação nos mantras gradualmente conduzirá o Sadhaka para realização vazia dos dharmas.37

Dasgupta contiunua: “Nas mãos de Vasubandhu os mantras obtêm uma significação mais profunda do que a mera invocação de qualquer deus ou deusa em particular que poderia conceder benefícios mundanos ou realizar alguns de nossos desejos egoístas”38

A ideia por trás da repetição aparentemente absurda de uma frase ou palavra sem significado é semelhante à teoria por trás do sigilo que não possui uma forma linear que possa ser reconhecida pela mente. Desviando-se assim do sensor endo-psíquico, a vibração se encontra livre para retornar a mente a sua fonte subconsciente sem o seu estado capaz de produzir imagens do mantra, pois a concepção e o nascimento de imagens tornaria todo o processo completamente abortivo. Mesmo os mantras que possuem um significado definido transformam-se despojados de significado no continuo processo de repetições. Os Budistas tântricos possuíam força mental o suficiente para prescindir o mantra de significado desde o início de suas vocalizações. Outras tradições eram mais cautelosas; sem dúvida, supondo que se o mantra fosse desprovido de significado, a mente racional do aspirante se rebelaria logo no início. Um simples experimento demonstrará que a palavra mais ordinária, repetida continuamente, se esvaziará completamente de significado em um período muito curto de tempo.

Todas as palavras e coisas, nomes e números, sejam sagrados ou profanos, são similarmente e em última análise vazios. O vazio de todas as coisas pode ser realizado pelo processo da reverberação mântrica. Se desempenhada com profunda atenção a prática resulta no êxtase na medida em que a mente se dissolve e se funde com o rítmico fluxo do som. Isso abre caminho à tranquilidade inefável na medida em que o êxtase diminui e a mente se torna fundida no vazio. Este é o Caminho Místico que descende dos reservatórios da Consciência Cósmica, através do sushupti individualizado como o estado de sono sem sonho. Contemplar a este processo é o Caminho Mágico que ascende do subconsciente através do swapna, o estado onírico ou astral.

A mente subconsciente é o repositório de todas as imagens, todas as ideias, todos os conceitos. A comunicação com ela é possível somente através de símbolos, e a fim de se traficar com ela uma linguagem simbólica é necessária.

Os únicos símbolos magicamente efetivos são aqueles carregados com a vitalidade peculiar do subconsciente. Portanto, o desejo necessita ser formulado em termos simbólicos e projetado para dentro do “submundo”, devendo-se evitar o sensor endo-psíquico. Um desejo conscientemente formulado alcança sua realização gradualmente e é frequentemente realizado após a cessação do próprio desejo. Este tipo de desejo deve ser evitado como uma dissipação do tempo e energia, uma vez que ele não é evidentemente uma parte da Verdadeira Vontade ou “sonho inerente”.

Por conveniência a subconsciência pode ser considerada como uma série de camadas contendo faculdades e poderes que se estendem de volta indefinidamente. Cada fase da evolução, da aquática a humana, é caracterizada por vários poderes, e na medida em que novos poderes evoluem outros se tornam obsoletos e são descartados. Eles são pressionados a latência e podem ser redespertos por meios mágicos. Por exemplo, algumas das formas mais antigas de vida manifesta possuíam enorme força física, embora fragilmente inteligentes; algumas eram capazes de viajar em grandes velocidades; outras podiam crescer a alturas inacessíveis ao homem. É o princípio por detrás destes poderes, a força sobre-humana e a rapidez de movimento, o poder de transformação e regeneração, etc. que o magista busca reviver. Contudo, se o desejo por qualquer destes poderes permanecer consciente, eles crescerão e se amadurecerão somente depois de muito tempo; o indivíduo pode crescer, envelhecer e morrer antes que os veículos mecânicos de aquisição destes poderes tenham sido inventados e colocados à disposição.

Existem diversos meios de se projetar o desejo para dentro do submundo. Austin Spare formulou um método simples, embora potente: anote uma pequena sentença incorporada com a natureza do desejo, p.e. “Eu Desejo Conhecimento Mágico”. Extraia todas as letras repetidas, tais como a letra “e” que aparece cinco vezes, deixando apenas uma letra. Desta maneira a seguinte série de letras permanece: EUDSJOCNHIMTAG. Das originais vinte e seis letras, quatorze permaneceram. Organize-as na forma de um sigilo. Ele deve ser simples e facilmente memorizado; ainda, ele não deve sugerir de maneira alguma a natureza do desejo. A mente consciente precisa “esquecer” o significado do sigilo; somente então pode a sua imagem ser gerada.

