segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O Culto de Lam



Fernando Liguori


Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.


A Magia e o Ocultismo têm sido mencionados em várias ocasiões, mas somente de passagem, apenas um lado da questão. Têm-se limitado à Ufologia de gabinete, deixando as grandes implicações (mágicas, espirituais etc.) em segundo plano, possivelmente por medo do que elas poderiam concluir. Entretanto é fato que raramente alguém vá muito longe nesta área sem deparar-se com a doutrina oculta de uma forma ou de outra.

A pesquisa ufológica, mesmo aquela teórica, exige um alto grau de flexibilidade mental. Alguém pode criar regras gerais no sentido de analisar o fenômeno, mas é necessário manter a mente aberta a todo tempo e estar preparado para exceções que cruzam toda prévia teoria. Isto é especialmente certo para a síndrome dos contatados, que serve como um ponto de cristalização para todas as formas de complexos e desejos reprimidos. Através de meus estudos cheguei a conclusão que a maioria dos contatados não são diferentes de nós mesmos. Eles são de fato seres humanos comuns sofrendo problemas similares aos nossos, particularmente aqueles do tédio e alienação. Mas quais são as exceções a esta regra? Que dizer, por exemplo, dos ocultistas que se esforçam por um ato de vontade para estabelecer contato com entidades praeter-humanas?

De acordo com uma recente edição do periódico da Ordem Tifoniana, Starfire, o principal objetivo da magia é a comunhão com inteligências desencarnadas ou extraterrestres. É para este fim que o ocultismo contemporâneo está dirigido. Em 1918 Aleister Crowley realizou uma série de experimentos mágicos os quais poderíamos denominar hoje de como canalização ou contato induzido. Desde então, vários ocultistas, principalmente Michael Bertiaux nos anos 60 e um grupo de iniciados da O.T.O. Tifoniana nos anos 70 – e recentemente um grupo de iniciados da Loja Shaitan-Aiwaz – realizaram trabalhos mágicos similares e seus esforços foram coroados com êxito. Isto ergueu sérias implicações para todo o campo da pesquisas ufológicas. A Operação Amalantrah foi uma série de visões e comunicações em transe recebidas entre janeiro e março de 1918 por Roddie Minor, O Camelo, que era na época a Mulher Escarlate de Crowley.

No inicio da Primeira Guerra Mundial, Crowley embarcou para os Estados Unidos no navio Lusitania. Chegando lá fixou residência em Nova Iorque - Rua 36 West – e ali dividiu seu tempo entre a magia sexual e a confexão artigos de propaganda pró-germânicas para o jornal Fatherland. Fazendo uma rápida viagem a Vancouver via São Francisco e Nova Orleans ele retomou a Nova Iorque. Roddie Minor, uma mulher casada vivendo separada do marido, juntou-se a ele em outubro de 1917 e juntos iniciaram a exploração o vasto campo da magia sexual.

Os diários pessoais de Crowley para outubro de 1917, descrevem Roddie Minor como uma mulher grande, muscular e sensual. John Symons adiciona que ela era larga de ombros e de face agradável. Ela também possuía uma faculdade de clarividência muito desenvolvida sob a influência de haxixe e ópio. No curso das operações mágicas, ela descreveu para Crowley uma série de visões arquetípicas envolvendo (entre outras coisas) um rei, um pequeno menino e um mago que se apresentou sob o nome de Amalantrah. Estas visões faziam exortações para que Crowley pudesse encontrar o ovo. A reação da maioria das pessoas ante estas coisas é pensar de imediato que elas não passam de alucinações induzidas pelas drogas e, portanto, sem nenhum significado, mas Aleister Crowley não era uma pessoa comum. De acordo com Symonds, ele não fez qualquer esforço para interpretar este material em termos de inconsciente. Para ele as características e incidentes das visões dadas pelo mescal eram mais reais que qualquer realidade. Ele não ficaria surpreso em encontrar Amalantrah passeando pela Quinta Avenida. O mago teria invadido o plano da ilusão, isto era tudo.