O sigilo, uma vez desenhado e memorizado, é destruído, sendo destinado a um apropriado elemento, conforme previamente explicado. O ato de destruição, ou melhor, de absorção (pois é a semente que impregna o útero do vazio), precisa ser substanciado por um ato de magick-sexaul que Spare, e outros, considerava desaconselhável por no papel. Embora este não seja o único caminho para se traficar com elementais e de se facilitar a revificação de antigos atavismos, ele possui a vantagem de ser direto.

Símbolos tradicionais como o Olho no Triângulo, o Ankh, a Suástica, a Cruz e etc., embora possuindo poder para despertar forças sutis, são muito familiares à mente consciente para terem um impacto direto e imediato no subconsciente; tais símbolos universais são mais efetivos quando utilizados em conexão com o Caminho Místico. Magick emprega essencialmente fórmulas individualistas; misticismo transcende completamente o individual. Existem dois processos diferentes evolvidos e eles podem ser comparados com a diferença entre uma barra de ouro puro e a cunhagem de uma corrente de valor idêntico. Embora o ouro possua valor intrínseco e a cunhagem da corrente não, não é bom vender ouro em lojas. Seu valor tem de ser avaliado e convertido em dinheiro-base. O dinheiro-base do subconsciente é, por assim dizer, o sigilo aparentemente sem significado. Como a maioria das analogias, contudo, isso não é estritamente verdadeiro porque no subconsciente a barra de ouro seria reconhecida pelos elementais e os influenciaria de acordo, ao passo que notas bancárias não teriam nenhum significado para eles por completo. Crowley, escrevendo para Frater Saturnus39 nesta conexão, o alertou contra a utilização de dinheiro em operações mágicas para riqueza, na base de que “os Gnomos não compreendem o significado disso”; ele aconselhava a utilização de ouro real ou prata.

O sigilo é um receptáculo ou cálice abrigando uma dada quantidade ou tipo de energia. Pouco importa qual a forma que o sigilo tome, desde que seja simples e completo em si mesmo. É importante não se adicionar ornamentos supérfluos uma vez que isso capacitará o subconsciente a produzir imagens indesejadas ou fantasmas que obscurecerão e portanto distorcerão o desejo original. Isto também é um princípio de criação artística, decoração inútil é arte “ruim”. A grande arte é sempre simples; cada linha é genética e funcional em um sentido que não deve ser confundido com utilidade. É funcional no sentido que apela imediatamente ao componente subconsciente do observador. Este apelo é bloqueado e destruído por enfeites inúteis. A arte então se degenera em algo que apela somente a consciência superficial; ela expressa um modo meramente passageiro ao passo que a verdadeira arte se expressa na Eternidade. Quanto mais simples o sigilo mais potente ele é, contudo, a completude não deve ser sacrificada pela simplicidade, pois se o sigilo é incompleto, também é impreciso e produzirá um monstro.

Qualquer forma de construção do sigilo é válida, quanto mais individualizado melhor, sendo assim mais próximo da mente subconsciente sobre a qual é intencionado se trabalhar. Se o operador é mais fortemente influenciado por sons ou cores, então o sigilo deveria tomar forma de um encantamento ou um poema, uma pintura ou um pantáculo.

Os antigos Egípcios eram versados neste método; o enorme cuidado com o qual eles preparavam seus mortos era igualado somente com o cuidado sobre o qual eles projetavam seus hieróglifos, aqueles sigilos mágicos que eram palavras de passe em Amenta. O corpo, enfaixado nas mortalhas descaracterizadas pelo esquecimento, preenchiam perfeitamente o papel do sigilo capacitando os defuntos a viajar sem impedimentos no submundo. Exames dos dispositivos inscritos sobre sarcófagos revelam o conhecimento da sigilografia não-rivalizada em qualquer outro sistema. As deidades com cabeça de animais eram guardiãs e guias para os pilonos secretos do submundo; elas deslacram aquelas camadas do subconsciente que contêm os poderes atribuídos aos animais em questão. A humanidade perdeu as chaves para o verdadeiro significado destas formas divinas pois as chaves não existem no plano da interpretação racional. Como sonho, elas são compreensíveis somente em seu próprio plano.

Uma distinção deveria ser estabelecida entre um pensamento consciente e um subconsciente. O primeiro é uma réplica subjetiva de um objeto tangível ou intangível. O pensamento subconsciente, por outro lado, é uma entidade astral, um objeto tão tátil a consciência astral quanto uma cadeira é a uma sensação física. É por isso que se declara que os sonhos são ocorrências reais enquanto estão sendo experienciados; e eles assim o são para os sentidos astrais. Mas ninguém declara que pensamentos são reais, mesmo enquanto estejam sendo experienciados. A diferença se encontra somente em nosso critério do que constitui a experiência direta. Pensamentos conscientes são considerados irreais porque seu impacto não é sensual; eles são “pensados”, não “sentidos”. Pensamentos subconscientes (entidades astrais), contudo, são sentidos, e a impressão resultante é de realidade vívida. Daí sonhos serem às vezes tão “realísticos” que sobrepujam a consciência de vigília de tal maneira que não se compara ao numerosíssimo fluxo de pensamentos conscientes. A Magick é bem sucedida, portanto, quando ela trabalha através do pensamento subconsciente, pois então somente a experiência corresponde à realidade sensual.

Mentes conscientes comunicam-se entre si através da fala, pela escrita, pela telefonia, etc., mas sem estes auxílios físicos a comunicação é impossível. Mas assim não acontece com a mente subconsciente, contudo, mesmo aqui, uma ligação, uma ligação verdadeiramente mágica, é essencial; esta é precisamente a função do sigilo. O pensamento consciente é uma entidade insubstancial comparada com sua contra parte subconsciente; ele não pode penetrar na aura mágica (i.e. subconsciente) de outra pessoa. Mas um elemental astral, ou o pensamento gerado a partir de um sigilo, pode ser projetado para dentro da aura de uma pessoa e lá produzir outros pensamentos. Um hipnotizador desempenha uma operação análoga quando, após a paralisação da mente consciente do paciente, deixa aberto o subconsciente. Ele o faz através de passes magnéticos, luzes brilhantes ou vibrações rítmicas que estuperfatam a consciência normal. Mas o magista não precisa de nada disso. Seu “paciente” pode se encontrar completamente inconsciente de suas atividades, pode não ter nenhuma suspeita de que o “pensamento” que acaba de surgir em sua mente não fora gerado por si mesmo. Esta é à base da sugestão mágica. Quando o paciente está consciente da intrusão, ou resiste ou aceita o pensamento; a fim de repeli-lo, contudo, ele tem de possuir poder mágico de uma ordem mais elevada do que aquele que projetou o pensamento.

Se a magick for abordada com a seguinte atitude: “Eu, com minha pequena mente, quero impelir minha ampla mente (subconsciente) a obter algo da mente cósmica” – mais ou menos como um homem rico com amnésia planejando roubar a si mesmo – a falha será o único resultado. Mas quando é compreendido que a mente cósmica é tudo, e que tudo é desempenhado em e através dela, então a limitação da assim chamada força de vontade será dissolvida para sempre e todos os desejos serão realizados. Isto é trabalhar “livre do desejo de resultado”40 e esta é a única maneira de se trabalhar a fim de que a Verdadeira Vontade seja realizada. Quando nos orgulhamos do sucesso de um sigilo imaginamos sermos a causa do efeito que ele produz. Mas o próprio impulso em direção a formulação do desejo que sugeriu a construção do sigilo não possuía suas raízes na mente superficial, e mesmo a subconsciência na qual ele primeiramente apareceu é senão uma impressão do negativo nas esferas sem formas e pré-conceituais. A corrente é de sushupti a swapna a jagrat; não o contrário como nós vaidosamente supomos.

Êxtase é a alavanca a partir de onde o sigilo é arremessado para dentro do vazio. O sigilo deve somente ser lembrado em épocas de tensão psicológica; de outra maneira ele seria resolutamente banido da consciência. Durante qualquer estresse emocional intenso o sigilo deve brilhar na mente. Uma concentração neste período conduzirá a geração do êxtase – um ecstasis – que finalizará a tensão e conduzirá, em última análise, a realização do desejo sigilizado.

Uma vacuidade psicológica segue a experiência do êxtase. Neste vazio, onde a própria mente está ausente, ocorre a vitalização do sigilo. O grau da abstração dependerá da quantidade de êxtase que o precede: se o êxtase é fraco a vacuidade dura pouquíssimo tempo; se for forte o grau de vacuidade é correspondentemente forte e de longa duração. Pode haver neste ponto dificuldade em rememorar a identidade individual quando a consciência superficial é recuperada. De fato, o ego é meramente um fantasma criado para emprestar uma aparência de personalidade e coerência a uma série desconecta embora perpétua de impressões. Mas o único fio de continuidade que junta estes desconectos estados físicos é a mente cósmica. Pois o êxtase desloca o ego temporariamente de sua sede, sendo difícil conformar mais uma vez ao conjunto de falsos valores impostos por uma mera ficção da Realidade. Nenhum esforço precisa ser feito; as velhas tendências são fortes e rápidas demais para restabelecer a ilusão da existência separada.

Quando os antigos Egípcios embalsamavam o sigilo antes de despachá-lo para o submundo, todos os traços de personalidade (i.e. qualidades reconhecíveis) eram obliterados. A “morte” simbolizada pela múmia em suas ataduras de mesmice uniforme e indiferenciada era seguida pela ressurreição em Amenta.