Finalmente, sentindo que Amalantrah nada mais tinha a comunicar, Crowley voltou para a Europa, deixando Roddie Minor por sua própria conta. Mas a história não termina ai. Estaria além de minha competência prover um completo e acurado relato sobre a Operação Amalantrah e suas consequências. A última palavra sobre o assunto provavelmente jamais será escrito. Para o propósito deste ensaio eu somente necessito observar que Crowley não estava interessado em ideias para seu próprio bem, mas em resultados. Os detalhes não são claros, mas parece que em algum estágio durante os procedimentos ele contatou uma entidade possuindo uma grande cabeça e que agora é conhecida como Lam. Lam, cujo nome deriva-se da palavra Tibetana para caminho ou passagem, mais tarde tornou-se objeto de um retrato desenhado por Crowley.

O retrato original foi exibido pela primeira vez em Nova Iorque (1919), sendo reproduzido várias vezes desde então. Embora desprovido do cru poder dos mais extravagantes quadros e murais de Crowley, o retrato é, sem dúvida, um marcante trabalho. O rosto está desenhado de frente e parece ser de um anão a despeito do fato que não existe qualquer referência de escala na composição. A cabeça é grande, lisa e sem qualquer cabelo, afilando em um queixo pontudo. A boca é como um fino corte; os olhos se estendem aos lados das faces. Não há qualquer indicio de roupa além daquilo que parece ser a gola de uma capa em volta ao pescoço; a entidade não possui qualquer traço de orelhas. Em resumo: Lam parece nitidamente ser um típico ocupante de um UFO, do tipo examinador (aquele tipo de E.T. chamado, na classificação mais geral, como um cinzento maléfico). Mas assim não é a as experiências de Michael Bertieux, Nema e Kenneth Grant clareiam o assunto de tal maneira que Lam hoje pode ser facilmente assimilado por aqueles que se sentem atraídos por seu Culto.

Lam é o presente foco de uma energia extraterrestre e transplutaniana com a qual muitos iniciados estão sendo chamados a comunicar neste critico momento de nossa civilização.

No Culto de Lam nós utilizamos o desenho de Crowley como um Portal para o contato com Inteligências Extraterrestres. Ao praticar, certifique-se de olhar fixamente para o retrato de Lam até que a sonolência sobrevenha. Com o olhar fixo, você naturalmente se concentrará nos olhos dele; eles parecerão alargarem-se e absorverão sua consciência. Neste momento você sentirá uma estranha sensação de que se encontra dentro da cabeça de Lam. Dois caminhos estão abertos: um para cima, outro para baixo. Se for para baixo a descida será acompanhada por uma sensação aérea que pode chegar à força de um furacão. Uma profunda escuridão vai engolfar a mente na medida em que se entra no escuro túnel atrás da boca de Lam e um vento será substituído por um som de água corrente. Elas ferverão ao redor da face da Lam até que uma chama brilhante que ascende e apaga em vários ciclos por segundo se mova rápido como um raio através do líquido oleoso e agitado. Sua agitação violenta despertará a imagem de uma entidade octópoda, os tentáculos da qual são as ramificações do túnel embaixo da boca de Lam. Seguir-se-á uma súbita quietude agitada somente pelas pululações vagas de uma entidade que se parece com uma lula. Nesta quietude o contato pode ser estabelecido com a rede de túneis que se ramificam para baixo em direção a base de Lam, onde os raios sexuais têm suas origens. Estes transportam a mente para dentro de um violento vórtice e a consciência parecerá difusa em uma variação de formas que são transportadas rapidamente para cima se fundindo em uma única forma. A fusão ocorrerá entre os olhos de Lam, na região do ājñā-cakra e a chama se arremessará para dentro do vasto brilho de um crânio que é infinito em extensão e deslumbrantemente resplandecente. O mantra Ipsoslam ou Lamipsos deve então ser vibrado conforme forem os túneis para cima ou para baixo.