Notas

1. Eu mesmo feito Perfeito: um título de Osíris. O falecido era referido como “O Osíris”. Osíris Un-Nefer, ou Osíris Abençoado ou o que Manifesta Beleza. Nome dado a Osíris quando este se apresenta ao Tribunal dos Deuses, ou seja, a Sala Dupla de Maät. No Antigo Egito, o falecido se fazia semelhante a Osíris, que vencia as provas do julgamento, ganhando por merecimento, a imortalidade.

2. Radha é shakti ou aspecto-poder da Consciência; ela é às vezes descrita se segurando, como uma trepadeira em seu Senhor (Krishna).

3 Krishna é uma forma personalizada da Consciência Pura; é esclarecedor que seu nome signifique O Negro ou Escuro, assim o identificando como o Vazio-Noturno da Corrente Setiana. Ele é às vezes descrito como um jovem “dobrado em três partes” tocando uma flauta. Esta descrição sugere a Kundalini triplamente enroscada.

4 Vaikuntha, o paraíso Hindu.

5 Prema, amor divino; deha, corpo.

6 O esclarecedor que o nome Kusuma signifique “uma flor”.

7. O significado deste nome é “Ela que está Além do Tempo”.

8. O número da sephira lunar, Yesod.

9. A descrição do simbolismo deste Atu dada em Liber 777 é como se segue: “Uma sacerdotisa coroada sentada ante o véu de Isis entre os pilares de Set.”

10. Alim = 81, a fórmula da Bruxaria. Veja Magick em Teoria & Prática.

11. Literalmente, “linguagem crepuscular”.

12. Veja Karpuradistotra; o comentário, em um sentido interior, para o Verso I.

13. Cf. a letra Hebraica Resh (R), que significa “o sol”.

14. Veja Atu XV; Figura 11.

15. Observe que Aquário é o undécimo signo do zodíaco, assim ligando particularmente Nuit com o simbolismo do Novo Aeon de Aquário.

16. Veja O Renascer da Magia, Capítulo 3.

17. Veja 777 Revisado, p. xxv.

18. Esta é uma doutrina básica do Advaita Vedanta.

19. No presente contexto este termo significa o congresso sexual no qual a fêmea assume a posição dominante.

20. Um defunto.

21. “Eu reconheço a Magick com relação à inversão de qualquer ordem existente. Cf. a ideia de Parzival de Reversão, que lhe deu a LA-31-AL Chave para CCXX”. Parzival fora um dos motes de Frater Achad (Charles Stansfeld Jones). Foi Jones que descobrira a Chave para CCXX – O Livro da Lei. 31 é o reverso de 13, o número de Achad.

22. A palavra magia é derivada da palavra sânscrita maya, que significa ilusão. De acordo com Dawson (Dicionário Clássico de Mitologia hindu) Maya é “ilusão personificada como uma forma feminina de origem celestial [...] Às vezes identificada como Durga [uma forma de Kali] como a fonte dos feitiços ou como uma personificação da irrealidade das coisas mundanas”

23. Isto é, livre da corrente de pensamentos.

24. Veja Shri Arunachala Ashtakam, verso 6, onde o mecanismo desta projeção é descrito. (Publicado em Five Hymns to Arunachala em Shri Ramanasramam, Tiruvannamalai, Sul da India).

25. Às vezes chamada de Rosa-da-China.

26. AL I: 51.

27. Idem.

28. Veja Magick em Teoria & Prática (Crowley).

29. A Estrela de Set (i.e. Sothis) foi chamada de Estrela Flecha, assim assumindo a luz ou radiação do corpo de Nuit.

31. A palavra Hebraica AChD (Achad), que significa Unidade, soma 13.

31. O 30 solar ainda sobrevive no glifo Hindu OM, que representa o aspecto sonoro da vibração solar ou criativa.

32. Os “céus” eram tipificados pelas estrelas no hemisfério norte, os “infernos” pelas constelações no sul das quais Set ou Sothis eram supremos.

33. Assim onze “conforme todos seus números que são nossos. A Estrela de cinco pontas, com um Círculo no Meio, & o círculo vermelho” (AL I: 60). Este verso resume toda a doutrina Draconiana.

34. O quarto verso do segundo capítulo do AL é o verso setenta do livro como um todo. Setenta é o número de ayin, o olho que tipifica a vulva de Babalon.

35. Ou o sacerdote que assumia a forma divina da deidade que ele desejava invocar.

36. Segredo Aberto, Parte III, por Wei Wu Wei.

37. Introdução ao Budismo Tântrico, por S.B. Dasgupta.

38. Idem. Veja também Cultos Religiosos Obscuros, por S.B. Dasgupta.

39. Karl Johannes Germer (1885-1962), o braço direito de Crowley em Nova York por volta dos anos 40, quando esta carta foi escrita.

40. AL I: 44.


0 comentários:

Postar um comentário

Ola, seja bem vindo para comentar. Utilize o bom-senso, seja profundo.