O trabalho com Lam e outras Inteligências praeter-humanas tem como consequência a expansão e o aprofundamento da consciência humana, bem como a penetração da consciência em outras dimensões. Utilizando tais técnicas, o magista pode atingir uma compreensão mais rica e mais profunda de Thelema ou da Corrente 93. O trabalho de grupo tem sido suplantado pelo trabalho individual e cada aspirante que trabalha a autorealização se torna tanto um foco de energia na Terra e a projeção de uma Estrela no espaço. Desta maneira, uma complexa rede de entrelaçadas correntes de energia emerge, modelada através dos aspirantes que trabalham individualmente, estimulando assim uma completa evolução além do atual nível da humanidade. Essa consequente expansão e aprofundamento da consciência também capacita o Iniciado a transcender as aparentes limitações de uma visão do tempo linear e sequencial.


O Dikpala do Caminho do Silêncio

Lam é o atual dikpala ou Guardião do Espaço, cujos eflúvios estão emanando por todo ambiente astral da Terra. Neste momento forças transplutonianas estão em contato com as pessoas mais sensíveis do planeta – artistas, escritores, poetas, magistas e cientistas – para que através dos seus campos de luz possam refletir àquelas emanações do espaço Fora ou Além dos Portais do Abismo estelar.

Uma nova corrente flui por meio de longos túneis cuja radiação provém da Ordem da Estrela de Prata – a AA – através de um antigo e extinto núcleo ou zona de poder chamada Loja Nova Ísis. Após os primeiros contatos outros núcleos ou zonas de poder foram formados através do tráfico com entidades praeter-humanas cujo acesso alguns psiconautas têm explorado, mundos e dimensões além da consciência humana, i.e. do estado de vigília. Para se alcançar estes mundos é necessário utilizar um Portal de grande magnitude que na Tradição Oculta é conhecido como Lam, o Silêncio.

Lam é um Portal interagindo no plano da manifestação como o avātar de Aiwaz. Esta inteiração permite que cada psiconauta percorra mundos e sistemas estelares em níveis de consciência distintos acessíveis somente através do estado de gnose. Essa consciência é fundida através de algumas técnicas bem simples como a formação de uma cápsula oval para as primeiras incursões nos mundos distantes que estão localizados nas áreas do profundo espaço, a morada da Deusa Aranha.

Lam é a inteiração do continuun entre o momentuum de cada instante que é gerado por miríades de teias e redes que perscrutam o espaço infinito fora dos círculos do tempo. A mente intoxicada e torpe da consciência ordinária não tem acesso a estes mundos. Qualquir tipo de prática espiritual executado neste estado mental pode gerar incidentes mágicos de proporções catastróficas. Estes incidentes ou interferências nós chamamos de tantra tangencial ou mesmo o fracasso da ação direcionada que não foi delineada e nem acionada pela Verdadeira Vontade do magista. Cada ação gera, obviamente, uma reação; o grande perigo está no fato de que ação e reação existem apenas no saṃsāra ou dualidade, dificultando assim todo o processo de contato com inteligências praeter-humanas. Entre as Torres de Observação de Maat a dualidade é dissipada por uma enorme força centrípeta chamada Morte ou Daath.

A tecnologia de Lam requer profundos níveis de consciência onde não há o estabelecimento de leis, o nível de vibração das tremendas forças do Caos. A Unidade não é um fim, mas o meio para se chegar ao Zero ou Vazio. As polaridades não são mais sustentadas por Maat e nem a Unidade é representada como Hórus, a Força de Coesão, mas sim Seth, o Incognoscível que está além do desconhecido, aquele Vazio primordial que nem mesmo o Zero pode tipificar.

Para cada incursão é requerida uma cápsula criada pelo próprio magista a fim de protegê-lo de determinados habitantes ou forças que fatalmente estranhariam sua presença naquelas distantes regiões do espaço. O revestimento de cada cápsula é o Silêncio e o comando está nas mãos da Verdadeira Vontade.

O ovo é a nave espacial projetada pelo magista para suas incursões astrais naquelas regiões além dos abismos e desfiladeiros que circundam o grande mar negro. Ele é invisível porque está no Silêncio. Magistas que operam nessa linha de trabalho não veem mais necessidade na estrutura física e convencional de um templo. Eles têm projetado seus templos na forma de um ovo ou espaço meta-psíquico.

Na Tradição Oculta Lam tipifica uma inteligência acima dos padrões terrestres, ou seja, da dualidade ou pertencente ao mundo fenomênico. Essa inteligência é extremamente sutil e suas manifestações não se dão na grande maioria das vezes no plano físico, mas em níveis astrais de consciência, ou seja, por meios de transes, sonhos, projeções etc., a fim de canalizar essa Energia de pura matéria estelar.

Estas Forças Primordiais são identificadas nas principais mitologias primitivas de diversos povos da antiguidade e estiveram sempre em contato com alguns dos seres humanos iniciados nos mistérios de seus próprios cultos. Muitas dessas entidades são tremendamente bizarras, de aparência assustadora, vindas das profundezas do espaço ou das águas. Mais tarde estas mesmas criaturas foram modificadas em suas estruturas a fim de estabelecer uma beleza condicionada aos olhos humanos, para que trouxessem uma paz vindoura ou mesmo solar. Quanto àqueles que os homens não puderam associar ou modificar para o Culto Solar, estes foram qualificados por demônios ou seres de um submundo onde se perpetuava o mal.

No século passado um dos grandes mitos da literatura de horror na década de 20 e inicio dos anos 30, Howard Phillips Lovecraft, esboçou para os seus leitores através de historias bizarras e aterrorizantes a descrição de mundos antiquíssimos narrados com precisão e veracidade daquele que contatou estranhos seres de regiões sombrias e cheias de terror em um dos seus mais famosos livros A Procura de Kadath. Outros como Arthur Machen, autor do clássico O Grande Deus Pã, Robert E. Howard criador do famoso Conan, o Bárbaro Cimeriano descreveram diversas entidades que tinham origem de mundos remotíssimos e que muitos desses estranhos seres já estavam em contato com humanos a milhares de anos. Inteligências muito superiores a nossa viveram em uma época onde havia apenas rochas, magmas e um calor insuportável em nosso planeta e muitos deles vieram para ajudar no processo evolutivo de uma nova espécie de homens que ainda iriam surgir.

Essas entidades foram atribuídas por muitos sacerdotes e hierofantes como criaturas malignas que habitam regiões infernais, colocando o Deus Sol como o maior e único entre os Antigos Deuses, que foram relegados ao esquecimento na mitologia de todos os povos, escondidos por detrás de mitologias modernas como os mitos de Lovecraft, nos quais são denominados por The Great Old Ones, The Deep Ones, The Outer Ones,[1] entre outros.

Posteriormente, o meio de contato com esses Seres tornou-se mais distante e consequentemente mais complexo quanto a elaborados rituais com cerimônias cheias de artifícios para a invocação dessas entidades. Elas foram cada vez mais para as profundezas dos seus mundos e universos devido à ignorância dos homens, clamando-as sem o Espírito da Vontade em palavras já a muito estéreis. Surge então um novo tipo de contato, com magistas, sacerdotes que operam como agentes dos Deuses Antigos. Estes não retratam mais àquelas terríveis formas que levaram os homens tipificá-las como demônios ou deuses do mal. Surgem então os avātares[2] desses deuses a fim de trazer a mensagem deles sob uma nova perspectiva delineada por inteligências vindas de fora, ou seja, de mundos muito distantes, além do nosso sistema solar, i.e. da mente.

Através de Lam, portanto, é possível percorrer as regiões mais vastas e distantes do inconsciente, viajando por mundos trans-dimensionais fora dos círculos do tempo, fora do tempo e espaço que conhecemos. Lam representa um conhecimento atávico por trás dos sensores da mente humana, uma margem atemporal que se desdobra em zonas além da compreensão dual. Nós podemos tipificá-lo como o vazio, conhecido entre os Budistas como o estado de śūnnyata: o nada, o vazio, a vacuidade, a ausência de dualidade e conceituação.

Para contatar Lam e outras forças extraterrestres é necessário que o magista esteja em estado de vazio, livre dos sensores da mente. Para que estes contatos sejam genuínos é necessário antes de qualquer coisa um profundo trabalho interno libertando-se de restrições em níveis materiais, mentais, emocionais e espirituais. Esses contatos estão além de qualquer dogma ou religião. Portanto o receptáculo dessas forças deve estar preparado para tais contatos.

Lam vem para apresentar ao mundo uma Corrente que permeia o ambiente astral da Terra, salientando a existência de mundos ainda a serem descobertos, que mesmo a ciência não consegue perceber. O – modus operandis – nesta fase da Corrente é conhecida como ofidiana. Trata-se da corrente mágica primordial identificada com o Culto da Serpente na África. No Egito, esta Corrente instruiu o Culto Draconiano. É também conhecida como a Tradição Draconiana porque Ta-Urt era o Dragão ou Réptil das Profundezas e a Mãe de Seth. Esta corrente mágica confere ao magista um dinamismo e amplitude muito maior do que em épocas anteriores. Hoje, alcançar o estado vazio é muito mais rápido do que antes, não precisa mais de livros sagrados, instituições religiosas, escolas esotéricas, gurus, instrutores etc. Cada magista, munido das armas e ferramentas para se tornar um canal-vivo, tornar-se-á um avātar dos Deuses Antigos, o sacerdote de um culto primordial há muito esquecido pela humanidade.

O Culto de Lam: A Entrada no Ovo

A Entrada no Ovo é a primeira técnica ensinada na SETh (Sociedade de Estudos Thelêmicos) para contato com Lam. Trata-se de um exercício preliminar. Para você executá-lo, é necessário que estabeleça sua kiblah.

É senso comum, entre as escolas iniciáticas, que a criação de um local em nossa casa para estudos e práticas é altamente benéfica para o desenvolvimento do Neófito. Esse local se torna o ponto focal de atração da egrégora (campo de forças de uma determinada Ordem ou Escola Ocultista) e cria uma atmosfera de introspecção que favorece o nosso desligamento das percepções sensoriais. Os benefícios desse lugar reservado para os estudos será sentido por cada um, à medida que o utilizarmos. Na tradição thelêmica, esse ambiente especialmente preparado para nossas práticas, chama-se kiblah e é posicionado ao norte geográfico (que será então o leste do thelemita). Caso o leste geográfico não seja possível, crie um leste simbólico, isto é, determine qualquer ponto como sendo o seu leste. A kiblah poderá ser permanente ou ser montada a cada vez que se for utilizar, ficando a cargo das conveniências individuais.

Montando a Kiblah

1.    A Estela da Revelação deve ser pendurada na parede, no alto, acima da altura de sua cabeça quando você estiver em pé.
2.    Leste: No meio da mesa-altar, O Livro da Lei, se possível posicionado em pé.
3.    Um pouco à frente de O Livro da Lei formar um triângulo com a ponta para baixo, com os seguintes elementos:
i.   à esquerda: uma vela branca – representando a letra Zain (z).
ii.  à direita, uma taça com água – representando a letra Lamed (l).
iii. na ponta do triângulo um bastão de incenso – representando a letra He (h) – incenso preferencial de sândalo vermelho, por auxiliar na expansão da consciência.

A Entrada no Ovo
Estágio 1: Abertura da Kiblah
De pé, frente ao Norte, assuma a forma divina de Hoor-paar-Kraat e execute o Sinal do Silêncio.
Execute o Sinal de Puella e diga: menina, o dragão.
Execute o Sinal de Puer e diga: menino, o leão.
Execute o Sinal de Vir e diga: homem, o boi.
Execute o Sinal de Mulier e diga: a mulher satisfeita.
Execute o Sinal de Mater Triunphans e diga: a mãe triunfante.
Execute o Sinal de Tifon e diga: Hórus salta três vezes armado do útero de sua mãe. Harpócrates, seu gêmeo está oculto dentro dele. Seth é a sua santa aliança, que ele revelará no grande dia de Maat.
Execute o Sinal da Caveira de Ossos Cruzados e diga: Que os Mestres da Sagrada Egrégora de Thelema e da Grande Fraternidade Universal possam me assistir neste momento, me inspirar com sua sabedoria e me proteger com seu amor, para que com eles eu possa me harmonizar e receber orientações através de minha intuição.
Execute o Sinal de Ísis a Mãe das Estrelas e diga: Ó, Grande Nuit! Senhora das Estrelas e do Espaço Infinito. Caminho eternamente sob e em teu corpo na travessia de meu deserto e no descanso de minha Alma. Neste momento, olho em tua direção e evoco Tua presença. AUMGN (3x).
Execute o Sinal da Torre de Seth e diga: Ó, Grande Hadit! Tu que és o Centro e o Coração do Sol. Tu que és todo o movimento, ardor e vida em meu corpo, pois tu és o adorador da mais alta Beleza da existência. Neste momento, olho em tua direção e evoco Tua presença. AUMGN (3x).
Execute o Sinal do Hórus Vingador e diga: Oh, Grande Hórus, místico Senhor da Cabeça de Falcão, do Silêncio e da Força, cuja nêmes cobre o céu azul noturno. Neste momento, olho em Tua direção e evoco Tua presença (3x).
Bata no sino: 3-5-3 e proclame: Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei. Amor é a lei, amor sob vontade. A Palavra é Thelema.
Estágio 2: Abertura dos Portais de Daath
Execute o Ritual do Pentagrama e em seguida o Sinal de Proteção.[3]
Estágio 3: Invocação de Lam.
Sentado, frente ao altar, faça uma invocação silenciosa a Hoor-paar-Kraat e vibre os nomes básbaros de evocação: IĒŌU, PUR, IŌU, IAŌ IŌ, ABRASAX, SABRIAM, EDE, EDU, ANLALA, LAI, GAIA, AEPE, DIAThARNA ThORON.
E então proclame:
LLLLLLLAAAAAAAMMMMMM
Tu que és a Voz do Silêncio,
Glifo de Hoor-Paar-Kraat:
O Ente Silente, o Deus Interno.
Portal para o Æon de Maat!
Eu Te Invoco, Eu Te Invoco!
Com o mantra Talam-Malat,
Talam-Malat,
Talam-Malat...
Estágio 4: A entrada no Ovo
Sente-se de frente a imagem de Lam, previamente arranjada em cima do altar, na frente do triângulo.
Mantenha a imagem na distância de um braço e se certifique que os olhos de Lam estão na mesma altura de seus olhos.
Execute trāṭaka fixando o olhar entre os olhos de Lam (pausa).
Inspire e expeire profundamente por alguns segundos (pausa).
Inspire elevando a consciência do mūlūdhāra até o ājñā-cakra através da suṣumnā-nāḍī e projete-se em direção aos olhos de Lam. Continue até que a projeção seja real e você possa enxergar através dos olhos de Lam, como se estivesse vestindo uma máscara (pausa).
Você agora pode jornar dentro da cápsula oval de Lam, protegido contra os habitantes do astral.
Estágio 5: Jornada nos golfos do espaço
Nessa etapa inicie a jornada e investigação de qualquer área que deseje. Por exemplo, trace sigilos ou símbolos através da visualização que estejam em afinidade com as regiões que pretende investigar.
Caso não tenha ninguém para lhe acompanhar, use algum mecanismo de gravação para registrar suas visões e comunicações.
Estágio 6: Encerramento
Gradativamente, recolha a consciência novamente no ājñā através da inspiração e a envie ao mūlādhāra-cakra através da expiração. Repita esse processo até que sinta que seu corpo está completamente consciente (pausa).
Levante-se, assuma a forma divina de Hoor-paar-Kraat e execute o Sinal do Silêncio.
Bata no sino: 3-5-3 e pronuncie: Abrahadabra, Thelema, Ipsos-Lam. Aumgn.


Amor é a lei, amor sob vontade.


Este texto é um trecho do livro «Gnose Tifoniana» (Vol. II), no prelo.



[1] Os Poderosos Antigos, os Deuses das Profundezas e os Deuses do Além ou de Fora.
[2] Tem sua origem no sânscrito avātar, indicando a manifestação divina no plano dual ou fenomênico. Em termos qabalísticos seria a influência de Briah em Assiah, i.e. a esfera de Binah refletindo diretamente sobre e dentro da esfera de Malkuth.
[3] Para detalhes sobre o Ritual do Pentagrama da Sociedade de Estudos Thelêmicos e sobre o Sinal de Proteção veja a segunda parte deste livro, Os Rituais dos Túneis de Seth.

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